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Trabalhadores da Saint-Gobain reúnem-se amanhã para discutir "passos seguintes" ao anúncio do despedimento coletivo

Para os trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal, o processo que deu origem ao despedimento coletivo de 130 trabalhadores "ainda não está encerrado" e há "várias hipóteses em cima da mesa". Está na calha uma nova reunião com o Governo.

Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 29 de Setembro de 2021 às 16:46
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O despedimento coletivo e o encerramento das instalações são irreveresíveis, mas os trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal ainda não vão baixar os braços. 

Esta quinta-feira de manhã, os trabalhadores vidreiros vão reunir-se em Santa Iria da Azóia "para discutir os passos seguintes deste processo", adianta ao Negócios Pedro Milheiro, representante do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Vidreira (STIV) e membro da Comissão de Trabalhadores da Saint-Gobain Sekurit Portugal. Questionado sobre as hipóteses que estão em cima da mesa, o responsável adianta apenas que são "várias", e que serão comunicadas a seu tempo. 

A reunião surge na sequência do fim das negociações com a empresa, que terminaram com a Saint-Gobain a propôr aos trabalhadores uma compensação financeira de 100% acima do valor da indemnização legal, além do apoio na recolocação e na procura ativa de trabalho durante seis meses.

A solução não convence os trabalhadores. Pedro Milheiro sublinha que "durante as reuniões sobre o cálculo das indemnizações, não foi possível chegar a um entendimento e a empresa rompeu as negociações", adotando a solução referida, após considerar a proposta dos trabalhadores como "irrealista". 

"Os trabalhadores tudo fizeram para tentar impedir este crime económico e social que a multinacional francesa levou a cabo na unidade de Santa Iria da Azóia", destaca o responsável sindical. 

O sindicato e a Comissão de Trabalhadores questionam os motivos que levaram a multinacional francesa a encerrar a unidade produtiva. "Foram apresentados os prejuízos dos últimos três anos, de cerca de 8,5 milhões de euros. Mas a nossa unidade deu 80 milhões de euros ao grupo desde que está em Portugal. E o grupo Saint Gobain teve resultados recordes no primeiro semestre deste ano e no último semestre de 2020", realça. 

Na visão dos trabalhadores, o encerramento "é uma decisão estratégica e política da multinacional, para deslocalizar a produção de Portugal para outras unidades do grupo, nomeadamente para Marrocos, onde os custos de produção são muito inferiores aos praticados na Europa". 

Já os resultados negativos dos últimos anos "são resultado do desinvestimento na unidade de Santa Iria da Azóia", denuncia. "Há anos que andávamos a reclamar, junto da administração, a necessidade de captar novos modelos, novos produtos, e de se fazer investimento em novos equipamentos, e nada disso se concretizou. Os resultados serviram de desculpa para a empresa iniciar este processo", lamenta. 

Além das indemnizações, a Saint Gobain já começou a identificar possibilidades para recolocar os trabalhadores despedidos. A empresa fala em "36 postos de trabalho nas empresas do Grupo Saint-Gobain em Portugal, 51 em empresas independentes da região de Lisboa e 10 em empresas do Grupo Saint-Gobain em Espanha, num total de 97 postos de trabalho", sendo que há ainda a possibilidade de manter seis trabalhadores no armazém a instalar em Palmela.

Em paralelo, a empresa afirma que "duas importantes empresas da região estão a fazer um investimento e que irão criar mais de uma centena de postos de trabalho", que podem vir a beneficiar os trabalhadores da Saint-Gobain. 

As soluções não descansam os trabalhadores, que as veem como "dificilmente viáveis". No que toca à possível recolocação noutras unidades, no Norte do país e em Espanha, estas iriam implicar a mudança física dos trabalhadores, "que têm a sua vida na região de Lisboa". 

Já as ofertas para outras empresas, na zona da cintura industrial de Lisboa, "têm condições muito inferiores às que os trabalhadores tinham na Saint-Gobain". Segundo Pedro Milheiro, o nível salarial na multinacional rondava os 1200 euros, enquanto as novas ofertas rondam os "710 ou 720 euros". 

"Não quer dizer que sejam descartáveis, mas os trabalhadores terão de ponderar bem", ressalva o porta-voz. 

Desde o início deste processo, que os trabalhadores procuraram a intervenção do Governo, através do ministério da Economia, do Trabalho e do gabinete do primeiro-ministro. 

Na passada segunda-feira, estiveram reunidos com os secretários de Estado da Economia e do Trabalho. Nesse encontro, foi-lhes transmitido que "havia algumas ideias para tentar dar um destino às instalações de Santa Iria da Azóia, no ramo do vidro mas não do vidro automóvel". Estariam a ser feitos contactos "com outros grupos económicos, para tentar encontrar interessados nas instalações", mas para já "sem nada em concreto". 

Entretanto, os trabalhadores pediram uma nova reunião ao Governo, "para saber se há desenvolvimentos no que toca a possíveis soluções".

Segundo Pedro Milheiro, "poderá haver algumas possibilidades, mas julgo que não passam de hipóteses que dificilmente seriam concretizáveis a breve trecho para que possam consistir uma solução".
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