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Vendas dos supermercados subiram 8% em 2020. Retalho especializado afundou 18%

Num ano "particularmente complicado" para o retalho, as vendas do setor alimentar aumentaram 8,1% para 15,6 mil milhões de euros, revelou esta terça-feira a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED).

Desde 1999 que não se verificava uma tão acentuada descida no consumo das famílias.
António Pugliese
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 30 de Março de 2021 às 12:13
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As vendas do retalho alimentar aumentaram 8,1% em 2020 para 15,6 mil milhões de euros, revelou esta terça-feira a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED). Naquele que foi um ano "particularmente complicado" para o setor do retalho, segundo o diretor-geral da associação, Gonçalo Lobo Xavier, foi no retalho especializado que o impacto da pandemia mais se fez sentir. Neste segmento, que inclui livros, vestuário, eletrónica ou mobiliário, as vendas afundaram 17,7% para sete mil milhões de euros. No total, o retalho sofreu uma quebra generalizada de 1,5% nas vendas para 22,65 mil milhões de euros, o que "num ano tão difícil, não foi assim tão negativo", destacou o porta-voz da APED. 

No retalho alimentar, os supermercados registaram uma subida acentuada das vendas de congelados (17,6%), produtos perecíveis (11,5%) e bebidas (10,9%). Os números refletem as mudança de hábitos dos portugueses, decorrentes dos períodos de confinamento e do teletrabalho, justifica a APED. Neste período, notou-se ainda um maior investimento na qualidade dos produtos. Por outro lado, as marcas próprias fecharam o ano com uma quota de mercado de 35,1%, mais 1,4 pontos percentuais (p.p.) face ao ano anterior, enquanto as marcas de fabricante perderam 1,4 p.p.

Os hipermercados fecharam o ano com um aumento da quota de mercado de 0,2 p.p, que só foi ultrapassada pela subida de 0,6 p.p. dos chamados hard discounters, insígnias que apostam em promoções agressivas. Os supermercados de dimensão média perderam 1,4 p.p de quota de mercado.

No retalho especializado, a categoria de vestuário foi a mais penalizada pelas restrições da pandemia, ao recuar 32,5% em vendas para 1,4 mil milhões de euros. Foi um dos setores mais "fustigados por medidas que tiveram um impacto tremendo no retalho especializado", sublinhou Lobo Xavier. Nos combustíveis, a quebra foi de 29% e nos livros de 16,6%. 

No sentido inverso destacou-se o setor da informática, que registou uma subida nas vendas de 23,1%, graças à subida expressiva da procura por computadores portáteis (31,1%) e tablets (25,5%), motivada pelo teletrabalho e a telescola. Nos pequenos eletrodomésticos, evidenciou-se a procura por aspiradores (29,4%), máquinas de preparação de alimentos (24,7%) e máquinas de bebidas, nomeadamente de café (23,9%). Por sua vez, a venda de smartphones caiu -6,5% face a 2019. 

Em 2020, abriram 30 lojas de retalho alimentar e 15 espaços de não alimentar, face a 32 encerramentos no retalho alimentar e apenas 4 encerramentos no ramo não alimentar. 

A pandemia acabou por acelerar as vendas do comércio eletrónico, que em 2020 representaram 3% das vendas do retalho alimentar, mais 0,8 p.p. face ao ano anterior, e 14,9% das vendas do retalho especializado, o que traduz uma subida de 6.9 p.p. Esta é uma tendência "importante" e que "veio para ficar", segundo o líder da APED, mas que "está longe de ser uma alternativa para a sustentabilidade dos negócios". Um estudo feito pela associação, relativo a 2019, mostra que 85% das compras feitas online pelos portugueses foram concretizadas em plataformas internacionais. Os números relativos a 2020 ainda estão a ser apurados pela APED, mas a associação antecipa uma subida do peso das plataformas portuguesas. 

No geral, o responsável da APED considera que os números demonstram "a resiliência do setor" e a "vontade de crescer", num ano em que tiveram de ser feitos "investimentos significativos" na segurança das lojas, que em alguns casos ascenderam a um acréscimo de 2% ou 3% dos orçamentos definidos para 2020. Para o setor recuperar, remata Gonçalo Lobo Xavier, precisa "de estímulos, não só financeiros mas de legislação, de enquadramento e de regras equilibradas do ponto de vista da saúde pública e da economia". 

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