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Estado pode entrar na Efacec e Isabel dos Santos tem novo braço direito em Portugal

Com os bancos credores ainda a cozinhar a salvação da Efacec, o Governo não exclui que o Estado possa vir a torna-se acionista da empresa. Entretanto, um antigo governante português foi escolhido pela empresária angolana para representar os seus negócios no nosso país.

Miguel Baltazar
Negócios jng@negocios.pt 07 de Março de 2020 às 11:41
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Ainda não está fechada a arquitetura da operação montada pelos bancos credores da Efacec para assumirem a participação de quase 70% de Isabel dos Santos na empresa, num processo que estará a ser liderado pela Caixa Geral de Depósitos (CGD), e que inclui o BCP, o Novo Banco, o BPI, o Banco Montepio e o EuroBic/BiC.

 

O modelo da operação "passa pela criação de uma sociedade veículo, onde será parqueada temporariamente a posição da angolana Isabel dos Santos, próxima dos 70%. É um passo intermédio até à concretização da venda e à entrada de novos acionistas", lembra o jornal Expresso, na sua edição deste sábado, 7 de março.

 

O mesmo jornal dá ainda conta do envolvimento do Governo neste processo, com o ministro da Economia a não excluir nenhum cenário de intervenção pública.

 

Pedro Siza Vieira diz que o Governo "tem muitos instrumentos" à sua disposição para resolver a situação da Efacec. Um desses "instrumentos" pode passar por o Estado se tornar acionista da empresa? "É você que o diz", respondeu, logo clarificando: "Não excluo nenhuma hipótese, mas também não tenho de a colocar se não se justificar."

 

"Os Governos não devem excluir nada quando os setores e empresas importantes para o país estão a conhecer dificuldades que não têm a ver com a sua gestão ou com a forma como o mercado está a evoluir, mas com circunstâncias externas, como, por exemplo, uma falta de clara da sua estrutura acionista. E acho que é normal que assim seja", afirmou o ministro da Economia ao Expresso.

 

Entretanto, o Expresso revela que o advogado João Carlos Silva, que faz parte de um escritório com sede no Porto que lidera e tem o seu nome, foi escolhido por Isabel dos Santos para a representar nas operações empresariais que tem em Portugal.

A decisão da empresária angolana surge na sequência do Luanda Leaks, onde o seu braço direito no nosso país também está envolvido, tendo Mário Leite da Silva sido afastado da administração de todas as empresas de Isabel dos Santos no nosso país, tendo as contas bancárias de ambos sido arrestadas.

 

João Carlos Silva foi secretário de Estado do Orçamento e Finanças do segundo Governo de António Guterres.

 

No setor empresarial do Estado, foi também presidente da RTP, entre 2000 e 2002, e administrador da Taguspark, entre maio de 2009 e junho de 2010, um lugar que, como lembra o semanário, lhe causou dissabores ao ser acusado de ter comprado o apoio de Luís Figo a José Sócrates nas eleições de 2009, mas acabou ilibado.


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