Preço das memórias RAM "explode" e apanha consumidores de surpresa
Os próprios fabricantes de computadores pessoais estão a "lutar" para garantirem memórias suficientes para os equipamentos. Há casos em que os preços subiram perto de 500%.
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A corrida aos centros de dados pelas grandes tecnológicas está a fazer disparar o preço das memórias de acesso aleatório, também conhecidas pelo acrónimo em inglês RAM, que funcionam como a memória de "curto prazo" de equipamentos eletrónicos como computadores, tablets e smartphones.
É nesta memória que o sistema operativo guarda temporariamente as informações às quais o utilizador precisa de aceder mais rapidamente. Por exemplo, quando executa um programa, esse programa fica temporariamente armazenamento na RAM, que tem velocidades de leitura mais rápidas do que as unidades de armazenamento (ROM). Esta memória caracteriza-se também por ser volátil – daí que quando desliga um computador, quando volta a ligá-lo o programa não é recuperado exatamente no ponto em que estava.
Apesar de os grandes centros de dados para IA girarem em torno dos processadores gráficos ou especializados, criados por empresas como a Nvidia, AMD e a própria Google, os sistemas precisam de outros componentes para que estes data centers possam funcionar como supercomputadores. Apesar de a tipologia de memória RAM usada em centros de dados não ser a mesma que é usada em computadores pessoais, fabricantes como a Samsung e Hynix estão a desviar recursos para a produção de RAM para centros de IA, o que limita a produção de RAM para os equipamentos de consumo final. Tudo isto tem levado a uma maior pressão sobre a disponibilidade de memórias RAM no mercado, o que por seu lado tem levado a um aumento "louco" de preços.
Algo que foi reforçado por um comentário do presidente executivo (CEO) da Epic Games, uma das maiores distribuidoras de videojogos do mundo, Tim Sweeney. "O aumento do preço da RAM vai ser um problema real para computadores topo de gama durante vários anos. Os fabricantes estão a desviar capacidade [de produção] de DRAM para responder à procura das necessidades da IA", escreveu na rede social X.
É o próprio produtor CyberPower quem admite, também na rede social X, que os preços para as memórias RAM dispararam 500% e que isso terá um impacto no preço dos computadores que produz já a partir do início do próximo ano.
Price Changes Coming December 7th 2025, Due To Market Conditions ???? pic.twitter.com/et0HADhc08
— CyberPowerPC (@CYBERPOWERPC) November 25, 2025
Várias publicações especializadas, como a PC World e o The Verge, dão conta de outros exemplos. Há lojas nos EUA que estão a vender as memórias RAM "ao preço do dia" e com "preços sob consulta", isto é, o valor varia diariamente mediante o stock de componentes que os retalhistas conseguem garantir. A PC World sublinha que o preço médio das memórias RAM em algumas lojas disparou 100% nos últimos meses. Mas dá outros exemplos mais "dramáticos": um kit de memórias RAM com 64 GB de capacidade está a ser vendido a mais de 900 dólares no retalhista Best Buy, quando há um ano o preço para um kit semelhante rondava os 200 dólares.
Até os próprios fabricantes de computadores pessoais, como as marcas Asus e MSI, estão a comprar memórias RAM "na hora", sujeitando-se a uma maior volatilidade de preços, mas garantindo pelo menos que têm componentes para colocar equipamentos no mercado. Segundo a publicação Digitimes, a Asus tem componentes assegurados para os próximos dois meses, mas aquela que é uma das maiores fabricantes de PC do mundo poderá começar a sentir os efeitos da menor oferta de RAM já no início de 2026.
A mesma publicação adianta que o "shortage" de memória RAM poderá durar até 2027.
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