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Galp acelera desinvestimentos em renováveis em Espanha

Segundo o El Economista, a Galp está a rever a sua estratégia na Península Ibérica e a alienar projetos solares em Aragão, numa altura em que, segundo a empresa, a aposta nas renováveis passa pela expansão dos serviços auxiliares, armazenamento e hibridização.

Maria João Carioca é co-CEO da Galp
Maria João Carioca é co-CEO da Galp Pedro Ferreira
14:28

A Galp avançou com um novo ciclo de desinvestimentos em energias renováveis em Espanha, ao acordar a venda de projetos solares com uma capacidade total de 525 megawatts (MW) à plataforma Ignis, numa operação concluída no final de 2025. A informação é avançada pelo El Economista, que enquadra a transação num momento de revisão estratégica dos negócios do grupo português na Península Ibérica.

De acordo com o diário espanhol, a operação envolve cinco projetos fotovoltaicos localizados em Aragão, em fase próxima de 'ready to build', cujo valor não foi divulgado. Trata-se do primeiro desinvestimento de dimensão relevante da Galp em Espanha desde que, em 2023, o grupo concedeu mandato ao BNP Paribas para analisar a alienação de parte do seu portefólio renovável.

A carteira de renováveis da Galp na Península Ibérica totaliza cerca de 1,7 gigawatts (GW) de capacidade instalada e incluía sobretudo projetos solares em Aragão, além de ativos em Portugal e em Castela-La Mancha, bem como projetos em desenvolvimento noutros mercados, como o Brasil. Os ativos agora vendidos integravam a área de Galp New Energies e estavam estruturados através de vários veículos societários em Espanha.

Os projetos passam para a esfera da Ignis, controlada pelo empresário espanhol Antonio Sieira Mucientes e pelo fundo Vortex Energy, do grupo egípcio EFG Hermes. A operação permite ao comprador reforçar a sua presença no mercado ibérico num momento em que, segundo o diário Expansión, a empresa avalia uma eventual entrada em bolsa. A Ignis gere atualmente mais de 8 GW de capacidade operacional e dispõe de um pipeline superior a 10 GW em Espanha.

Do lado da Galp, um porta-voz citado pelo jornal explica que a estratégia da empresa nas renováveis está agora mais centrada na “expansão dos serviços auxiliares, no desenvolvimento de sistemas de armazenamento de grande escala e na hibridização de parques solares com energia eólica”. Nesse contexto, a empresa confirma que tem avançado com desinvestimentos em projetos solares em fase inicial de desenvolvimento, sublinhando, contudo, que continua a ser “um produtor solar relevante na Península Ibérica”.

O desinvestimento em favor da Ignis sucede-se a outra operação recente em Espanha, desta vez com o grupo construtor Cobra, atualmente detido pela Vinci. De acordo com informação comunicada pela Galp ao mercado, foram transferidas várias sociedades espanholas associadas a projetos fotovoltaicos anteriormente desenvolvidos em parceria entre as duas empresas.

Entre os ativos vendidos destacam-se o projeto Navabuena Solar, em Valladolid, com cerca de 424 MW de potência instalada, e o projeto PV XXI Suinthila. Esta transação gerou 38 milhões de euros em receitas, mas implicou uma menos-valia contabilística de 19 milhões de euros.

Estes desinvestimentos inserem-se num processo mais amplo de revisão da presença da Galp em Espanha, onde o grupo opera também nos segmentos de upstream, industrial & midstream e novos negócios. Ainda segundo El Economista, esta reavaliação surge num momento em que a petrolífera portuguesa está sob forte atenção mediática devido ao acordo com a espanhola Moeve para a fusão das respetivas redes de postos de abastecimento.

O movimento da Galp acompanha uma tendência mais ampla no setor energético europeu. Nos últimos meses, grupos como a Shell e a BP anunciaram cortes ou revisões da estratégia de investimentos em renováveis em Espanha, num contexto de maior seletividade do capital e de foco na rentabilidade dos projetos.

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