Adiamento das previsões de cortes de taxas e tecnológicas deixam Wall Street no vermelho
Os principais índices norte-americanos encerraram a sessão desta quarta-feira divididos em território negativo, num dia em que foi revelado que a criação de emprego em janeiro ficou bastante acima das expectativas dos analistas, indicando um mercado laboral mais resiliente do que antecipado. Embora as ações tenham reagido, inicialmente, com entusiasmo à notícia, as empresas acabaram por perder o fôlego em bolsa ao longo da sessão, pressionadas por um menor otimismo em torno do número de cortes que a Reserva Federal (Fed) vai fazer este ano.
O S&P 500 terminou a negociação na linha d'água, com um deslize de 0,01% para 6.941,47 pontos, enquanto o industrial Dow Jones caiu 0,13% para 50.121,40 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite perdeu 0,16% para 23.066,47 pontos. O setor da tecnologia continua a centrar atenções, com as ações de software a serem pressionadas por receios de que a inteligência artificial possa vir a suplantar os modelos de negócio mais tradicionais.
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A economia norte-americana conseguiu adicionar 130 mil postos de trabalho em janeiro, mais do que era antecipado, com a taxa de desemprego a cair para 4,3%. Após um ano de crescimento do desemprego e de poucas contrações, estes dados - que deveriam já ter sido lançados na sexta-feira mas foram adiados devido a um "shutdown" parcial do Governo - sugerem que o mercado laboral está a conseguir reverter a tendência.
"A recuperação [nas ações] após o relatório da criação de emprego foi um pouco surpreendente, uma vez que a Fed tem tido recentemente um foco maior no mercado laboral do que na economia", explica Mark Hackett, estratega-chefe da Nationwide, à Bloomberg. "A liquidação de posições foi impulsionada pelo setor tecnológico, que segue o padrão registado nos últimos meses", acrescenta.
A atenção dos investidores vira-se agora para a evolução do índice dos preços no consumidor, que deverá ser divulgado na sexta-feira. Os economistas antecipam que a inflação tenha desacelerado de 2,7% para 2,5% em janeiro - e qualquer valor muito próximo ou até inferior a este número leva os analistas do JPMorgan a apostarem que o S&P 500 vai responder com valorizações.
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Entre as principais movimentações de mercado, a Moderna afundou 3,54%, após a gigante farmacêutica ter revelado que o regulador norte-americano recusou-se a analisar o seu pedido para uma vacina experimental contra a gripe, a mRNA-1010. Já a companhia de seguros Humana ganhou 3,23%, depois de ter conseguido que os seus resultados ficassem acima da expectativa dos analistas.
Já a Paramount avançou 1,57%, depois de o investidor ativista Ancora Holdings ter revelado que está a construir uma participação de quase 200 milhões de dólares na Warner Bros. para se opor ao acordo do estúdio centenário com a Netflix, preferindo a proposta da empresa liderada por David Ellison. Por sua vez, a Warner Bros. ganhou 0,67% e a gigante do streaming perdeu 3,14%.
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