Laginha de Sousa: Lesados do BES não afectam confiança dos pequenos investidores
Os casos da dívida sénior e papel comercial do BES não afectaram a confiança dos pequenos investidores em Portugal, considerou o presidente da bolsa de Lisboa, destacando a falta de oportunidades de investimento.
O presidente da bolsa de Lisboa considera que os casos dos lesados do BES e a transferência de dívida sénior do Novo Banco novamente para o "banco mau" não constituem uma ameaça para a confiança dos pequenos investidores em Portugal. Para Luís Laginha de Sousa, há uma recuperação da confiança em Portugal e a menor procura do retalho está relacionada principalmente com a falta de oportunidades de investimento.
"Não quero retirar relevância às consequências complexas e difíceis que sentiu cada uma das pessoas que possa ter sido lesada, mas aquilo que o mercado nos indica é que, havendo a oferta adequada, o retalho em Portugal tem-se manifestado sempre disponível" para investir, afirmou o presidente da Euronext Lisboa, à margem de um debate organizado por ocasião da ante-estreia do filme "A queda de Wall Street", esta quarta-feira, dia 13 de Janeiro.
Quando questionado sobre as críticas de grandes investidores relativamente à decisão de transferir cinco linhas de obrigações seniores novamente para o BES, Laginha de Sousa destacou que não é apenas em Portugal que existem "situações que prejudicam os investidores", sendo necessário enquadrar no contexto internacional. Estes casos não significam "que vamos ter um problema eterno e irresolúvel" em Portugal, considerou, respondendo aos jornalistas.
Para o presidente da Euronext Lisboa, a falta de pequenos investidores de retalho em Portugal é principalmente uma questão de falta de ofertas de investimento atractivas e não de procura do retalho. "Existindo oferta, a procura aparecerá, principalmente neste contexto em que há baixas taxas de rentabilidade" nos depósitos, disse, defendendo alterações fiscais para incentivar o investimento na bolsa e em obrigações de empresas.