Crédit Agricole fica com menos de 15% do BES após aumento de capital
Já se sabia que o grupo francês iria reduzir a sua posição do BES no aumento de capital. Vendeu direitos e investiu os 10 milhões de euros anunciados. Ficou com 14,64%. O Crédit Agricole compromete-se a manter posição intacta por seis meses.
O Crédit Agricole ficou com 14,64% do Banco Espírito Santo na sequência do aumento de capital que a instituição financeira portuguesa realizou nas últimas semanas. Antes da operação, um quarto do banco, 20,1%, estava nas suas mãos, sendo que já se esperava esta diluição da posição para cerca de 15%.
A participação total do banco francês no BES passa a ser representada por 823,7 milhões de acções, os referidos 14,64%, divididas pela posição directa da CASA (12,19%) e pela Predica (2,45%), segundo informou a instituição liderada por Ricardo Salgado em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
A verdade é que o Crédit Agricole até tem mais acções do BES agora do que antes do aumento de capital de 1.045 milhões de euros do banco, altura em que era detentor de 808 milhões de acções. Contudo, numa operação de aumento de capital são emitidas novas acções, o que faz com que as acções dos accionistas existentes passem a representar uma percentagem menor. Para manter a mesma percentagem, os accionistas teriam de investir na compra de acções. E o Crédit Agricole anunciou logo que não iria fazer um grande investimento.
Investimento de 10 milhões
Ou seja, o banco francês recebeu os direitos de subscrição de novas acções no aumento de capital (direitos que são dados aos accionistas existentes antes da operação). Vendeu alguns deles. Utilizou apenas 15,3 milhões de direitos para subscrever outras tantas acções, que lhe custaram, cada uma, 0,65 euros (o preço a que foram vendidas os novos títulos). O investimento foi, assim, de 10 milhões de euros.
O que não impediu a redução para uma participação de 14,64% quando, antes, contava com mais de 20%. O grupo gaulês perde, assim, uma posição de controlo que teve até este ano. Contudo, segundo comunicou à CMVM a 28 de Maio, o banco não venderá a sua participação no BES "durante os 180 dias após a liquidação física da oferta pública de subscrição". A liquidação financeira ocorreu a 16 de Junho, pelo que os 180 dias contam a partir daí.
Desde 1991 que o ESFG e o Crédit Agricole tinham uma posição de controlo sobre o banco, através da sociedade Bespar, dona de 35,3% do capital. A Bespar foi dissolvida (logo após a polémica em torno das irregularidades no Grupo Espírito Santo), passando ambos a ter posições directas: o ESFG viu a posição ser diluída até aos 25,1%, directa ou através de suas subsidiárias (ainda que com mais acções - 1.409.319.449). Neste momento, não é possível nenhum acordo entre as duas entidades já que qualquer entendimento iria obrigar ao lançamento de uma oferta pública de aquisição, já que juntos têm mais do limite máximo de 33% dos direitos de voto do banco.
Na entrevista que deu ao Negócios em Maio, Ricardo Salgado afirmou ter "muita pena" que o banco francês reduzisse a sua posição no BES, embora tenha afirmado que entende "perfeitamente a atitude".