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TAP regista prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019

A transportadora aérea anunciou que teve prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019, ligeiramente abaixo dos 118 milhões de euros registados em 2018.

Miguel Baltazar/Negócios
Tiago Varzim tiagovarzim@negocios.pt 20 de Fevereiro de 2020 às 07:56
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O grupo TAP anunciou esta quinta-feira, 20 de fevereiro, que teve prejuízos de 105,6 milhões de euros em 2019. Em 2018, a transportadora aérea tinha registado prejuízos de 118 milhões de euros

Em comunicado, a empresa escreve que o "lucro de 14,1 milhões de euros no segundo semestre de 2019 atenua prejuízo anual de 105,6 milhões de euros". Apesar disso, a empresa diz que reforçou o seu balanço com a "maior posição de caixa da história da TAP" nos 434 milhões de euros.

A TAP justifica este nível de prejuízos com o elevado investimento que fez durante o ano passado, referindo mesmo que "foi a empresa que mais investiu em Portugal em 2019". Em causa está o "investimento de mais de 1,5 mil milhões de euros, incluindo a compra de 30 aviões novos que permitiu a renovação de 70% da frota de longo curso", além da contratação de 900 pessoas. No final de 2019, a TAP empregava 10.617 trabalhadores.

A renovação da frota com a entrada de 30 aviões novos e a saída de 18 antigos implicou um impacto financeiro negativo de 55 milhões de euros no resultado de 2019, o que representa cerca de metade dos prejuízos totais. "Contudo, a renovação da frota foi determinante, no segundo semestre, para melhorar a eficiência (custo operacional mais baixo) e a satisfação do cliente", argumenta a TAP.

Acresce uma penalização entre 30 a 35 milhões de euros "em resultado da ineficácia da infraestrutura" do aeroporto de Lisboa, de acordo com a empresa. A TAP aponta o dedo à falta de investimento na capacidade do aeroporto e ao congestionamento do espaço aéreo, o que afetou a pontualidade da sua operação e o custo por passageiro em termos de indemnizações por irregularidades. 

A transportadora aérea vai mais longe ao dizer que a sua "transformação" que ocorreu em 2019, que incluiu a abertura de mais 11 rotas, não tem comparação no setor a nível mundial. A empresa refere, por exemplo, que foi a "companhia europeia que mais cresceu nas rotas para América do Norte". A TAP argumenta ainda no comunicado que "privilegia a visão de longo prazo", ainda que isso tenha um impacto no resultado líquido do ano.

Estas são as justificações da empresa para mais um ano de prejuízos acima dos 100 milhões de euros, o que tem preocupado o Governo, dado que o Estado é o maior acionista (50% através da Parpública). A tensão é ainda maior porque os outros acionistas da TAP (Atlantic Gateway, de David Neeleman e de Humberto Pedrosa, com 45%) pretendem que a empresa continue a distribuir bónus de desempenho a uma minoria de trabalhadores. O ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, já veio avisar que tal é "inaceitável" e uma "falta de respeito"

Um dos pontos destacados pela empresa que tem ligação ao Estado é o impacto do seu investimento nas contribuições e impostos entregues. Houve um aumento dessa componente de 28%, o que levou a uma subida de 257 milhões de euros por ano para 328 milhões de euros.

TAP diz que melhorou no impacto ambiental e na pontualidade
No mesmo comunicado, a transportadora aérea diz que reduziu a emissão de CO2 em "aproximadamente 170 mil toneladas", com o contributo da frota NEO que "tem provado ser extremamente eficiente". Os novos aviões permitiram não só reduzir o indicador de CO2 por passageiro, mas também os custos operacionais. 

Além disso, a transportadora aérea garante que, no ano passado, "a satisfação do Cliente medida pelo NPS (Net Promoter Score) melhorou aproximadamente 45%, registando subidas expressivas em todos os elementos avaliados (atendimento a bordo, bebidas, comida, embarque, conforto, etc.)".  

Uma das queixas mais frequentes dos clientes passava pelos atrasos ou cancelamentos das viagens. A empresa argumenta que investiu "fortemente na pontualidade" e na "regularidade da operação", tendo cancelado cerca de menos 1.400 voos em 2019 face a 2018. 

"A título de exemplo, a Companhia garante agora a disponibilidade de três aviões de reserva, com um custo de centenas de milhares de euros por ano, para normalizar rapidamente qualquer irregularidade da operação", revela a transportadora aérea. 

(Notícia atualizada às 8h53 com mais informação)
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