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Irmãos Martins e Mota-Engil cobrem 22 milhões de prejuízos acumulados na Martifer

Os maiores acionistas da Martifer disponibilizam-se para cobrir a maioria dos prejuízos acumulados pela sociedade por via da utilização dos seus créditos na empresa, no montante de 10,925 milhões cada um.

A Martifer é controlada pela I'M, dos irmãos Carlos e Jorge Martins (na foto), e Mota-Engil. Record
Rui Neves ruineves@negocios.pt 27 de Maio de 2020 às 20:04
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No início deste mês, a Martifer anunciou ao mercado que a I'M SGPS, empresa dos irmãos Carlos e Jorge Martins, e a Mota-Engil não tinham concretizado o objetivo de realizar até 30 de abril prestações acessórias de capital no montante de até 40 milhões de euros, com quase metade deste montante a ser utilizado para cobrir os prejuízos acumulados de 19,2 milhões de euros da sociedade.

Objetivo falhado, quando o mesmo e o respectivo prazo de execução tinham sido aprovados em assembleia geral de accionistas em dezembro passado, a I’M SGPS e a Mota-Engil voltam à carga, disponibilizando-se agora para fazer uma operação semelhante em junho.

De acordo com a agenda da próxima reunião-magna, marcada para 24 de junho, os dois maiores acionistas da Martifer propõem que parte dos prejuízos acumulados pela companhia sejam cobertos por via da utilização dos créditos que ambos têm sobre a sociedade, no montante de 10,925 milhões de euros cada um.

"A operação proposta passa pela utilização de créditos dos accionistas maioritários para cobertura de 21,8 milhões de euros dos prejuízos acumulados", enfatiza fonte oficial da Martifer, em declarações ao Negócios.

Para que não haja equívocos, a mesma fonte esclareceu que "não se trata de um aumento de capital", pelo que "todos os accionistas manterão as actuais participações, não existindo nenhuma diluição dos minoritários".

A Martifer é controlada em 82% pelos dois principais acionistas. A I'M SGPS detém 43,86% e a Mota-Engil tem outros 38,35%.

A data prevista para a concretização "é a data da assembleia geral" a decorrer no próximo dia 24 de Junho – "desde que a assembleia geral aprove a proposta em causa", ressalva.

De realçar que a proposta de cobertura de resultados negativos em causa refere-se a contas individuais da sociedade, que tem prejuízos acumulados até à data no valor global de 27,3 milhões de euros, que correspondem a 19,2 milhões de euros registados em resultados transitados no final do ano de 2019, acrescido de 8,2 milhões de euros relativos ao resultado líquido negativo do último exercício.

A confirmar-se a operação de cobertura de grande parte dos prejuízos da sociedade, "esta acarretará um reforço da estrutura financeira do grupo, que será evidente nas contas intercalares do grupo a 30 de Junho", afiança o mesmo responsável da Martifer.

"Num contexto complexo de pandemia, a operação é reveladora da enorme confiança dos actuais acionistas maioritários, e forte compromisso com a continuidade do projecto no futuro, numa sociedade relevante para o tecido económico do país e da região, bem perceptível no volume de exportações, valor acrescentado bruto e geração de emprego", defende.

Sobre a operação semelhante que tinha sido aprovada na última assembleia geral de accionistas, a fonte oficial da Martifer contactada pelo Negócios explicou que essa deliberação "tinha definida uma data indicativa, sendo que os constrangimentos causados pelo contexto da pandemia não permitiram concluir até 30 de Abril 2020".
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