TAP vê lucro afundar 92% para 4,1 milhões de euros em 2025
A companhia aérea registou um prejuízo de 51 milhões de euros no último trimestre, o que levou a uma redução dos lucros no final do ano. Empresa justifica descida com o "ajuste no IRC".
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A TAP encerrou 2025 com os lucros a caírem 92% para um total de 4,1 milhões de euros. Apesar de ser o quarto ano consecutivo de resultados líquidos positivos, o lucro alcançado fica aquém dos 53,7 milhões de euros de 2024. Em comunicado, a transportadora portuguesa, atualmente em processo de privatização de uma participação minoritária do seu capital, sustenta que a quebra se deveu a "um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC".
Sem este efeito extraordinário, que derivou de um decreto-lei publicado em novembro de 2025, e que se fixou em 42 milhões de euros, “o resultado líquido recorrente teria sido de 46 milhões de euros”. Isto porque foi o prejuízo dos últimos três meses do ano que pressionaram os resultados anuais.
A companhia portuguesa apresentou um prejuízo de 51 milhões de euros no quarto trimestre do ano, depois de apresentar lucros acumulados de 55,2 milhões de euros até setembro, impulsionados pelo segundo e terceiro trimestres. “O resultado líquido [foi] substancialmente impactado por um efeito externo, nomeadamente pelo ajuste no IRC, no valor de 42 milhões, decorrente da reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC. Excluindo este efeito, o resultado líquido teria sido -9,1 milhões de euros, representando uma melhoria de 74,9 milhões face ao quarto trimestre de 2024”, adianta a empresa no comunicado.
As receitas operacionais, um dos indicadores financeiros por que a companhia se rege, atingiram os 4.313 milhões de euros, significando uma subida de 1,2% face a 2024, tendo as mesmas sido “impulsionadas sobretudo pelas receitas de passagens (+0,8%) e pelo negócio de manutenção (+10,7%)”.
Em 2025, a capacidade da companhia aérea aumentou 3,1% e a receita por passageiro por quilómetro percorrido (RPK) cresceu 5,5%, permitindo subir o índice de ocupação para 84.2%. “A evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados e efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano, com o PRASK a fixar-se em 6,96 cêntimos”, significando uma quebra de 2,3% em relação aos 7,13 cêntimos do ano anterior.
Relatório e contas de 2025
A TAP transportou um total de 16,7 milhões de passageiros entre janeiro e dezembro de 2025, tratando-se de um aumento de 3,4% face ao ano anterior, ainda que os voos operados se tenha mantido estável. Só no quarto trimestre a companhia movimentou quatro milhões de passageiros, num aumento homólogo de 4,9%, sendo este o maior acréscimo trimestral em todo o ano.
Também os custos operacionais recorrentes subiram em 2025, totalizando 4.070 milhões de euros e significando uma subida de 3,6%. A impulsionar estiveram os custos com pessoal, que subiram 7,9%, os custos de tráfego, que verificam um aumento de 6,7% e as depreciações e amortizações, numa subida de 10,8%. Ainda assim, a TAP adianta que os aumentos foram “parcialmente compensados pela redução dos custos com combustível”, que caíram 5,4%.
A TAP registou um EBITDA recorrente de 742,9 milhões de euros, com uma margem de 17,2%, e um EBIT recorrente de 243,4 milhões de euros, apresentando uma margem de 5,6%, isto “num ano marcado por um primeiro trimestre particularmente desafiante”. Entre janeiro e março, os pilotos da Portugália (hoje TAP Express) fizeram uma greve de 20 dias, o aeroporto registou problemas na disponibilidade de slots e a Páscoa tinha derrapado para o fim de abril, com a transportadora a ser penalizada por estes efeitos extraordinários, além de um forte aumento da concorrência no Brasil e a desvalorização do real, o que também levou a TAP a registar um prejuízo de 108.2 milhões.
No mesmo comunicado, a TAP acrescenta que terminou o ano com uma liquidez de 765,3 milhões de euros, um aumento de 113,7 milhões face a 2024. Ainda assim, um valor muito abaixo dos dois grupos que estão na corrida para a adquirir, sendo que a melhor comparação iria recair sobre a Austrian Airlines. Se a IAG se mantivesse na corrida, a TAP ficaria entre a Aer Lingus e a Vueling. Já o rácio da dívida financeira/EBITDA situou-se em 2,6x.
O CEO da TAP, Luís Rodrigues, escreve que a transportadora “apresentou resultados sólidos, suportados por uma procura resiliente de passagens em toda a rede, principalmente na segunda metade do ano, e por um contributo relevante do negócio de manutenção, que continuou a reforçar o seu peso nas receitas totais”.
“Apesar de um contexto desafiante, marcado por pressões inflacionárias nos custos e por constrangimentos nas cadeias de abastecimento e operacionais expressivos em toda a indústria, mantivemos margens resilientes e reforçámos a posição financeira da companhia. Este desempenho suportou um resultado líquido positivo pelo quarto ano consecutivo”, destacou o gestor.
CEO da TAP
A TAP evidencia ainda a conclusão dos “compromissos operacionais e financeiros previstos no plano de reestruturação”, ainda que Bruxelas tenha aprovado uma extensão do prazo para a empresa portuguesa vender a sua participação na Cateringpor e na Sociedade Portuguesa de Handling (SPdH) até 30 de junho deste ano. Esta extensão do prazo, por falhar a alienação destas empresas, fez com que a TAP tivesse de devolver 24,99 milhões de euros ao Estado português, o que só se irá refletir nas contas de 2026.
Luís Rodrigues também assinala o fim do contrato assinado com Bruxelas no fim de 2022, “com a Comissão Europeia a reconhecer a conclusão dos compromissos operacionais e financeiros previstos no plano de reestruturação aprovado pela União Europeia, e a sua capacidade para assegurar viabilidade a longo prazo e um crescimento equilibrado”.
Notícia atualizada