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Lucro da Jerónimo Martins sobe para 360 milhões em 2012

Empresa aumentou os lucros em 5,9%, num ano em que as margens foram penalizadas pelas promoções realizadas no Pingo Doce, que viu as suas vendas descerem no quarto trimestre. As acções estão em queda, já que os analistas estimavam lucros superiores.

Sofia A. Henriques
Nuno Carregueiro nc@negocios.pt 27 de Fevereiro de 2013 às 07:40
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A Jerónimo Martins anunciou hoje que terminou 2012 com resultados líquidos de 360,4 milhões de euros, o que representa um crescimento de 5,9% face ao ano anterior. Sem itens não recorrentes, os lucros subiram 7,1% para 370,8 milhões de euros.

 

Os números ficaram abaixo das previsões dos analistas, conduzindo as acções a uma queda superior a 3% na bolsa de Lisboa. De acordo com a Bloomberg as projecções apontavam para lucros de 387,5 milhões de euros.

 

As receitas consolidadas subiram 10,5% para 10,9 mil milhões de euros, num ano em que o EBITDA aumentou 6% para 764,6 milhões de euros.

 

Com os custos operacionais a cresceram 9,1%, a margem EBITDA da empresa liderada por Pedro Soares dos Santos baixou 3 décimas, para 7%. Uma queda relacionada com a descida das margens no Pingo Doce (um ponto percentual) a reflectir o novo posicionamento da empresa, ao nível dos preços de venda dos produtos, num ano que fica marcado pelas promoções realizadas no dia 1 de Maio. Na polónia a margem EBITDA subiu 3 décimas para 8,2%. A empresa cita também a abertura de novas lojas na Polónia e a entrada na Colômbia como justificação para a descida das margens.

 

Os resultados operacionais subiram 5,4% para 540 milhões de euros e os resultados financeiros agravaram-se para 31 milhões de euros negativos, num ano em que o volume de impostos pago pela empresa que controla os supermercados Pingo Doce aumentou 8,4% para 121 milhões de euros.

 

A Jerónimo Martins chegou ao final de 2012 com uma dívida líquida de 359 milhões de euros, acima do valor do ano anterior (228 milhões de euros).

 

O CEO da empresa destaca, na mensagem que consta na apresentação de resultados, que a Jerónimo Martins conseguiu reforçar a liderança na Polónia e lidar com “um ambiente macroeconómico muito mais difícil” em Portugal. “Para 2013, o foco manter-se-á no reforço do posicionamento competitivo de todas as insígnias e em assegurar um bom arranque das operações na Colômbia”, refere Pedro Soares dos Santos.

 

Pingo Doce baixou vendas no quarto trimestre

 

A Polónia continua a ser o grande motor de crescimento da Jerónimo Martins, com a Biedronka a inaugurar 263 lojas e a aumentar as vendas comparáveis em 6,4%, num mercado que cresceu 4,4%. No total a companhia polaca atingiu um volume de vendas de 6,7 mil milhões de euros, que traduz um crescimento de 17,9% em zloty  e 16,3% em euros.

 

Em Portugal a empresa adianta que ganhou quota de mercado, já que o Pingo Doce aumentou as vendas em “2,4% num mercado que caiu 1,6%”. Em termos comparáveis (tendo em conta o mesmo número de pontos de venda nos dois anos), as vendas da marca desceram 0,6%, o que a Jerónimo Martins classifica de “desempenho resiliente”.

 

No quarto trimestre as vendas registaram no Pingo Doce registaram mesmo um desempenho negativo (o único entre os 4 trimestres do ano passado). As vendas caíram 0,6% nos últimos três meses de 2012, quando nos trimestres anteriores tinham crescido sempre mais de 2%. Em termos comparáveis só o segundo trimestre do ano passado não foi negativo (2,4%), sendo que quarto trimestre foi o pior (2,6%).

 

Devido à diferente dinâmica dos dois mercados onde a Jerónimo Martins está presente, a empresa alocou 85% do seu investimento de 2012 ao mercado polaco, destinando apenas 10% para a actividade da distribuição em Portugal. No total o investimento no ano passado aumentou para 466 milhões de euros.

 

A Biedronka gerou 72,2% do EBITDA do Grupo, ao registar um crescimento de 22,2%. Já o “o reforço do posicionamento de preço a partir de Maio” levou a uma redução no EBITDA do Pingo Doce para 171,2 milhões de euros.

 

As acções da Jerónimo Martins iniciaram a sessão a 3,14% para 15,60 euros.

 

(notícia actualizada pela segunda vez às 8h55 com mais informação)

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