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Passaporte caducado salva luso-descendente e amigo de tragédia do avião da Air France

O passaporte vencido do brasileiro luso-descendente João Marcelo Calaça, de 37 anos, impediu-o de embarcar no voo AF 447 da Air France que seguia do Rio de Janeiro para Paris e desapareceu dos radares a 290 milhas da costa brasileira.

02 de Junho de 2009 às 07:11

O passaporte vencido do brasileiro luso-descendente João Marcelo Calaça, de 37 anos, impediu-o de embarcar no voo AF 447 da Air France que seguia do Rio de Janeiro para Paris e desapareceu dos radares a 290 milhas da costa brasileira. Um seu companheiro de viagem de nacionalidade norte-americana, também não viajou, para que os dois pudessem partir ao mesmo tempo.

"Estou a sentir-me como se tivesse nascido novamente, é o meu segundo nascimento", disse à Lusa Calaça ao considerar um "milagre" não ter embarcado naquele voo na noite de domingo.

O luso-descendente, especialista em Direito do Trabalho, explicou que ia de férias passar 30 dias pela Europa e visitar parentes seus em Portugal, além de ter planeado uma viagem por Espanha, Itália e França.

João Marcelo Calaça disse que iria fazer conexão no aeroporto de Roissy-Charles de Gaulle e depois seguiria para Lisboa.

"Faltando uma hora para o check-in, resolvi confirmar o meu passaporte e vi que tinha caducado em Março".

Calaça disse que a viagem havia sido organizada em cima da hora, "distraí-me, não vi, achei que (o passaporte) iria caducar no fim do ano".

Por isso, decidiu cancelar a viagem para regularizar a sua situação, mas disse ter insistido para que o seu amigo norte-americano viajasse, pois os dois se encontrariam em Paris

"O meu amigo também iria e desistiu na última hora. Eu disse para ele ir na frente e a gente encontrar-se-ia lá, mas ele preferiu esperar para viajarmos juntos. Isso foi um milagre", destacou.

O luso-descendente admite que está a sentir-se "estranho", pois muitos dos seus amigos e parentes pensavam que ele estivesse no voo que nunca aterrou no aeroporto internacional em Paris.

"Estou muito triste, coloco-me na posição daqueles que perderam familiares seus que estavam no voo. Vejo o sofrimento, a dor de não ter certeza das pessoas sobre se os seus parentes estavam a bordo".

Apesar de dizer que não acredita em Deus, depois desta experiência afirma acreditar que "existe um poder maior, uma energia superior".

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