Produção automóvel britânica cai 15,5% para novo mínimo histórico
As fábricas britânicas produziram 717.371 automóveis e 47.344 veículos comerciais, que registaram quebras de 8,0% e 62,3%, respetivamente.
A produção automóvel no Reino Unido caiu 15,5% em 2025 para 764.715 veículos, o número mais baixo desde os anos 1950, segundo dados divulgados hoje pela Associação de Construtores e Comerciantes de Automóveis (SMMT).
As fábricas britânicas produziram 717.371 automóveis e 47.344 veículos comerciais, que registaram quebras de 8,0% e 62,3%, respetivamente.
A descida foi influenciada por vários fatores, incluindo um ataque informático que interrompeu a produção na Jaguar Land Rover, o maior empregador do setor, novas tarifas nas trocas transatlânticas e a fusão de duas fábricas de veículos comerciais.
"Foram 12 meses muito turbulentos", admitiu o presidente executivo (CEO) da SMMT, Mike Hawes, durante um encontro com jornalistas estrangeiros, entre os quais a Agência Lusa.
As projeções da SMMT apontam para um aumento superior a 10% na produção automóvel em 2026, podendo atingir cerca de 790 mil unidades.
A produção de veículos elétricos e híbridos em 2026 aumentou 8,3%, atingindo 298.813 unidades, o que representa 41,7% do total, algo que Hawes considera positivo e um motivo para o otimismo no desempenho este ano.
Segundo este responsável, além de um aumento da produção, está previsto o lançamento de sete novos modelos de veículos elétricos.
Comentando a visita do primeiro-ministro, Keir Starmer, à China, a primeira de um chefe de Governo britânico desde 2018, Hawes manifestou-se aberto ao investimento de marcas chinesas em fábricas no Reino Unido.
"Os únicos que estão em expansão são os construtores chineses. Se conseguisse um investidor que trabalhe com a cadeia de abastecimento britânica, isso seria bom para o ecossistema automóvel do Reino Unido, porque os volumes estão a diminuir", afirmou.
No ano passado, a quota de mercado de veículos chineses como BYD, Leapmotor, Omoda and Jaecoo duplicou para 9,5%, a maior parte elétricos ou híbridos.
A União Europeia (UE) continua a ser o principal mercado das exportações (56,7%), seguida dos EUA (15%) e da China (6,3%), tendo todos registado declínios no ano passado.
Hawes manifestou alguma preocupação com a entrada em vigor de regras de origem mais apertadas para o setor automóvel nas relações com a UE, bem como um potencial protecionismo devido à política da Comissão Europeia para promover produtos "Made in EU".
"Isso seria um grande desafio para o Reino Unido. Na prática, isso poderia fazer o que o 'Brexit' não fez e tornar muito mais difícil a entrada de produtos britânicos no mercado europeu", avisou.
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