Consórcio acusa Governo Regional de "empurrar Azores para um cenário de rutura" e avança com providência cautelar
O consórcio que avançou para a compra da Azores Airlines, tendo sido a sua proposta rejeitada posteriormente, criticou o Governo Regional dos Açores, afirmando que este está "a empurrar a Azores Airlines para um cenário de rutura", numa altura em que a companhia aérea tem de ser desvinculada do grupo SATA. O grupo Atlantic Connect assumiu ainda ter avançado com uma providência cautelar para suspender a decisão do Conselho de Administração da SATA.
"A poucos meses do prazo definido por Bruxelas para a conclusão da privatização, o Governo Regional dos Açores optou por encerrar o processo em curso e avançar para um novo procedimento por negociação particular, assumindo, na prática, o fracasso do modelo que definiu e conduziu ao longo dos últimos três anos", lê-se na missiva do grupo composto por quatro empresários, entre eles o gestor Carlos Tavares.
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"Em vez de encontrar uma solução num processo que estava em curso e que podia estar concluído até dezembro, escolheu abrir uma nova via cujo desfecho não tem data prevista no curto ou médio prazo", destacam, acrescentando que esta decisão "tem uma consequência que não é abstrata". "O Governo Regional está a empurrar a Azores Airlines para um cenário de rutura, sem que exista uma alternativa credível, estruturada e em tempo útil", considerando que o Governo de José Bolieiro definiu o caminho para a privatização da companhia açoriana e conduziu o processo, sendo que, neste momento, "está a criar as condições que podem conduzir à insolvência".
O grupo adianta que a decisão de avançar para uma negociação direta "levanta sérias dúvidas quanto à coerência e credibilidade do novo procedimento". "A designação do antigo presidente do júri do concurso anterior como 'supervisor independente' é dificilmente compatível com o princípio de independência que se pretende assegurar, sobretudo quando o próprio presidente do júri esteve, ao longo de todo o processo, associado a uma condução que desembocou no desfecho agora conhecido", apontam.
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Os empresários recordam que o seu consórcio, que, entretanto, mudou de nome de Newtour/Ms Aviation para Atlantic Connect Group, "estruturou uma proposta sólida, reforçou os seus compromissos financeiros, dialogou com trabalhadores e sindicatos e apresentou uma solução concreta para a sustentabilidade da companhia".
De recordar que o grupo de empresários - Tiago Raiano, Carlos Tavares, Paulo Pereira e Nuno Pereira - apresentou uma proposta para comprar 85% da antiga SATA Internacional por 17 milhões de euros, já depois de falar com os sindicatos dos trabalhadores. Esta proposta foi rejeitada pelo júri do concurso, com a comissão de acompanhamento a considerar que a privatização foi "isenta e imparcial".
O grupo tem vindo a contestar a rejeição da sua proposta, indicando que não teve acesso do documento final do relatório. O júri entendeu que existiam dúvidas em relação à situação financeira da companhia aérea e das necessidades da mesma, com particular prejuízo para a Região Autónoma, uma vez que o Atlantic Connect Group não deixava margem: a dívida fica nos Açores e não há injeção. De facto, Carlos Tavares, um dos membros do consórcio, disse ao Negócios que não havia intenção de injetar um euro na companhia, até porque esta estaria a dar lucros em 2027, após um ano de gestão privada.
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