Tribunal de Contas dá "luz verde" para Menzies comprar SPdH
A Menzies já é detentora de 100% do capital da ex-Groundforce. Tal significa que a TAP concluiu, oficialmente, mais um passo no processo de reestruturação.
A TAP desvinculou-se oficialmente da Serviços Portugueses de Handling (SPdH) e deu por terminado o segundo de três passos que faltava no plano de reestruturação. A Menzies Aviation Portugal concluiu esta sexta-feira, 12 de junho, a aquisição da participação minoritária da SPdH, depois de as duas empresas terem chegado a acordo a 7 de maio.
O negócio concluiu-se depois de o Tribunal de Contas ter aprovado a operação de compra, dando "continuidade à aquisição inicial de 50,1% do capital da SPdH realizada pela Menzies em 2024, constituindo um marco importante na estratégia de investimento e crescimento de longo prazo da empresa em Portugal".
A Menzies terminou então o processo de compra da ex-Groudforce, depois de ter aportado uma percentagem maioritária em 2024. A venda da empresa de handling era uma das condições que a TAP tinha de cumprir para finalizar o processo de reestruturação, assinado com a Comissão Europeia em 2021, que ditava ainda a venda da Cateringpor e também o pagamento de uma multa de 24,99 milhões de euros depois de falhar com o prazo inicial de dezembro de 2025.
"Este é um passo natural na nossa estratégia de longo prazo para Portugal. Ao assumirmos a totalidade do capital da empresa, reforçamos ainda mais a nossa capacidade de investir, inovar e assegurar padrões de serviço consistentemente elevados num mercado que consideramos estrategicamente relevante. Mantemos o nosso compromisso total com o desenvolvimento sustentável do setor da aviação em Portugal", sustenta o "chairman" da Menzies Aviation, Hassan El-Houry.
Em comunicado, a Menzies dá conta que a SPdH opera anualmente "mais de 100 mil movimentos de aeronaves nos cinco aeroportos mais movimentados do país — Lisboa, Porto, Faro, Funchal e Porto Santo — prestando serviços de assistência em escala e carga aérea a um vasto conjunto de companhias aéreas internacionais", além da própria TAP.
"Com a totalidade do capital agora sob sua titularidade, a Menzies Aviation encontra-se numa posição privilegiada para acelerar a execução do seu plano estratégico em Portugal, mantendo um forte foco na excelência operacional, na segurança e na qualidade de serviço", lê-se, com a empresa a acrescentar que vai continuar "a investir em tecnologia avançada e no desenvolvimento dos seus mais de 3.500 colaboradores, contribuindo para a resiliência e eficiência das operações aeroportuárias em todo o país".
"Esta aquisição reforça a confiança da Menzies no mercado da aviação em Portugal e evidencia o seu compromisso com o reforço da capacidade de assistência em escala e com o apoio ao ecossistema da aviação, que desempenha um papel fundamental no turismo, na conectividade e no crescimento económico", assinala a empresa.
Chairman da Menzies Aviation
De recordar que, a 7 de maio, a TAP dava conta do negócio, também através de comunicado, depois de ter notificado a Menzies do exercício de "put option", uma vez que tinha de se desfazer da operação da SPdH. Contudo, ficou definido na venda que a Menzies iria continuar a prestar serviços de assistência em escala à companhia portuguesa, atualmente em processo de privatização.
Importa recordar, no entanto, que a Menzies está a lutar pela renovação das licenças de assistência em escala, por um período de sete anos, depois de o regulador da aviação civil ter excluído o consórcio espanhol Clece/South da vitória, uma vez que não apresentou todos os documentos devidos. Ainda assim, os espanhóis contestaram a decisão, levando a um novo entrave no processo, ainda que tenha deixado a porta aberta para a Menzies - o segundo colocado no processo - de assumir novamente o handling, sendo que as atuais licenças estão em vigor até 25 de outubro.