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Dependência energética da Europa é "uma das vulnerabilidades críticas da economia"

Frank Elderson, membro do Conselho Executivo do BCE, reconhece um impacto no crescimento económico motivado pela guerra do Irão, com "custos reais e recorrentes" para os cidadãos europeus. Na sua visão, o objetivo passa por reforçar a energia "limpa".

Frank Elderson do BCE alerta que dependência influencia estabilidade dos preços.
Frank Elderson do BCE alerta que dependência influencia estabilidade dos preços. Arne Dedert / picture-alliance / dpa / Associated Press
11:45

A Europa mantém uma dependência energética de outros mercados e isso tem sido observado desde a guerra na Ucrânia. O conflito do Irão voltou a trazer o tema para cima da mesa, levantando preocupações em várias instituições europeias, nomeadamente o Banco Central Europeu (BCE), devido à elevada subida dos preços. 

"A dependência energética da Europa tornou-se uma das vulnerabilidades críticas da nossa economia. Os recentes choques nos preços da energia transferiram vastos recursos para fora da Europa, provocaram intervenções de emergência e pressionaram as finanças públicas", destaca Frank Elderson, membro do Conselho Executivo do BCE e vice-presidente do Conselho de Supervisão.

O responsável admite, num artigo de opinião no Financial Times, também publicado no blog do BCE, que os custos deste choque energético "são reais, recorrentes e, em grande parte, desperdiçados". Elderson destaca que a política energética é da responsabilidade do governo de cada país, mas que a "dependência energética da Europa também tem implicações profundas para o BCE".

"A nossa principal função é a estabilidade de preços. No entanto, os repetidos choques nos preços da energia tornam cada vez mais difícil atingir este objetivo", sustenta o responsável.

Ao contrário de outras economias mundiais, o vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE admite que "a Europa continua a ser uma das economias avançadas mais dependentes da importação de combustíveis fósseis". 

"Essa vulnerabilidade ficou claramente exposta após a invasão injustificada da Ucrânia pela Rússia, quando os preços da energia dispararam, elevando a inflação na zona do euro para 10,6% em outubro de 2022 e dando origem ao que alguns descreveram apropriadamente como 'fossinflação'", escreve. Agora, o conflito no Médio Oriente provocou um novo aumento dos preços na Europa e um pouco por todo o mundo. 

A Europa continua a ser uma das economias avançadas mais dependentes da importação de combustíveis fósseis. Frank Elderson
Vice-presidente do Conselho de Supervisão do BCE

"As projeções macroeconómicas do BCE para março de 2026 descrevem como esse choque externo poderá aumentar a inflação e diminuir o crescimento", sustenta, até porque estas projeções apontam para uma inflação de 3,1% no segundo trimestre, só regressando a uma trajetória regular no próximo ano.

Frank Elderson reconhece que o fraco crescimento do produto interno bruto (PIB) europeu, assente numa dinâmica de consumo e investimento mais fraca do que previsto no fim do ano passado, "é um cenário complexo para gerir", evidenciando uma dualidade. "Restringir a política monetária para conter a inflação pode agravar o abrandamento económico, enquanto a flexibilização para apoiar o crescimento pode consolidar a inflação", destaca.

Neste momento, a Europa "pode reduzir significativamente a sua exposição" ao risco geopolítico, nomeamente através da diminuição "da dependência dos combustíveis fósseis importados e acelerar uma transição ordenada para a energia verde produzida internamente".

Ainda assim, Frank Elderson reconhece um custo elevado para a energia sustentável, mas diz que este não pode ser o foco. "Segundo a Comissão Europeia, o investimento precisará de atingir 660 mil milhões de euros por ano entre 2026 e 2030. Mas focar apenas nos custos é profundamente enganador. Investir em energia sustentável substitui gastos com combustíveis fósseis. Atualmente a Europa gasta quase 400 mil milhões de euros anuais com importações de combustíveis fósseis".

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A Comissão Europeia estima um investimento anual de 660 mil milhões de euros até 2030 em energias verdes.

Admitindo a exigência de "grandes investimentos iniciais, mercados de capitais robustos e eficientes e um ambiente político previsível", o responsável do BCE acredita ser possível mudar.

"A certeza política, aliada aos incentivos corretos, é essencial para garantir que as perspetivas de longo prazo sejam priorizadas em relação aos ganhos de curto prazo, e que os objetivos públicos e privados se reforcem mutuamente, em vez de se prejudicarem. Isso começa com o cumprimento das metas de descarbonização existentes", declara, apontado que a mudança não é fácil, mas que a Europa não se pode dar ao luxo de não fazer a transição para uma energia limpa.

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