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Lucro da Jerónimo Martins encolhe 36% no semestre para 104 milhões

A Jerónimo Martins apresentou esta quarta-feira os resultados relativos ao segundo trimestre de 2020.

Lusa
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 29 de Julho de 2020 às 17:31
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O período crítico da pandemia deixou marcas nos resultados da Jerónimo Martins. A dona dos supermercados Pingo Doce registou no primeiro semestre uma quebra dos lucros de 36,2% face ao mesmo período do ano anterior, para 104 milhões de euros. No ano passado, no mesmo período, lucrou 163 milhões de euros.

Os resultados foram anunciados esta quarta-feira em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

As vendas consolidadas do grupo no primeiro semestre aumentaram 4,6% para 9,3 mil milhões de euros. Contabilizando apenas o segundo trimestre, as vendas caíram 1,3% para 4,6 mil milhões de euros.

O grupo destaca o bom desempenho da polaca Biedronka, cujas vendas aumentaram 10,9% no semestre, e 8,7% no trimestre marcado pela pandemia. Também na Polónia, a Hebe viu as vendas do semstre aumentarem 1,2%, enquanto o desempenho no trimestre ficou marcado por uma queda de 26,6%, devido ao encerramento das lojas ditado pela pandemia. "O forte desempenho da Biedronka mais do que compensou a queda de vendas em Portugal e a pressão da desvalorização do zloty e do peso colombiano", lê-se no relatório.

Já as vendas do Pingo Doce recuaram 2,9% no semestre e 8,8% entre abril e junho. A queda foi maior no Recheio, dependente do canal HoReCa, com as vendas a tombarem 14,4% nos primeiros seis meses do ano e 26,7% só no segundo trimestre.

Na Colômbia, o balanço do semestre foi positivo, com a Ara a registar um aumento das vendas de 33,4%. No trimestre, a subida foi de 16,7%.

O EBITDA do grupo caiu 4,9% para 635 milhões de euros, "penalizado pelo aumento de custos operacionais no contexto da pandemia e pelas medidas de confinamento em vigor ao longo de quatro dos meses do período", justifica a Jerónimo Martins.

Na comunicação enviada à CMVM, Pedro Soares dos Santos, CEO do grupo, assume que "os primeiros seis meses do ano ficam sobretudo marcados pelos efeitos da disrupção causada pela pandemia no segundo trimestre", naquela que descreve como uma "crise prolongada e ainda sem fim à vista".

Na mesma mensagem, na qual faz referência à resposta dada à crise pelas várias insígnias do grupo, Soares dos Santos destaca que "em Portugal, a economia está a sofrer pela sua sobre-exposição ao sector do turismo e pelas consequências das fortes restrições impostas à actividade de retalho". Fatores que, continua, "tiveram impacto imediato na rentabilidade dos nossos modelos de negócio".

Na análise da atividade em Portugal, a Jerónimo Martins refere que "o consumo alimentar, afectado pela situação pandémica e respectivo impacto na economia, tem revelado sinais de trading-down enquanto a persistência da preocupação com a evolução da pandemia tem levado alguns consumidores a reduzir a frequência de compra e a dar maior preferência do que no passado a lojas com mais espaço e com menos clientes".

No caso concreto do Pingo Doce, "dado o seu histórico de elevada frequência de compra e intensidade de tráfego, bem patentes na alta densidade de vendas, tem sido particularmente pressionado por estas circunstâncias de restrição à actividade económica imposta pela pandemia".

A nota do grupo ressalva que os próximos meses em Portugal "serão absolutamente críticos para se compreender melhor até que ponto os impactos são ou não transitórios", sendo que a economia portuguesa "mostra já sinais de claro enfraquecimento e para a qual se espera uma forte recessão".

O CEO da Jerónimo Martins diz-se "consciente de que os próximos meses continuarão a ser duros", mas deposita confiança no "sólido desempenho" do negócio, na "robustez do Balanço do Grupo" e na capacidade de adaptação" das equipas para "navegar as águas difíceis em que nos encontramos e levar este barco a bom porto". 

A confiança do grupo está particularmente depositada na Polónia, e na Biedronka, que no segundo trimestre demonstrou "capacidade de superação". A cadeia polaca adaptou-se "agilmente às circunstâncias de mercado, criando oportunidades muito atractivas como forma de reforçar a sua relevância para o consumidor e a sua posição competitiva. O nosso maior negócio continuará a afirmar a sua liderança e a trabalhar para manter a preferência dos consumidores polacos", remata a Jerónimo Martins.

Grupo sem guidance para 2020

A incerteza em torno da evolução da pandemia em todo o mundo levou a Jerónimo Martins a retirar, em maio, o guidance para 2020. Uma decisão que se mantém em julho. "É hoje evidente que esta pandemia impacta todos os negócios de forma não homogénea, variando em função das medidas impostas por cada país e da resiliência de cada mercado de consumo. A incerteza sobre o desenvolvimento da pandemia continua muito elevada, sendo ainda cedo para estimar o impacto real que, no conjunto do ano, terá na economia mundial e em cada um dos países em que operamos. Nestas circunstâncias, não apresentamos guidance para 2020", lê-se na apresentação de resultados.

Em todas as insígnias do grupo "registou-se um aumento dos custos operacionais relativos à introdução de novos e mais frequentes procedimentos de limpeza das lojas e dos centros de distribuição, bem como de equipamentos de protecção individual de uso diário", revela o comunicado. O grupo estimava, em maio, gastos mensais na ordem dos sete milhões de euros.

A estes custos "acresceu o reforço de provisões para valores a receber e para depreciação de stocks, contabilizados ao nível das Outras Perdas e Ganhos, cujo risco de não realização aumentou substancialmente devido à pandemia", explica o grupo.

No primeiro semestre, estes custos cifraram-se num valor total de 32 milhões de euros.

No primeiro trimestre, a retalhista tinha anunciado uma descida dos lucros de 43,8%, para 35 milhões de euros. Na altura, a Jerónimo Martins estimava gastar cerca de 78 milhões de euros até ao fim do ano em medidas de higiene e segurança, relacionadas com a pandemia.

Em maio, a empresa liderada por Pedro Soares dos Santos cortou a proposta de dividendo anunciada no início do ano, de 34,5 cêntimos por ação, para 20,7 cêntimos, reduzindo o montante total distribuído aos acionistas de 216,8 milhões de euros para 130,1 milhões. O CEO sublinhou então que, se a evolução da crise o permitisse, "antes do final do ano poderemos distribuir os 86 milhões que estamos a guardar agora". O dividendo começou a ser pago a 15 de julho.

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