Oracle regista receitas recorde mas gasta mais do que o previsto em centros de dados para IA
Os números positivos do quarto trimestre, em que as receitas e lucros subiram mais de 20%, foram ofuscados pelo investimento em centros de dados para IA, que ultrapassaram os 55 mil milhões de euros no último exercício anual. Ações caíram 6% após os resultados.
Os lucros e receitas da Oracle superaram as expectativas, revelaram os números do quarto trimestre fiscal da gigante tecnológica divulgados esta quarta-feira, mas os números foram ofuscados pelo investimento acima do esperado em centros de dados para inteligência artificial, lançando dúvidas sobre a rentabilidade destas infraestruturas.
As receitas aceleraram 21% para um recorde de 19,2 mil milhões de dólares, enquanto o lucro por ação ajustado foi de 2,11 dólares. Os analistas esperavam em média um lucro por ação de 1,97 e receitas de 19,1 mil milhões, com as vendas praticamente em linha com as previsões recolhidas pela Bloomberg. Em termos globais, o lucro líquido subiu 22% para 4,3 mil milhões de dólares.
Contudo, as despesas de capital, que incidem em grande parte no investimento em centros de dados, foram de 15,9 mil milhões no período terminado a 31 de maio, elevando o total anual para 55,7 mil milhões, quando a própria Oracle apontava para cerca de 50 mil milhões.
A empresa está a procurar capitalizar a euforia com a inteligência artificial, passando a fornecer capacidade de computação para o desenvolvimento da tecnologia, através da construção de centros de dados para a OpenAI e outros clientes. A empresa levantou 43 mil milhões em dívida e 5 mil milhões em ações para se financiar no último ano fiscal.
Em 2027, a empresa vai procurar angariar mais 40 mil milhões com a emissão de dívida e ações, incluindo um programa já anunciado de 20 mil milhões de financiamento direto no mercado. A empresa não forneceu previsões para a despesa neste ano fiscal, mas as previsões de Wall Street apontam para investimentos de 61,7 mil milhões até maio de 2027.
Em 2027, a empresa vai procurar angariar mais 40 mil milhões com a emissão de dívida e ações, incluindo um programa já anunciado de 20 mil milhões de financiamento direto no mercado. A empresa não forneceu previsões para a despesa neste ano fiscal, mas as previsões de Wall Street apontam para investimentos de 61,7 mil milhões até maio de 2027.
A primeira reação dos investidores não foi positiva, com as ações da empresa - vista como um barómetro para o setor da IA - a caírem mais de 6% no mercado "after hours".