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Saint-Gobain avança para despedimento coletivo após proposta "irrealista" dos trabalhadores

A Saint-Gobain deu como encerrado o processo negocial com os representantes dos trabalhadores. A empresa classifica a proposta do sindicato para evitar o despedimento coletivo como “totalmente irrealista”.

Miguel A. Lopes / Lusa
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 29 de Setembro de 2021 às 15:05
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Após um mês de negociações, a Saint-Gobain Sekurit Portugal (SGSP) deu esta terça-feira por encerradas as conversas com os trabalhadores, após ter anunciado o encerramento da atividade produtiva em Portugal e o despedimento coletivo. 

Em comunicado, a empresa anunciou esta quarta-feira que o despedimento vai mesmo avançar, depois de os representantes dos trabalhadores terem apresentado uma proposta que a empresa classifica como "totalmente irrealista", e que "mesmo assim mereceu da empresa uma contraproposta de melhoria das condições". A quinta e última reunião entre as duas partes durou várias horas e terminou sem acordo.

"A empresa vai assim avançar com o processo formal de despedimento coletivo, designadamente o envio das cartas de despedimento aos trabalhadores. A SGSP vai manter as últimas condições apresentadas ontem no processo negocial, que considera justas e equilibradas", declara a empresa na nota. 

A Saint-Gobain anunciou no final de agosto o encerramento da atividade produtiva em Portugal e o consequente despedimento de 130 trabalhadores, na sequência de problemas "com mais de uma década", que já deram origem a "várias restruturações na tentativa de minimizar os gastos de estrutura e operacionais", e que foram agravados pela pandemia. 

A solução final para os 130 trabalhadores, proposta pela empresa, prevê "uma compensação financeira de 100% acima do valor da indemnização legal de cada trabalhador, ou seja, o dobro do valor legal". A empresa "assegura para todos os trabalhadores a continuidade do seguro de saúde, seguro de vida e seguro de acidentes pessoais durante o ano de 2022" e irá reforçar o apoio na recolocação e na procura ativa de trabalho durante seis meses.

Este apoio "será feito através de uma consultora especializada, tendo já sido apresentadas propostas concretas de recolocação de cerca de uma centena de trabalhadores da empresa".

Para já, "estão em cima da mesa 36 postos de trabalho nas empresas do Grupo Saint-Gobain em Portugal, 51 em empresas independentes da região de Lisboa e 10 em empresas do Grupo Saint-Gobain em Espanha, num total de 97 postos de trabalho". Haverá ainda a possibilidade de manter seis trabalhadores no armazém a instalar em Palmela.

A empresa revela ainda que "duas importantes empresas da região estão a fazer um investimento e que irão criar mais de uma centena de postos de trabalho".

Pelo que, na ótica da Siant-Gobain, "há muito boas probabilidades de ser recolocada a maioria dos 130 trabalhadores da SGSP, sendo que a aceitação pelos trabalhadores destas alternativas é voluntária". 

Na conclusão deste processo, a empresa acusa os representantes dos sindicatos e trabalhadores de "só nesta quinta e última reunião" terem aceitado "verdadeiramente" negociar, referindo que "nas outras reuniões limitaram-se a insistir que não aceitavam negociar porque queriam apenas a manutenção dos postos de trabalho, condição que a empresa desde o início deixou claro ser impossível".

Os trabalhadores, de acordo com a Saint-Gobain, apresentaram uma proposta de compensações de 35 mil euros por trabalhador, mais três salários por cada ano de antiguidade, seguro de saúde para trabalhadores e agregados familiares durante dois anos e ainda um complemento mensal até à idade da reforma, de montante a definir.

Após negociações, contrapropuseram 2,5 salários por cada ano de antiguidade, compreendendo todos os subsídios e abonos, mais seguro de saúde para os trabalhadores e agregados familiares durante dois anos.

A Saint-Gobain diz ter sido "obrigada a rejeitar" esta proposta, "por ser irrealista e impraticável". 

Desde que o encerramento foi anunciado que a Saint-Gobain mantém que este é "irreversível", face aos prejuízos acumulados, que em agosto ascendiam a 1,8 milhões de euros. O grupo emprega em Portugal cerca de 800 pessoas, distribuídas por 11 empresas e oito fábricas. A faturação anual ascende a cerca de 180 milhões de euros.
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