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Impacto da proibição de venda de roupa nos hipermercados é "grande". Setor espera que caia na próxima semana

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) considera que a medida prejudica "algumas zonas do país", onde a oferta de alguns produtos é limitada, e questiona se a proibição terá "desviado" consumidores para plataformas internacionais.

Os supermercados continuam a não poder vender vestuário no interior das lojas.
Alexandre Azevedo
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 30 de Março de 2021 às 13:25
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A proibição de venda de produtos como vestuário e brinquedos nos super e hipermercados, em vigor desde 18 de janeiro no âmbito do estado de emergência, está a ter um impacto "grande" na faturação destas superfícies. A garantia é dada por Gonçalo Lobo Xavier, diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que questiona os benefícios da medida, tomada para equilibrar a concorrência, uma vez que as lojas que vendem estes produtos foram obrigadas a encerrar. 

"Temos associados que referem que produtos como brinquedos, vestuário ou livros representam 30% a 40% do espaço físico de algumas lojas. Confinando a sua venda, naturalmente que tem impacto na faturação", ressalvou o responsável da APED esta terça-feira, durante a apresentação do barómetro de 2020 do setor do retalho

A APED confessa que, apesar de terem aceitado e cumprido a regra, os associados tiveram "alguma dificuldade em perceber" o aspeto concorrencial que justificou a medida. Por um lado, refere, "fechando a possibilidade de venda de algumas categorias de produtos, estamos a fechar a possibilidade de os consumidores terem acesso a este tipo de produtos em muitas zonas do país, uma vez que estes não abundam em termo de oferta". A questão dos livros, cuja venda começou por ser proibida mas foi libertada por decreto presidencial, "é paradigmática", destaca Lobo Xavier. "Há zonas onde não há livrarias e o único local para a compra de livros são os hipermercados. É preciso questionar muito bem os prós e contras deste tipo de medidas". 

Outro aspeto salientado pela APED tem que ver com as vendas online. "Será que, do ponto de vista da concorrência, foi assim tão interessante para quem não podia ter as lojas abertas? O online não deu azo a que os portugueses fossem comprar os produtos que não podiam ter nas lojas a plataformas internacionais onde, porventura, não beneficiamos dos impostos que eles não pagam em Portugal?", questiona Gonçalo Lobo Xavier. 

"Isso não levou a que operadores gigantes beneficiassem por as lojas não estarem a vender estes produtos? Com isso não desviámos os consumidores para plataformas internacionais, que não são tão interessantes do ponto de vista da concorrência? As medidas têm consequências que não são inteiramente pensadas quando elas são tomadas", conclui o responsável. 

A APED acredita que durante a próxima semana "esta medida irá cair" e que "o mercado será restabelecido, com a abertura das lojas de rua e do pequeno comércio". A reabertura destas lojas está prevista para 05 de abril, segundo o plano de desconfinamento apresentado pelo primeiro-ministro a 11 de março, mas a confirmação só será dada por António Costa na próxima quinta-feira. 

Regras mais claras e antecipadas

As críticas da APED à gestão da pandemia não ficaram por aqui. Gonçalo Lobo Xavier reclama ainda do pouco tempo dado às empresas para se adaptarem às decisões tomadas em Conselho de Ministros. "É complicado ter medidas anunciadas à quinta-feira, cujo decreto sai ao sábado e que têm de ser aplicadas à segunda-feira". Além de um melhor planeamento, a associação apela ao Governo para que redija a legislação com mais "clareza", uma vez que têm surgido despachos "dúbios", que causaram "problemas com as autoridades". 

Outra das reivindicações da APED junto do Governo tem sido pelo aumento do rácio de clientes por loja, que atualmente se mantém nas cinco pessoas por cada 100 metros quadrados, um número que Gonçalo Lobo Xavier garante ser "o mais baixo da Europa". Para o líder da APED, a medida "põe em causa a sustentabilidade do negócio e não tem adesão à realidade, porque não é nos espaços comerciais que há a transmissão do vírus". A associação tem apelado à subida deste rácio para o dobro, mas sublinha que "qualquer valor acima de sete daria um sinal interessante". Lobo Xavier lembra que a medida foi discutida num Conselho de Ministros em setembro, tendo chegado até a ser comunicada, mas "por decisão política, não foi para a frente". 

A APED apresentou esta terça-feira o barómetro das vendas do retalho em 2020, que revelou uma subida de 8% do retalho alimentar e uma quebra de 18% no retalho especializado. No primeiro trimestre de 2021, adianta o diretor-geral da APED, tudo indica para uma estabilização das vendas do retalho alimentar, apesar de ser expectável uma quebra nas vendas comparáveis em março, "porque em 2020 aumentaram muito". Já no retalho especializado, "os níveis de faturação continuam preocupantes".
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