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Hotelaria vai perder mais de três mil milhões de euros em receitas em 2020

A estimativa é da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), que fala de um "ano perdido" para o setor.

Pedro Catarino
Ana Sanlez anasanlez@negocios.pt 04 de Junho de 2020 às 13:03
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Depois dos recordes batidos no ano passado, 2020 vai trazer "perdas gigantescas" ao setor hoteleiro. Segundo as estimativas da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), o setor deverá perder entre 3,2 a 3,6 mil milhões de euros em receitas até ao final do ano. As contas foram apresentadas esta terça-feira pela presidente-executiva da AHP, Cristina Siza Vieira, no âmbito do terceiro inquérito ao impacto da covid-19 no setor. 

A AHP desenhou dois cenários, com base nas projeções de perda de receitas dos seus associados. Em 2019, o total das receitas turísticas em Portugal foi de 18,4 mil milhões de euros, dos quais 24% correspondem à hotelaria, o equivalente a 4,48 mil milhões de euros. 

A maior parte dos inquiridos pela AHP estima que, no conjunto do ano, a queda das receitas oscile entre os 60% e os 90% face ao ano passado, com o primeiro semestre a ser o período mais crítico para os empresários. "Os feriados de junho ajudaram a mitigar algum pessimismo", ressalvou Cristina Siza Vieira. 

Ainda assim, a responsável não tem dúvidas de que este será um "ano perdido para a hotelaria". Uma retoma "mais séria" não acontecerá antes de 2021. "Isto não significa, porém, que não haja reservas e movimento. Mas não nos iludamos, não teremos nada este ano que nos permita pensar numa retoma efetiva. Haverá alguns balões de oxigenio, como a retoma de algum turismo de negócios, se tudo correr de feição, que poderá acontecer no último trimestre", realçou a presidente da AHP durante a apresentação dos resultados do inquérito, que decorrer entre 15 e 29 de maio e contou com a participação de 60% dos associados da AHP.

Para o total do ano, a maior parte dos inquiridos aposta numa queda da taxa de ocupação entre os 50% a 80%, enquanto o primeiro semestre deverá registar quebras na ocupação entre 60% a 90%. Quanto à perda de dormidas, o cenário mais otimista da AHP aponta para uma descida de 60%, que equivale a 34,8 milhões de dormidas. A projeção mais pessimista admite uma perda de 46,4 milhões de dormidas na hotelaria nacional este ano, menos 80% face a 2019. 

A responsável ressalvou ainda que a perda de receitas não se deve apenas à baixa ocupação, mas também ao facto de a maior parte dos inquiridos se estar a preparar para funcionar com uma capacidade "muito reduzida". Em junho, 73% dos hotéis nacionais já deverão reabrir portas, mas 38% vai reduzir a capacidade até 50%, enquanto 17% contam trabalhar com a capacidade reduzida até 80%. Haverá "zero" estabelecimentos a funcional com a capacidade total. 


A perspetiva sobre a ocupação em reservas não ultrapassa, na maior parte dos casos, os 20% até ao final do ano. Só em setembro é que pouco mais de metade dos inquiridos conta ter uma taxa de ocupação superior a 20%. Segundo Cristina Siza Vieira, o setor não deve esperar uma ocupação média superior a 30% até ao final do ano. 
 

Hotéis vão gastar mais 45 mil euros em limpeza


Em linha com inquéritos anteriores estão os resultados relativos às nacionalidades que estão a efetuar reservas. Os portugueses representam 35% das atuais reservas da hotelaria, seguidos dos espanhóis, com 20%, e dos britânicos, que totalizam perto de 17%. 
 


Das reservas que estavam feitas para o período de 13 de março a 30 de setembro, mais de 50% dos clientes optaram por reagendar a estadia ou pedir a emissão de um voucher, uma possibilidade criada pelo Governo em abril. Houve ainda 46% dos clientes que pediram a devolução do dinheiro. 
 


Neste terceiro inquérito, os responsáveis da AHP manifestaram-se surpreendidos pela diversidade de canais de distribuição, pelos quais os empresários estão a 
recer reservas. A Booking e a Expedia continuam a dominar o mercado, com mais de dois terços das reservas, mas 36% dos inquiridos revelaram estar a receber reservas via website próprio. "É um sinal para que as empresas apostem nos seus próprios canais e tenham coragem para dar passos que as aproximem das reservas diretas", afirmou Siza Vieira.  


"A 
Booking e a Expedia são nossos parceiros, precisamos deles e têm sido essenciais para a hotelaria em Portugal, mas a dependência destes canais traz custos elevadíssimos para as empresas", admite a presidente da AHP.  


Outras das questões colocadas aos empresários foi relativa ao preço médio dos quartos. Ao contrário do que se poderia esperar, sublinhou Cristina Siza Vieira, "não vai haver saldos nem uma hecatombe nos preços", que serão, neste período, semelhantes ou inferiores no máximo até 20% face ao período pré-pandemia,  
 


Face a este cenário, quase 98% dos inquiridos considera que são necessárias mais medidas de apoio ao turismo, nomeadamente o prolongamento do 
lay-off, mas também medidas de apoio fiscal, apoios à aquisição de equipamento de limpeza e higiene e financiamentos a fundo perdido.  

Em medidas de higiene, limpeza e segurança, os estabelecimentos contam gastar uma média mensal de 3818 euros, o que equivale a mais de 45 mil euros anuais. Por quarto, os gastos ascendem, em média, a 40 euros. 

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