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Lucros da Portucel sobem para 196 milhões em 2015

O volume de negócios do grupo bateu recordes no ano passado com a valorização do dólar. O investimento da produtora de pasta e papel triplicou.

Pedro Elias/Negócios
Maria João Babo mbabo@negocios.pt 04 de Fevereiro de 2016 às 06:56
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A Portucel obteve no ano passado um resultado líquido de 196,4 milhões de euros, o que significa um aumento de 8,2% face aos 181,5 milhões registados em 2014, anunciou a empresa em comunicado.

Em 2015 o grupo viu crescer o volume de negócios em 5,6% para 1.628 milhões de euros, "o maior valor alguma vez registado" e que resulta essencialmente, explica, "da evolução favorável dos preços da pasta de papel decorrente da valorização do dólar face ao euro".

O peso das vendas de papel no volume de negócios foi de 75%, a energia pesou 12%, a pasta representou 9% e o "tissue", segmento em que a Portucel entrou em 2015, contribuiu com cerca de 3%.

Na apresentação dos resultados, a Portucel realça a evolução positiva dos custos com a matéria-prima. "O mix de abastecimento do grupo caracterizou-se pelo aumento do peso da madeira nacional em detrimento da madeira proveniente do mercado espanhol", refere a empresa, que assinala, contudo, que continuou a verificar-se "a necessidade de importações significativas de madeira da América do Sul".

Também os custos com pessoal subiram em cerca de 34,2 milhões, com o aumento do número de colaboradores em resultado do projecto de Moçambique e da integração da AMS e com factores não recorrentes, designadamente indemnizações atribuídas no âmbito do programa de rejuvenescimento em curso.

O EBITDA atingiu os 390 milhões de euros, mais 18,7% do que no ano anterior, enquanto os resultados operacionais (EBIT) cresceram 29,6% para 282,9 milhões.

O grupo explica que o montante do EBITDA registado reflecte a contribuição positiva de oito milhões das operações da AMS e um valor negativo de 10,9 milhões relativo aos projectos de Moçambique e dos EUA. A aplicação da taxa anti-dumping nos Estados Unidos, que em 2016 já foi reduzida de 29,53% para 7,8%, teve também um impacto negativo  de 3,8 milhões.

Os resultados financeiros foram negativos em 50,3 milhões, o que compara com os 34,2 milhões também negativos de 2014.

O grupo liderado por Diogo da Silveira (na foto) registou também um forte aumento do investimento no ano passado, que totalizou 152,3 milhões de euros, ou seja, mais 102 milhões do que em 2014.

A dívida líquida remunerada da Portucel registou um acréscimo no ano passado de 380,9 milhões de euros, atingindo os 654,5 milhões de euros. O rácio da dívida líquida/EBITDA subiu de 0,8 em 2014 para 1,7 vezes em 2015.  

 

Candidatura a projecto PIN concedida

 

Em 2015 a Portucel avançou com o seu plano de desenvolvimento estratégico, com o arranque da nova capacidade de pasta em Cacia, a aquisição da AMS de Vila Velha de Ródão que significou a entrada no segmento "tissue" (para rolos de cozinha ou papel higiénico), o arranque da segunda máquina nesta fábrica, o início da construção de uma unidade de "pellets" nos Estados Unidos e o início da produção do viveiro em Moçambique.

O grupo chegou a anunciar um investimento estimado em 121 milhões de euros numa nova linha de produção de papel "tissue", mas no comunicado divulgado esta quinta-feira, 4 de Fevereiro, recorda que "a decisão de investimento está pendente da verificação de um conjunto de pressupostos, nomeadamente da aprovação por parte da AICEP da candidatura ao programa Portugal 2020 para a obtenção de subsídios financeiros e fiscais". Em Janeiro, adianta, a AICEP aprovou a candidatura que apresentou a projecto PIN (projecto de potencial interesse nacional).

O grupo revela ainda que nos EUA está em curso o processo de recrutamento dos cerca de 70 trabalhadores que irão operar a fábrica de "pellets" em construção. A conclusão da obra está prevista para Abril, com o período de comissionamento e ensaios marcado para Maio de forma a que a produção arranque em Julho.

O montante inicialmente estimado para este investimento, de 110 milhões de euros, foi revisto para 116,5 milhões de dólares, tendo a capacidade de produção nominal subido de 460 mil para 500 mil toneladas por ano.

 

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