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Bruxelas quer travão urgente no preços do gás e dá mais dinheiro para renováveis

Ursula von der Leyen prometeu novidades sobre o teto aos preços do gás nas próximas semanas e anunciou financiamento adicional às renováveis através do RepowerEU.

O plano de Bruxelas para a energia foi detalhado esta quarta-feira no Parlamento Europeu.
Yves Herman/Reuters
Bárbara Silva barbarasilva@negocios.pt 07 de Outubro de 2022 às 17:38
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A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou esta sexta-feira, após a reunião informal dos Chefes de Goveno e de Estado da UE, que Bruxelas precisa urgentemente de um plano concreto para combater os preços elevados do gás e da eletricidade no continente. "A discussão focou-se sobretudo nessa questão", afirmou. 

Para isso, e de acordo com uma carta que von der Leyen já enviou aos Estados-membros, Bruxelas terá de negociar um "corredor de preços decentes" para o gás com os fornecedores mais fiáveis, ou, por exemplo, limitar esses mesmos preços no mercado grossista de gás, ou então por desagregar os preços da eletricidade dos preços do gás, impondo um teto máximo aos gás usado para produzir energia elétrica.

A decisão sobre o caminho a escolher terá de ser tomada na próxima reunião dos Estados-membros da UE, que terá lugar a 20 e 21 de outubro, em Berlim.   

A responsável disse também que o investimento em renováveis tem de duplicar e anunciou financiamento adicional através do RepowerEU.

"Todos estes tópicos foram debatidos amplamente e mais detalhes serão conhecidos nas proximas semanas. Uma coisa é certa. Na próxima primavera, quando as nossas reservas de gás estiverem vazias, temos de ter pronta uma central de compras conjunta para que tenhamos mais forma de negociar em conjunto do que em separado", disse, apelando aos países que evitem a "fragmentação nestes temas.    

"Estamos hoje muito mais bem preparados para o inverno do que há sete meses, quando começou a guerra. Nessa altura importávamos 41% do gás da Rússia, quando hoje esse volume desceu para 7,5%", disse Von der Leyen, acrescentando que isto mostra como a UE diversificou os seus fornecedores e reduziu a dependência russa.  

Além disso, a presidente da Comissão Europeia avançou que as reservas de gás dos países europeus estão agora preenchidas a 90%, mais 15% face a igual período do ano pasado. 

Por seu lado, Charles Michel, presidente do Conselho Europeu, frisou que "os altos preços da energia têm um impacto doloroso nas famílias e nas empresas. Sentimos hoje uma vontade partilhada dos líderes europeus de se mobilizarem numa ambição comum de fazer baixar os preços energéticos e de trabalhar com a Comissão Europeia em estratégias que serão discutidads e aprovadas no próximo Conselho Europeu ".
 
Portugal é um dos países que reclama a imposição de um 'tecto' aos preços do gás em toda a Europa, uma ideia que tem merecido a oposição da Alemanha. 

Ao chegar a Praga, António Costa defendeu um mecanismo europeu para fazer face à escalada dos preços da energia, fazendo votos para que seja seguido o exemplo da resposta à pandemia, e não o "erro" das soluções individuais em crises anteriores.

Costa insistiu na necessidade de o bloco comunitário se dotar de "um mecanismo de resposta comum" à crise dos preços da energia, sugerindo mesmo que tal pode ser feito com recursos já existentes, designadamente verbas não utilizadas da 'bazuca' criada para a crise da pandemia da covid-19, o NextGenerationEU.

Questionado em concreto sobre a nova 'bazuca' da Alemanha, um pacote 200 mil milhões de euros em ajudas às famílias e empresas alemãs para lidarem com os elevados preços da energia, o chefe de Governo respondeu que "o exemplo do pacote da economia alemã, como os pacotes que cada país tem vindo a adotar em função da sua própria capacidade orçamental, o que evidenciam é que, além da capacidade própria de cada país, é fundamental termos um mecanismo de resposta comum da UE", tal como sucedeu em 2020, face à crise provocada pela pandemia.
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