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Governo avalia entrada da Lufthansa na TAP após aprovação de plano de reestruturação

O Governo está a avaliar a entrada de um investidor privado na TAP para facilitar o processo de aprovação do plano de reestruturação da companhia aérea. A Lufthansa é a operadora mais bem posicionada, uma vez que já existiram negociações anteriores, mas não está fechada a porta outras empresas da aviação, incluindo a Air France, segundo apurou o Negócios.

A TAP ficou, em 2019, na segunda posição do ranking dos maiores importadores. A subida foi explicada pela compra de aviões e renovação da frota, que obrigava a compras ao exterior. Mas com a crise do setor da aviação, a TAP travou essa chegada de novas aeronaves e caiu neste ranking para a sétima posição.
Diana Ramos dianaramos@negocios.pt 16 de Julho de 2021 às 11:21
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Um dos temas que ainda está em aberto nas negociações com a Comissão Europeia é a questão da chamada "own participation", um rácio que avalia o esforço de reestruturação da empresa em função do auxílio estatal pedido. Esse rácio estará perto dos 36% no plano de reestruturação apresentado pela companhia portuguesa, sabe o Negócios, e o valor por norma considerado como adequado por Bruxelas ronda os 50%.

A entrada de privados no capital da TAP ajudaria a melhorar este rácio, dando ao Governo português uma margem maior para que o plano seja viabilizado. Essa entrada, sabe o Negócios, só se concretizaria após a validação do plano pela Comissão Europeia, mas a sinalização de investidores privados daria ao Executivo maior margem junto de Bruxelas.

A companhia alemã Lufthansa, que neste momento também está ao abrigo de um plano de auxílio estatal, já sinalizou ao mercado a intenção de devolver as ajudas públicas até ao final de setembro, ficando livre para negociar participações noutras empresas. É neste cenário, sabe o Negócios, que as negociações com a TAP e o Governo português poderão ser consideradas, sendo que há também vontade de abordar outras empresas do setor.

Já no passado a compra pela Lufhtansa de uma eventual participação da posição de David Neeleman na TAP esteve em cima da mesa, tendo sido mesmo assinado uma espécie de pré-acordo em fevereiro de 2020, no pré-pandemia, que ficou sem efeito. Nesse acordo, a empresa alemã comprometia-se a adquirir uma parte da participação do acionista brasileiro, ficando com uma opção de compra sobre o restante capital privado.

As sinergias entre as duas companhias aéreas poderão entretanto, numa fase mais avançada e já depois de Portugal conseguir o ok de Bruxelas ao plano de reestruturação, ser um facilitador do negócio. Contudo, o Estado está também a considerar a entrada de outras empresas do setor, como a Air France. O ponto mais relevante nessas negociações, sabe o Negócio, é o facto de um eventual comprador ser uma empresa com experiência no setor. Fundos privados, por exemplo, estão fora da equação.

A questão das slots também ainda não está fechada com Bruxelas e é outro dos dossiês atrasados a impedir o fecho do plano de reestruturação:

Segundo apurou o Negócios, a decisão da Comissão Europeia de avançar para uma investigação aprofundada estará relacionada com a tentativa de reduzir a litigância na Justiça, uma vez que a Ryanair tem estado a contestar no Tribunal europeu todos os processos de auxílio estatal.
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