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Investimento: Nem tudo o que luz é ouro

É ilusório pensar que o ouro só valoriza. Não é uma aposta segura. Há outros ativos com retornos interessantes. Leia as nossas sugestões

Deco Proteste 25 de Setembro de 2018 às 11:30
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Warren Buffett não investe em ouro. O investidor e milionário norte-americano explicou porquê, em 2012, num artigo dirigido aos acionistas intitulado: "Porque é que as ações batem o ouro e as obrigações". Se fundíssemos todo o metal dourado do mundo, ficaríamos com um cubo de 170 mil toneladas. E, se o multiplicássemos pela cotação daquele ano, 1750 dólares por onça (atualmente, ronda os 1250 dólares), valeria 9,6 biliões de dólares. Segundo as contas de Warren Buffett, este montante daria para comprar 16 Exxon Mobiles e todo o terreno arável dos Estados Unidos.

O investidor perguntou: já imaginou o que produzem 400 milhões de acres em 100 anos e quantos dividendos distribui a Exxon nesse período? Agora, compare com o cubo de ouro. Este pesa as mesmas 170 mil toneladas que 100 anos antes. Não produziu nem acrescentou nada. Apesar deste paralelismo e de os argumentos parecerem convincentes, muitas pessoas insistem em investir em ouro, com o argumento de que é o único bem seguro e transacionável aceite em qualquer parte do mundo. Mas a que preço?

Pensar que o ouro só valoriza é ilusório. Na verdade, não é uma aposta segura. Quem aplicar dinheiro no metal dourado pode registar pesadas perdas. Por exemplo, desde o máximo histórico atingido em setembro de 2012 (acima de 44 euros por grama), o preço do ouro caiu para menos de 30 euros, em 2013. Uma perda aproximada de 30%, e o oposto do que aconteceu com outros ativos financeiros. Nesse ano, o índice norte-americano S&P 500 subiu mais de 28 por cento.

Alguns investidores acreditam também que apostar no ouro faz sentido num cenário de catástrofe económica ou bolsista. Mas comprar para se precaver contra hipotéticas calamidades pode implicar perdas, caso os piores cenários não se confirmem. Na verdade, é quase certo que perderá dinheiro. Segundo os testes que efetuámos nos últimos anos, com barras e ouro amoedado, na compra paga-se, em média, mais 15% do que a cotação do ouro. Por sua vez, na venda, alguns retalhistas oferecem preços 25% abaixo do valor de referência. Este fenómeno não é fruto da evolução do valor oficial do ouro: resulta antes da margem de lucro dos intermediários.

Por isso, não se iluda com as valorizações que vê no nosso gráfico. Os preços de compra e venda reais diferem bastante da cotação oficial e variam muito consoante o intermediário. Utilizando os custos médios mencionados, se comprasse ouro no final de abril de 2008, pagaria cerca de 22,5 euros por grama, e não 18. Se o vendesse no final de Junho de 2018, seria provável que recebesse apenas 25,50 euros por grama, e não 34. Ou seja, teria um ganho de 13,3%, o que é bastante inferior quando comparado com a valorização da cotação oficial: 88,9%. Se optar por peças de ourivesaria, as diferenças são ainda maiores. Por exemplo, em 2016, comprámos um anel por 600 euros e só o conseguimos vender por 142 euros, apesar de a cotação do ouro ter valorizado entre a compra e a venda! Razões mais do que suficientes para não recomendarmos a compra de ouro físico.

Se está mais familiarizado com os mercados financeiros, saiba que negociar ouro em bolsa através de ETF dedicados conduz a resultados muito próximos da cotação oficial deste metal precioso. Por exemplo, em 2017, houve perdas ligeiras, enquanto nos últimos cinco anos a variação foi reduzida, embora em terreno positivo. Por exemplo, desde junho de 2013, o ETFS Gold (DE) teve uma rentabilidade média anual de 0,9% e o ouro, 0,8%. Apesar de os ETF terem a vantagem de seguirem a cotação aurífera, o nosso conselho é o mesmo: não invista. O ouro não tem grande atrativo. E, nos próximos anos, a perspetiva continua pouco favorável.

Se, apesar do nosso conselho, quiser dourar um pouco a sua carteira, os ETF são melhor opção do que adquirir o precioso metal físico. A comissão de gestão e os encargos inerentes à negociação em bolsa serão sempre inferiores à margem cobrada pelos intermediários que negoceiam ouro em barras ou peças de ourivesaria. Naturalmente, os ETF são arriscados. Pode ter ganhos, mas também receber menos do que investiu.

Os bons rendimentos gerados pelos mercados acionistas são mais apelativos e a subida dos juros torna a dívida americana uma forte alternativa. É dos ativos mais seguros do mundo e oferece um rendimento anual garantido em torno dos 3%. A nossa carteira de fundos, por exemplo, teve uma valorização média anual de 8%, nos últimos cinco anos. Para saber o valor do ouro, consulte a calculadora em www.deco.proteste.pt/investe.


Este artigo foi redigido ao abrigo do novo acordo ortográfico.


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