Meo vê receitas subirem para 703 milhões com impulso dos serviços empresariais
Mesmo em trimestre de tempestades, que afetaram várias infraestruturas da operadora, a Meo viu as receitas subirem. O investimento também cresceu, mas o EBITDA recuou 7,3%.
A Altice Portugal registou receitas de 703 milhões de euros no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 0,9% em relação ao trimestre homólogo. Apesar de um trimestre impactado pela depressão Kristin, a operadora destaca que as receitas foram suportadas pelo segmento dos serviços empresariais.
"As receitas registaram um crescimento de 0,9% face ao período homólogo, desempenho suportado por um aumento de 1,7% no segmento consumo, impulsionado pelo negócio da energia, que mitigou parcialmente a pressão sobre o ARPU Telco [receita média por utilizador] num contexto de elevada competitividade, e pelo crescimento de 3,4% das receitas do segmento de serviços empresariais", lê-se no relatório da Meo, ainda que não detalhe o ganho por cliente.
Ainda assim, é verificado um abrandamento no crescimento das receitas dos dois segmentos. Nos primeiros três meses de 2025, o segmento de consumo tinha dado um salto de 8,4% e os serviços empresariais tinham crescido 5,3%.
Neste arranque de ano em 2026, as receitas de consumo ascenderam a 380 milhões de euros, um crescimento homólogo de 1,7%. No âmbito do segmento de energia, a empresa adianta uma expansão deste negócio, com um aumento de 41,8% face ao trimestre homólogo. A base de clientes finais passou de 169 mil para 236 mil, significando 67 mil adesões.
Já nos serviços empresariais, que se destacaram nestas contas, as receitas ascenderam a 323 milhões de euros, significando um acréscio de 3,4%, "quando excluídos os resultados da Altice Labs e a perda progressiva da operadora móvel virtual". Foi o negócio B2B, destaca a Altice, "o principal responsável pelos resultados", tendo apresentado 186 milhões em receitas.
Já o EBITDA seguiu o rumo oposto. Este indicador situou-se nos 226 milhões de euros, significando um recuo homólogo de 7,3%. "O EBITDA decresce 4,3% penalizado pelo impacto sentido no ARPU Telco e pelo aumento de custos, nomeadamente pela pressão inflacionista sobre serviços de terceiros", destaca a empresa, excluindo a Altice Labs e a operadora virtual.
Por sua vez, o investimento atingiu os 106 milhões de euros, tratando-se de um aumento de 5,5%. Este, de acordo com a empresa, reflete "o compromisso contínuo da Meo na expansão e modernização das suas redes e infraestruturas". Assim, até ao fim do primeiro trimestre, a Meo totalizou 6,7 milhões de casas com fibra ótica e uma base total de clientes fixos e móveis de 13,3 milhões.
Meo acelera mudança para "techco"
Na sua tradicional mensagem, a CEO da Meo, Ana Figueiredo, destaca a mudança de operadora de telecomunicações para uma empresa mais completa. "A Meo está a atravessar um ciclo de transformação estrutural profundo, com uma ambição clara: evoluir de operador de telecomunicações para uma plataforma integrada de serviços digitais, capaz de liderar a próxima fase de crescimento do setor", destaca a responsável.
Ana Figueiredo aponta ainda que as receitas alcançadas "não resulta de fatores conjunturais, é o reflexo de uma estratégia deliberada: expandir o perímetro do negócio, acelerar a inovação e construir um portefólio resiliente, capaz de crescer para além do core telco tradicional".
Por isso mesmo, a CEO destaca os "três motores estruturais de criação de valor" em que a Meo quer crescer: liderança em conectividade e infraestruturas críticas; expansão para um ecossistema alargado de serviços; transformação operacional baseada em tecnologia e IA.
CEO da Meo
E Ana Figueiredo não deixa de referir a tempestade que afetou as redes da operadora. "Este trimestre evidenciou também a robustez desta estratégia. Mesmo perante eventos extraordinários, como a tempestade Kristin, a Meo demonstrou elevada resiliência operacional e capacidade de resposta, protegendo clientes, ativos e continuidade de serviço. Mas a nossa ambição vai mais longe", destaca.
"Queremos liderar o novo ciclo de criação de valor no setor — não apenas como operador, mas como orquestrador de um ecossistema digital integrado, capaz de ligar pessoas, empresas e serviços de forma simples, relevante e cada vez mais inteligente", comprometendo-se com o crescimento em segmentos de maior valor, uma maior disciplina na alocação de capital e na otimização estrutural de custos e na monetização de novas avenidas de crescimento que vão além do negócio das telecomunicações.