PayPal vai à HP buscar novo CEO mas não convence investidores. Ações afundam 18%
A fintech não conseguiu corresponder às expectativas dos analistas nos resultados trimestrais. Um ritmo fraco de crescimento levou a PayPal a substituir o CEO.
Um plano de recuperação falhado ditou a saída de Alex Chriss da liderança da PayPal. Com a fintech a falhar as previsões dos analistas no quarto trimestre, a administração da empresa decidiu nomear Enrique Lores como o seu novo presidente executivo (CEO), que assume funções no arranque de março. Os investidores não ficaram convencidos com a substituição e as ações da empresa estão a afundar quase 18% esta terça-feira.
"Embora tenha existido algum progresso em várias áreas nos últimos dois anos, o ritmo da mudança e da execução não correspondeu às expectativas do conselho de administração", explicou David Dorman, recém-nomeado presidente do conselho de administração, na apresentação de resultados trimestrais da PayPal. Entre outubro e dezembro do ano passado, a tecnológica viu o lucro por ação aumentar para 1,23 dólares e as receitas crescerem para 8,68 mil milhões - valores que ficam abaixo das expectativas de mercado.
Apesar de Enrique Lores, anteriormente CEO da HP, só assumir funções em março, a substituição de Alex Chriss vai ser imediata. No lugar fica Jamie Miller, até agora diretora financeira e operações da PayPal, que, na "call" com analistas, reiterou a mensagem do conselho de administração: "[A empresa] não agiu com a rapidez necessária ou com o nível de concentração exigido". Miller afirmou ainda que a fintech deixou de poder se comprometer com as previsões de lucro apresentadas em fevereiro do ano passado.
Alex Chriss tinha assumido o cargo de CEO da PayPal em 2023, substituindo Dan Schulman - atualmente diretor-executivo da Verizon - na liderança da empresa. Na altura, prometeu dar prioridade aos lucros, ao mesmo tempo que tentaria reorientar a empresa para a experiência de "checkout". As ambições eram grandes, mas os resultados acabaram por ficar aquém das expectativas.
Enrique Lores assume agora as rédeas da empresa, numa altura em que a fintech está a passar por uma pequena restruturação. No final do ano passado, a PayPal apresentou um requerimento para se tornar um banco junto da Corporação Federal de Seguro de Depósitos e do Departamento de Instituições Financeiras do Utah - um passo que já tinha dado na Europa, onde já detém uma licença bancária.
"[O timing da mudança] aconteceu muito mais cedo do que a maioria estava à espera", refere Adam Frisch, analista da Evercore ISI, numa nota escrita para clientes a que a Bloomberg teve acesso. “A grande questão é se Lores trará uma equipa de pagamentos formidável para tentar mais uma reviravolta plurianual ou se procurará começar a analisar opções para ativos estratégicos", concluem.
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