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Afinal, sheik árabe ainda nem o salário de março pagou aos 500 trabalhadores em Portugal

Os funcionários do grupo de Al Jaber, que detém hotéis de cinco estrelas e campos de golpe em Portugal, revelam que não receberam os salários de março e abril, mas que "a administração da empresa garantiu que o acionista tem condições” para os pagar "nos próximos dias".

Rui Neves ruineves@negocios.pt 22 de Maio de 2020 às 18:22
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Na passada segunda-feira, 18 de maio, o Negócios noticiou que o grupo hoteleiro de luxo JJW Hotels & Resorts, detido pelo sheik Mohamed Bin Issa Al Jaber, que possui no nosso país hotéis de cinco estrelas e campos de golfe, tinha apenas pago, com atraso, o salário de março aos seus cerca de 500 trabalhadores, deixando-os sem qualquer informação sobre quando é que iriam receber o de abril.

 

Mas esta sexta-feira, em comunicado conjunto dos funcionários do universo JJW Portugal, subscrito pelos respectivos delegados sindicais e enviado pelo diretor de vendas do grupo, é revelado que, afinal, em causa está o não pagamento de dois meses de salários, mas que receberam a garantia de que os mesmos serão em breve liquidados.

 

"Após uma reunião bem-sucedida com os colaboradores, a administração da empresa garantiu que o acionista tem condições para pagar os salários devidos desde março e abril nos próximos dias", lê-se na "declaração conjunta" dos trabalhadores dos hotéis de cinco estrelas Penina (em Alvor, Portimão) e Dona Filipa (em Vale do Lobo, Loulé), do Formosa Park (no Ancão) e dos campos de golfe San Lorenzo e Pinheiros Altos, na Quinta do Lago (em Almancil, Loulé).

 

"Em vista disso, acreditamos que o assunto está encerrado e estamos prontos para receber clientes de todo o mundo no nosso Algarve e nos nossos hotéis e campos de golfe", afirmam.

De acordo com o testemunho de um funcionário do grupo, que era referido na anterior notícia do Negócios, o grupo JJW Portugal tinha "pago o salário de março em duas prestações, de 270 e 410 euros", algo que terá apenas contemplado alguns dos trabalhadores.

 

"Toda a hotelaria fechou, pelo que os operadores não nos pagaram as estadias de fevereiro nem de março, o que criou problemas de tesouraria. Tivemos que recorrer ao acionista, que tem vindo a ‘chegar-se à frente’", afirmou, na altura, fonte oficial do grupo.

 

Na semana passada, alguns trabalhadores do grupo deslocaram-se à residência de um dos filhos de Al Jaber, na Quinta do Lago, a quem entregaram uma carta a pedir esclarecimento sobre a situação e o seu futuro.

 

Os campos de golfe do grupo na Quinta do Lago já estão a funcionar, os hotéis Penina e Dona Filipa têm reabertura marcada para os dias 4 e 7 de junho, respetivamente, mantendo-se o Formosa Park em obras de remodelação.

 

Entretanto, "para matar a fome a muitos deles", sinalizou um trabalhador do grupo ao Negócios, a cantina do Hotel Penina & Golf Resort continua a fornecer refeições aos seus trabalhadores.

 

Há meia dúzia de anos, o dono do grupo JJW Hotels & Resorts foi considerado um dos homens mais ricos do mundo pela revista norte-americana Forbes, que avaliava a sua fortuna, nessa altura, em sete mil milhões de dólares (6,5 mil milhões de euros).

 

Em França, os trabalhadores dos cinco hotéis que o grupo detém neste país estão em lay-off.

 

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