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José de Mello quer manter participação na EDP

"Estamos muito satisfeitos", diz Vasco de Mello em relação à posição de 4,8% na eléctrica, que passará a ter a China Three Gorges como maior accionista

Miguel Prado miguelprado@negocios.pt 18 de Abril de 2012 às 00:01
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O grupo José de Mello, que é hoje o maior accionista privado nacional da EDP, com 4,8% do capital, não equaciona actualmente vender nem reforçar a posição que tem na eléctrica presidida por António Mexia, que ontem consolidou a sua aprovação junto dos investidores, ao sair da assembleia-geral com todos os pontos aprovados por 99,99% do capital presente.

A participação da José de Mello na EDP não será mexida. "Estamos muito satisfeitos", disse ao Negócios Vasco de Mello, que ontem assistiu à assembleia-geral da EDP, de cujo conselho geral e de supervisão fez parte até final de 2010. E vai a José de Mello conservar a sua posição na EDP? "Vamos", declarou o mesmo responsável, sem mais detalhes.

A privatização da EDP, com a venda à China Three Gorges de 21,35% por parte do Estado, estabeleceu, na entrada do grupo chinês, condições para que os interesses dos actuais accionistas da EDP, nomeadamente o núcleo de investidores nacionais (José de Mello, BCP e BES), sejam salvaguardados no futuro. A Three Gorges precisará do apoio dos restantes integrantes do Conselho Geral e de Supervisão se quiser reforçar a sua posição na EDP.

Mas Vasco de Mello indicou que para já o grupo a que preside não tem interesse em abandonar a EDP. Outros accionistas da eléctrica, como a Parpública, remeteram-se ao silêncio. Joaquim Reis, presidente da empresa estatal, escusou-se a revelar quando é que a posição do Estado será de facto transmitida à China Three Gorges.

A assembleia-geral de ontem da EDP aprovou todos os pontos em discussão com 99,99% de votos favoráveis. "Uma larguíssima maioria", comentou o presidente do Conselho Geral e de Supervisão da EDP, Eduardo Catroga, que também disse desconhecer "qual é o pensamento" da comissão de remunerações em matéria de retribuições do Conselho Geral.

Apesar do elevado índice de aprovação, o encontro de accionistas não evitou o descontentamento de alguns pequenos investidores. Renato Santos, um desses accionistas, insatisfeito com a recomposição da estrutura da EDP, chegou a declarar na assembleia que o poder da China Three Gorges "conseguiu vergar os outros accionistas a aceitar alterações estatutárias que são contra a sociedade".

O encontro de accionistas, que começou pouco depois das 15h, durou cerca de cinco horas, sendo que antes da votação dos pontos agendados na ordem de trabalhos chegou a haver várias declarações de minoritários que acabaram por atrasar as votações.

Recorde-se que na última assembleia-geral da EDP, realizada a 20 de Fevereiro, vários investidores solicitaram ao presidente da mesa que não autorizasse o Estado português a votar os pontos relativos às alterações estatutárias que viriam a viabilizar a entrada da China Three Gorges na EDP. Entre os que assumiram essa posição estiveram a espanhola Iberdrola, dona de 6,79% da EDP, e a associação de investidores ATM. Esse posicionamento culminou com duas acções judiciais no Tribunal do Comércio de Lisboa pedindo a anulação das deliberações da assembleia de 20 de Fevereiro.

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