TAP com prejuízo de 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre
A TAP apresentou um prejuízo de 39,9 milhões de euros no primeiro trimestre, uma melhoria de 68,3 milhões de euros face ao período homólogo. A companhia aérea tinha, entre janeiro e março de 2025, apresentado um prejuízo superior a 108 milhões de euros. A empresa liderada por Luís Rodrigues explica que esta melhoria se deveu à "performance operacional" e ao "contributo positivo das diferenças de câmbio" nos três meses do ano, na ordem dos 28,9 milhões de euros.
As receitas totalizaram 914,4 milhões de euros, um acréscimo de 11% em relação ao trimestre homólogo. Para este valor contribuíram os bilhetes vendidos, que apresentaram um aumento de 10,4% para 810,3 milhões de euros, que fez com que o PRASK (receita por passageiro por lugar-quilómetro disponível) crescesse 6,2% para 6,31 cêntimos. Por sua vez, o segmento da manutenção continuou a destacar-se nas contas da companhia, tendo apresentado uma subida de 31,8% para 58,4 milhões, o que refletiu "a prestação de serviços com maior valor unitário, num contexto de revisão de preços e de persistentes constrangimentos na cadeia de abastecimento".
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O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) foi de 95,5 milhões de euros (com uma margem de 10,4%), sendo o EBIT recorrente negativo em 36,1 milhões de euros, com uma margem de -4%, ainda assim uma melhoria de 83,1 milhões em relação ao trimestre homólogo.
A TAP transportou 3,7 milhões de passageiros, mais 6,4% do que aqueles que tinham escolhido a companhia no primeiro trimestre de 2025. Os mercados da América do Sul e da América do Norte registaram crescimentos de 15% e 10%, respetivamente, o que permitiu impulsionar as contas. De recordar que o Brasil sentiu uma forte pressão concorrencial no trimestre homólogo.
A capacidade para estes dois mercados - apostas fortas que interessam aos dois candidatos que avançaram para a compra da TAP - viu um incremento nos primeiros três meses do ano. A capacidade para a América do Sul subiu 6% e 9% para a América do Norte, mostrando que a estratégia definida pela administração da TAP está a dar resultados.
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"A TAP apresentou um desempenho robusto no arranque do ano, com uma melhoria significativa face ao ano anterior, demonstrando a capacidade da companhia para executar com disciplina e responder às suas prioridades e desafios operacionais. Este desempenho reflete um claro foco na execução da estratégia, com os mercados da América do Sul e da América do Norte a continuarem a desempenhar um papel relevante no crescimento da operação e das receitas, traduzindo-se numa melhoria significativa dos resultados operacionais, apesar de um contexto exterior muito desafiante, marcado por constrangimentos contínuos nas cadeias de abastecimento e por desafios operacionais na implementação do sistema Entry/Exit nos aeroportos europeus", sustenta o CEO da transportadora, Luís Rodrigues, citado em comunicado.
O CEO lembra que os combustíveis tiveram um impacto "limitado" no primeiro trimestre, apesar do aumento dos preços sentido a partir do fim de fevereiro, devido ao "habitual desfasamento na revisão dos preços". Contudo, Luís Rodrigues alerta que é "expectável que os efeitos do aumento dos preços de combustível virão a pressionar os próximos trimestres, mantendo-nos focados na sua mitigação através de uma gestão disciplinada da capacidade, controlo rigoroso de custos e gestão ativa da receita".
Apesar de uma melhoria considerável nos primeiros três meses do ano, que não teve o efeito extraordinário da greve de 20 dias da Portugália e da deslocação da Páscoa para o fim de abril, os custos operacionais cresceram. Ainda assim, os custos aumentaram 0,8% para 950,5 milhões de euros, motivado "pelo aumento dos custos dos materiais consumidos", que viram um acréscimo de 66,7% e "pelo aumento dos custos com pessoal", que subiram 8,8%.
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"Este aumento inclui um impacto de cerca de cinco milhões de euros associado à inclusão da Cateringpor no perímetro de consolidação a partir de abril de 2025. Estes impactos foram parcialmente mitigados pela redução dos custos com combustível (-37,8 milhões ou -16,1%), resultante sobretudo de ganhos de 'hedging', bem como pela redução dos custos operacionais de tráfego (12,3 milhões de euros ou -6,2%), maioritariamente associada à eliminação dos custos com 'catering' na sequência da consolidação da Cateringpor", destaca a empresa em comunicado.
O CEO e o presidente do conselho de administração ("chairman") têm vindo a apoiar-se, nas últimas declarações públicas, na estratégia definida para os próximos 10 anos e mostram confiança no plano já para este ano, onde querem ganhar espaço nos mercado de longo curso, principalmente nas Américas.
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"A TAP prosseguiu a execução da sua estratégia, com expansão da operação transatlântica a traduzir-se numa melhoria do Load Factor e no crescimento das receitas, apesar do aumento de capacidade. A entrega de uma aeronave A320neo durante o trimestre permitiu dar continuidade ao processo de modernização da frota", lê-se no comunicado da companhia aérea, que ainda está sujeita às regras de reestruturação de Bruxelas até 30 de junho deste ano.
Para a totalidade do ano, e tendo em conta todos os efeitos que lhe são externos, a TAP adianta que "a dinâmica das reservas mantém-se resiliente, suportando Load Factors mais elevados e a melhoria das receitas unitárias".
"O impacto da evolução dos preços do combustível deverá ser parcialmente mitigado através de uma combinação de medidas ao nível da receita e dos custos, incluindo ajustamentos de 'pricing' alinhados com as tendências de mercado e uma execução disciplinada em termos de custos", ou seja, um ajuste no preço dos bilhetes para os clientes.
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A companhia admite ainda manter "o seu foco nos mercados principais e na qualidade da receita, tirando partido das vantagens geográficas e da sua rede única. A modernização da frota continuará conforme planeado [deixa de estar presa às 99 aeronaves a partir de julho], suportando ganhos de eficiência. Face às disrupções em curso no Médio Oriente, a TAP mantém-se resiliente, suportada por medidas ativas de mitigação, mantendo a flexibilidade necessária para adaptar rapidamente a sua operação em cenários de alteração de contexto".
No relatório, a TAP dá a venda da Cateringpor e da SPdH como concluídas, aguardando pelas autorizações finais da alienação destes dois ativos. No fundo, a companhia aguarda que estes negócios estejam concluídos para conseguir dar a reestruturação, assinada em 2020, como finalizada.
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Por sua vez, na apresentação, a companhia recorda que adjudicou a venda da sua participação de 51% da Cateringpor à Gate Gourmet "através de um concurso público, que também estabeleceu as condições contratuais para a prestação continuada de serviços de 'catering' pela Cateringpor" à transportadora portuguesa.
E a venda do "handling" aconteceu em maio, em moldes semelhantes ao do "catering". "Em maio, foram celebrados acordos para a alienação da totalidade da sua participação na SPdH à Menzies, garantindo simultaneamente a continuidade dos serviços de assistência nos aeroportos de Lisboa, Porto, Faro e Funchal/Porto Santo", sustenta a empresa.
(Notícia atualizada)
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