Lucros da Nos sobem para 62 milhões em trimestre de tempestades. Cinema e TI dão fôlego às receitas
Sem os efeitos extraordinários nas contas deste ano, a operadora liderada por Miguel Almeida viu o lucro subir. O segmento das Tecnologias de Informação e o Cinema apresentaram crescimentos de receitas, enquanto as telecomunicações revelaram uma quebra ligeira.
O CEO da Nos apontou um prejuízo na ordem dos "milhões de euros" com a tempestade, mas os resultados líquidos da operadora de telecomunicações não desiludiram. A operadora liderada por Miguel Almeida apresentou um lucro líquido de 62 milhões de euros, significando uma subida de 4,7% face aos 59 milhões de euros que tinham sido registados em igual período de 2025.
Em comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), a Nos revela que o resultado atribuível a acionistas da Nos, onde se excluem a comparação com os efeitos extraordinários de 2024, subiu 7,9% para 59,7 milhões de euros. Contudo, o montante investido nos primeiros três meses do ano caiu 5,1% para 85,9 milhões de euros, com a empresa a admitir que esta queda reflete "a gestão disciplinada e a maturidade das infraestruturas de telecomunicações".
Ao nível do EBITDA, a Nos apresentou um crescimento de 3,1% em relação aos primeiros três meses de 2025, registando 203,3 milhões de euros, "com contributos positivos de todos os segmentos de negócio". Por isso, a margem EBITDA "expandiu 0,5 pontos percentuais, fixando-se em 44,2%", com a empresa a atribuir este resultado positivo à adoção generalizada da inteligência artificial devido à "implementação de iniciativas disruptivas, que se traduziram em melhorias de processos e ganhos de eficiência em áreas críticas".
A operadora comandada por Miguel Almeida apontauma receita consolidada de 460,2 milhões de euros, um aumento de 1,9% em relação ao período homólogo. Este valor, adianta a empresa à CMVM, derivou de "um forte contributo das receitas dos segmentos de Tecnologia de Informação [TI] e de Cinema e Audiovisuais".
CEO da Nos
As receitas referentes às telecomunicações foram de 389,8 milhões de euros, significando um decréscimo de 0,2%, com a Nos a atribuir este resultado ao facto de ter "deixado de faturar e cobrar a clientes que ficaram sem serviço". "Num trimestre impactado pelas tempestades que afetaram grande parte da zona Centro do país, as receitas de telecomunicações mantiveram-se em linha com o mesmo período do ano passado, nos 389,8 milhões de euros", sustenta a empresa, adiantando que as receitas do segmento empresarial cresceram 5,5% nos primeiros três meses de 2026, ao acrescentar 53,8 mil novos serviços empresariais, totalizando 1,728 milhões.
No segmento móvel, a Nos adicionou 223,9 mil novos serviços, prestando 5,753 milhões de serviços até março. Assim, a operadora terminou o trimestre com 11 milhões de serviços ativos, mais 266,7 milhões do que aqueles que tinha registado no primeiro trimestre do ano passado.
A unidade de consumo, que se refere ao cliente individual, a receita caiu 0,7% para 285,8 milhões de euros. "Apesar da boa performance operacional, com três mil adições líquidas, o ARPU [receita média por utilizador] do segmento registou uma redução de 0,8%, refletindo o novo contexto competitivo, e também o impacto das tempestades", em que o serviço não foi faturado aos clientes que ficaram sem comunicações.
Por sua vez, as receitas de TI, onde estão os serviços de TI da Nos e a Claranet Portugal, "aumentaram 16% para 54,4 milhões de euros face ao primeiro trimestre do ano passado, com as receitas de Serviços e de Equipamentos e Licenças e revelarem crescimento". Já a unidade de cinema viu as receitas crescerem 7% para 24,7 milhões de euros, beneficiando de "um maior volume de sucessos de bilheteira ao longo do trimestre face ao período homólogo. Entre janeiro e março, o número de bilhetes vendidos aumentou 12,1% para 1,8 milhões, significando que os portugueses voltaram às salas de cinema nos primeiros três meses do ano, com a receita por espectador a subir para 6,7 euros.
Na sua tradicional mensagem, o CEO da operadora evidencia a trajetória da empresa, admitindo que "num mercado competitivo e exigente, aumentámos receitas, expandimos margens e acelerámos a geração de 'cash flow, de forma estrutural e sustentada". Miguel Almeida aponta que "o reconhecimento da S&P Global vem validar esta leitura".
"O segmento empresarial, em telecomunicações e TI, está igualmente a consolidar a sua posição como motor estrutural de crescimento da Nos, compensando a pressão natural de um segmento de consumo cada vez mais maduro. Em paralelo, a transformação assente em inteligência artificial já está a gerar eficiências operacionais reais, e não apenas promessas, como demonstra a expansão significativa da margem EBITDA no negócio de telecomunicações", sustenta o CEO.