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Mota-Engil fecha 3,7% abaixo do preço do aumento de capital

A construtora vai realizar um aumento de capital de 2,4814 euros por acção para financiar a recompra de títulos da Mota-Engil África. As acções deslizaram na sessão de hoje e ficaram nos 2,389 euros.

O Haitong avalia as acções da Mota-Engil em 2,00 euros, o que implica um potencial de valorização 40%. A recomendação é de neutral.

O banco de investimento assinala que a Mota-Engil expandiu a sua actividade para África e América Latina, que são agora os seus mercados mais importantes. No final do primeiro semestre a construtora tinha uma carteira de encomendas de 4,6 mil milhões de euros, com a o mercado europeu a ter um peso de apenas 20%. O Haitong estima que a dívida líquida de 1,5 mil milhões de euros desça nos próximos tempos devido à venda da Ascendi. “Contudo, a companhia ainda não conseguiu atingir um crescimento orgânico no seu ‘cash flow’ de forma a mostrar que pode reduzir a alavancagem de uma forma sustentada”, refere o Haitong, assinalando que apesar do potencial de valorização, a recomendação é neutral devido à “necessidade de uma maior clareza sobre as encomendas em África”.
Bruno Simão
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A Mota-Engil terminou a sessão desta quinta-feira, 5 de Novembro, em queda e acabou por fechar a uma cotação mais baixa do que o preço a praticar no aumento de capital que vai ser realizado.

 

A Mota-Engil perdeu 3,67% para fechar nos 2,389 euros, num dia em que a praça nacional encerrou a cair 1,43%. Durante a sessão, a desvalorização da construtora liderada por Gonçalo Moura Martins foi mais intensa, tendo sido superior a 5%.

 

"As novas acções serão emitidas ao preço unitário de 2,4814 euros, correspondendo à soma do valor nominal (1 euro) com ágio de 1,4814 euros por nova acção", indica o comunicado emitido esta quinta-feira. "O preço de subscrição corresponde ao preço médio ponderado das acções da Mota-Engil no mercado regulamentado gerido pela Euronext Lisbon nos seis meses anteriores ao dia 8 de Outubro de 2015".

 

A Mota-Engil já tinha anunciado a intenção de aumentar o seu capital social para financiar a retirada da unidade africana da bolsa de Amesterdão. Esta quarta-feira, 4 de Novembro, especificou que a operação terá de ser aprovada pelos accionistas no dia 30 de Novembro, altura para a qual foi agendada a assembleia-geral de accionistas, de acordo com o comunicado emitido para o regulador.

 

Assim, o conselho de administração da Mota-Engil propõe aos seus accionistas que aprovem um aumento de capital de 44,6 milhões de euros, "mediante a emissão de 44.620.546 novas acções, com o valor nominal de 1 euro cada", explica a empresa liderada por Gonçalo Moura Martins (na foto). A contrapartida chega a 2,4814 euros porque uma parte da oferta é ágio, ou seja, um prémio de emissão: parte do valor pago pelos compradores será para o aumento de capital, o resto integrará outras rubricas do balanço.

 

Nuno Estácio, analista do Haitong Bank, considera que não há grandes novidades. "A operação já tinha sido anunciada e os detalhes do aumento de capital não são surpreendentes. A questão central aqui é onde estarão as acções quando a operação tiver lugar, para perceber qual a possibilidade de a Mota vender acções a 2,48 euros (em linha com o actual preço de mercado", assinala o especialista, na nota de comentário desta quinta-feira, 5 de Novembro.

 

Este aumento de capital surge depois da Mota-Engil ter decidido avançar com a retirada da unidade de África de bolsa. O anúncio de retirada da Mota-Engil África de bolsa foi feito a 11 de Outubro, com a casa-mãe a considerar que as acções da unidade "deixaram de representar o justo valor" da empresa. A empresa tem cerca de 95% do capital da subsidiária africana.

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