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Grupo português investe 53 milhões em fábrica de "pellets" nos Estados Unidos

A Enerpellets, que tem fábricas em Pedrógão Grande e Alcobaça, vai construir unidade na Florida. Acessibilidade da matéria-prima, custos energéticos e diversificação do risco justificam o destino da internacionalização.

Bloomberg
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 03 de Fevereiro de 2015 às 14:46
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O grupo Enerpellets, com sede em Pedrógão Grande, no distrito de Leiria, vai investir 60 milhões de dólares (53 milhões de euros) na construção de uma unidade industrial de "pellets" de biomassa florestal no condado de Hamilton, no estado norte-americano da Flórida. A construção da fábrica terá início no terceiro trimestre deste ano e arrancará a laboração em 2016, estando prevista uma capacidade de produção real de 250 mil toneladas por ano e a criação de 70 a 80 empregos directos.

 

O director comercial, Luís Ascenso, explicou ao Negócios que "os Estados Unidos são uma geografia onde este tipo de negócios é apetecível: tem matérias-primas em abundância e a custos interessantes face à Europa, os custos energéticos – que são muito relevantes nesta indústria – são favoráveis, e dispõe de boas infra-estruturas [ferroviárias e portuárias] para enviar mercadorias em larga escala".

 

Além disso, acrescentou o responsável relativamente à internacionalização da empresa, interessa ao grupo português estar localizado em "realidades económicas distintas, também por uma questão da diversificação do risco". Nomeadamente as flutuações nos "muito relevantes" custos da energia para esta indústria, sendo "sempre bom não estar dependente de apenas uma realidade económica".

 

As duas fábricas em Portugal estão com a capacidade ocupada – exportam mais de 95% da produção – e vamos mantê-las [em funcionamento].
 
Luís Ascenso, director comercial da Enerpellets

Criada em 2008, a Enerpellets facturou 30 milhões de euros em 2014 e tem actualmente dois centros de produção em Portugal, assegurando perto de uma centena de postos de trabalho directos. Tanto a unidade original, em Pedrógão Grande, como a de Alcobaça, inaugurada em 2012 após um investimento de 14 milhões de euros, estão "com a capacidade ocupada". O director garantiu ao Negócios a continuidade em funcionamento dessas duas fábricas, onde mais de 95% da produção é exportada sobretudo para a Suécia, Dinamarca, Reino Unido e Bélgica.

 

Além de abastecer o mercado norte-americano, é precisamente para esses países no Norte e Centro da Europa que serão vendidos os "pellets" (um bio-combustível sólido 100% natural, renovável e com emissões nulas em termos de CO2, de acordo com os produtores) que serão produzidos na maior economia do mundo a partir de resíduos de madeira. Os maiores clientes do grupo são as principais centrais eléctricas e termo-eléctricas europeias, apesar de venderem também o produto "premium" para o mercado residencial e para indústrias que utilizam o calor de forma muito intensiva, como a têxtil, alguns segmentos da agro-pecuária e da hotelaria, e micro-indústrias, como a panificação.

 
Os peletes de madeira são pequenos aglomerados constituídos exclusivamente por biomassa florestal residual e sub-produtos da indústria florestal, devidamente triturados e secos. Os peletes assumem já um papel relevante no panorama térmico e eléctrico europeu, sendo apresentados como uma alternativa económica e energeticamente eficiente na utilização da biomassa florestal – as matérias-primas necessárias são serrações e os desperdícios gerados pela própria floresta - para a produção de energia térmica e eléctrica. Os produtores falam de um bio-combustível sólido 100% natural, renovável e com emissões nulas em termos de CO2. 

 

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