"Bad banks": nova arma para estabilizar o sector financeiro?
A crise persiste em não dar sinais de trégua, e, não obstante as maciças injecções de capital e garantias de Estado destinadas a normalizar os circuitos de crédito, o sector financeiro é dos que continua mais vulnerável. Neste contexto, os bad banks estão a surgir como uma derradeira tábua de salvação . Afinal, o que são, ou podem vir a ser?
A crise persiste em não dar sinais de trégua, e, não obstante as maciças injecções de capital e garantias de Estado destinadas a normalizar os circuitos de crédito, o sector financeiro é dos que continua mais vulnerável – e agora também sujeito aos efeitos da crise na economia “real”, que tem gerado uma espiral de fecho de empresas e despedimentos.
Neste contexto, os “bad banks” estão a surgir como uma derradeira “tábua de salvação”. É mais um termo, à semelhança dos “activos tóxicos”, que não tem uma tradução óbvia para o português – “bancos maus”?, “bancos tóxicos”? – e que tão pouco corresponde a um modelo bem delineado de intervenção no sistema financeiro. Afinal, o que são, ou podem vir a ser, os “bad banks”?
Modelo bem sucedido na Suécia. E agora?
A Suécia, no decurso da crise bancária dos anos 90, testou com sucesso este expediente que, no fundo, consiste em retirar os activos desvalorizados dos balanços dos bancos.
O plano Paulson, nos Estados Unidos, começou também por avançar com a criação de uma agência pública para adquirir os “activos tóxicos”, com baixo ou mesmo nenhum valor de mercado, com o objectivo de permitir aos bancos “limpar” os seus balanços – o que, desejavelmente, os faria voltar a apresentar resultados positivos, retomar os fluxos de crédito, fazendo desencadear uma nova dinâmica de confiança num sector vital da economia global .
A tremenda dificuldade em estabelecer o que é um “activo tóxico” e, sobretudo, em avaliar o seu valor, acabou por travar o processo. A ideia foi agora recuperada pela Administração de Barack Obama e começa a fazer caminho na Europa.
Pela primeira vez, a 2 de Fevereiro, Joaquin Almunia, comissário europeu responsável pelos Assuntos Económicos e Monetários, afirmou que a criação de agências públicas (como está a ser pensado nos EUA) ou de veículos dentro dos próprios bancos para segregar os “activos tóxicos” (como parece ser a preferência da Alemanha) pode ser “uma boa opção”, desde que funcionem de forma transparente e articulada, de modo a nãofalsear a concorrência na União Europeia.
Para evitar esse risco, a Comissão e o BCE confirmaram que estão a preparar um “conjunto de orientações” para “os chamados ‘badbank’ e garantias para riscos extremos”.
Os “bad banks” levantam, porém, muitas dúvidas, técnicas e éticas, já que se arriscam a distorcer a concorrência entre os bancos e a representar uma “socialização” das perdas das instituições financeiras. Joseph Stiglitz, Prémio Nobel da Economia, tem-se destacado pela crítica, asseverando que este expediente transformará dinheiro dos contribuintes em “lixo”.