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Europa de cinto apertado. Mais de 40 mil voos suspensos no verão

Só esta segunda-feira e apenas contando com voos com destino e origem no aeroporto de Lisboa há pelo menos 30 cancelamentos, a esmagadora maioria operados pela TAP.

Aeroflot, Skyup e Wizz Air viram cancelados voos para Lisboa.
Mariline Alves
Diana do Mar dianamar@negocios.pt 11 de Julho de 2022 às 11:57
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A escassez de funcionários e as greves estão a fazer cair mais de 40 mil ligações das previstas para os meses de verão na Europa, forçando companhias aéreas e aeroportos a rever os seus planos no sentido de avaliar se têm capacidade para responder à oferta prometida de voos.

Segundo o jornal espanhol Cinco Días, só o trio British, EasyJet e Lufthansa representa, em conjunto, 25 mil cancelamentos. 


Os cancelamentos de voos aliados também ao aumento da procura têm gerado longas filas nos aeroportos um pouco por toda a Europa, com muitos passageiros a queixarem-se das horas perdidas também à espera da bagagem que, em alguns casos, só recuperaram depois de terem chegado ao destino. 

Portugal não tem sido exceção, sendo recorrentes as imagens de caos no aeroporto de Lisboa onde têm sido anuladas diariamente dezenas de ligações. Aliás, só para esta segunda-feira estão previstos 30 cancelamentos (15 partidas e 15 chegadas) de acordo com dados de monitorização em tempo real da ANA - Aeroportos de Portugal, compilados pelas 11h30.

A maioria dos voos (20) em causa era operada pela companhia aérea de bandeira, a TAP. Outros voos anulados eram operados pela Easyjet, Ryanair, SAS, Transavia e TACV.

O atual contexto tem, sem surpresas, feito disparar as queixas visando as transportadoras aéreas, com a companhia aérea de bandeira portuguesa a surgir à cabeça das 108 reclamações referentes a viagens de avião feitas apenas nos primeiros oito dias de julho junto da Deco Proteste. Um número indicativo de que vai ser superada a média de meses anteriores, segundo a organização de defesa do consumidor que tem ao dispor uma linha direta para atendimento aos consumidores afetados por cancelamentos e/ou atrasos de voos.

"Existem inúmeros consumidores que procuram reembolsos e indemnizações e não sabem como proceder, pelo que é importante estar na linha da frente e apoiar todos os que se deparem com estas situações e não saibam quais são os seus direitos", sinaliza a coordenadora da área jurídica e económica de Deco Proteste, Sónia Covita, em comunicado.

Do balanço da primeira metade do ano, a TAP figura como a mais contestada pelos consumidores, com 430 queixas, seguindo-se a Ryanair e a easyJet, com 47 e 59, respetivamente, de acordo com os dados facultados pela Deco Proteste.

A revisão dos planos operacionais de um modo geral na Europa levou, por exemplo, a Lufthansa a cancelar 700 voos para esta semana, a partir de Frankfurt e de Munique, com o objetivo de "descarregar o sistema", depois de um ajuste prévio de 3.100 operações no verão, ao passo que a British Airways estendeu até outubro o corte de 11 para 13% na oferta, indica o mesmo jornal.

Já a Emirates reviu cada um dos 24 mil voos e 129 aeroportos em que operam os seus aviões até 1 de setembro, confirmando a programação depois de sondar gestores aeroportuárias e responsáveis de serviços em terra, segundo o Cinco Días.

Esta segunda-feira seguiu-se, aliás, mais um anúncio relativamente à oferta de voos no verão, com a Wizz Air a dar conta de que vai reduzir a sua capacidade em mais 5% em face do impacto da escassez de pessoal e das greves que assolam os aeroportos europeus, segundo a Reuters e a Bloomberg.

O rápido aumento da procura veio agravar as dificuldades de transportadoras e aeroportos em recuperar o universo de trabalhadores que estavam em falta com a pandemia. Tal é evidente designadamente em Heahtrow (Londres) ou em Schiphol (Amesterdão) onde se chegou a pedir às companhias para reduzirem a atividade de modo a evitar um colapso.

O Cinco Días dá o exemplo da capital holandesa onde o corte de autorizações de voo ronda os 16%, com a KLM a planear renunciar a sensivelmente 20 voos diários até ao final de agosto.  

Além dos problemas na hora de contratar têm sido também constantes os diferendos entre sindicatos e empresas ou com os governos, levando a greves designadamente em Londres ou em Paris, duas cidades nevrálgicas em que, depois de meses tensos, chegou um certo alívio com a conquista de acordos.

Já em Espanha, por exemplo, o mês passado ficou marcado por filas intermináveis nos aeroportos mais turísticos por falta de polícias para fazerem o controlo de passaportes.

A crise estende-se aos países nórdicos, com o exemplo flagrante da companhia aérea SAS que anunciou há dias um pedido de falência nos Estados Unidos, no quadro de um plano económico em curso, logo após o arranque de uma greve, por tempo indeterminado, decretada pelo principal sindicato de pilotos da Escandinávia.

Paralisações em cima da mesa

Com o regresso dos viajantes na época alta do verão intensificam-se as greves, desde logo nas companhias de baixo custo. A EasyJet depara-se com novas paralisações dos tripulantes de cabina nas bases em Espanha prevista, para já, para seis dias do que resta do mês, em reivindicação por melhores condições salariais que os aproximem do que recebem os funcionários da 'low cost' em França ou na Alemanha.

Também a Ryanair a braços com problemas com os tripulantes de cabina, em Portugal, Espanha, Itália ou Bélgica, tem previstas novas jornadas de greve, diz o Cinco Días. Ameaças de greve são também denominador comum à francesa Transavia, do grupo Air France-KLM.

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