Start-ups Aos 34 anos, artista fracassada torna-se CEO da própria start-up

Aos 34 anos, artista fracassada torna-se CEO da própria start-up

Aos 34 anos, Akiko Naka já teve mais experiências na sua carreira profissional do que a maioria das pessoas tem na vida inteira.
Aos 34 anos, artista fracassada torna-se CEO da própria start-up
Bloomberg
Bloomberg 04 de novembro de 2018 às 14:00

Começou por ser contratada pelo Goldman Sachs, onde trabalhou com acções. Quando deixou esse emprego, tentou enveredar pela carreira de desenhadora profissional de manga. Quando também esse plano fracassou, conseguiu um emprego no Facebook.

 

E, não satisfeita, despediu-se para fundar a sua própria empresa, uma rede social de recrutamento chamada Wantedly. A empresa entrou na bolsa de Tóquio no ano passado e Akiko Naka é hoje uma das mulheres mais jovens a liderar uma empresa japonesa cotada em bolsa.

 

Naka é um exemplo dos jovens japoneses que estão a evitar o percurso profissional que antigamente era normal no Japão: formar-se numa universidade de primeira e fazer carreira numa empresa importante. Em vez disso, ela está a seguir o seu próprio rumo sozinha, tentando aproveitar o poder das redes sociais – e as suas próprias experiências passadas - para reinventar a forma como funciona o recrutamento.

 

"Todos os meus fracassos foram uma oportunidade para aprender", disse Naka numa entrevista em Tóquio.

 

A Wantedly, que é vista como uma espécie de LinkedIn para a geração Y no Japão, é um portal online que liga directamente os candidatos a empregos às empresas.

 

A plataforma, que também oferece outros serviços, baseia-se em encontrar correspondências entre utilizadores e empresas que têm as mesmas motivações e não permite que os anúncios de emprego mencionem salário nem benefícios. O foco está no que as empresas fazem, em como fazem e, talvez mais importante ainda, nas razões por que o fazem.

 

Outra era

"O LinkedIn é de há duas décadas", disse Naka. A empresa com sede nos EUA foi criada em 2002. "Nasceu na era dos currículos de papel, em que se combinava salários e competências", afirmou. "O que pretendemos fazer é combinar o rumo de uma empresa, o que motiva o que estão a fazer, com o rumo do utilizador, para que eles trabalhem juntos e todos saiam beneficiados".

 

De acordo com Naka, esse foco na motivação e o serviço da empresa que dá aos potenciais funcionários a oportunidade de visitar empresas em condições mais informais acabam por resultar em melhores correspondências do que o modelo tradicional de rondas de entrevistas formais de emprego.

 

"Se tanto as empresas como os candidatos ao emprego usarem uma máscara quando estiverem a tentar encontrar uma correspondência, no fim, as duas partes acabarão infelizes", disse Naka.

 

Força de trabalho em queda

Encontrar pessoas talentosas está a tornar-se difícil no Japão, onde a diminuição da força de trabalho está a dar às empresas de recrutamento uma oportunidade para expandirem os seus negócios.

O mercado de serviços de informação de recrutamento cresceu para cerca de 7,1 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2016, um aumento de 7,5% em relação ao ano anterior, de acordo com a Associação de Informações sobre Emprego do Japão.

 

A Wantedly tinha 2,4 milhões de utilizadores activos mensais e 29.000 empresas utilizavam o serviço até Outubro, segundo a start-up.

 

A Wantedly pretende aumentar o número de utilizadores activos mensais para cerca de 10 milhões no Japão dentro de aproximadamente 10 anos, segundo Naka.

 

(Texto original: At 34, She’s Gone From Goldman to Failed Artist to Startup Queen)




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