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Tensões EUA-China, adiamento de projectos e mau panorama económico abalam Wall Street

As bolsas do outro lado do Atlântico encerraram em terreno negativo, pressionadas pelo intensificar de fricções entre Washington e Pequim, por dados económicos preocupantes e por adiamentos de projectos por parte de grandes empresas.

Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 24 de Julho de 2020 às 21:07
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O Dow Jones fechou a ceder 0,69% para 26.469,34 pontos e o Standard & Poor’s 500 recuou 0,62% para 3.215,62 pontos.

 

Por seu lado, o tecnológico Nasdaq Composite desvalorizou 0,94% para 10.363,18 pontos.

 

A contribuir para a incerteza no mercado, pesando assim no sentimento dos investidores, está o renovar de tensões entre os Estados Unidos e a China.

 

Depois de ontem Washington ter dado 72 horas a Pequim para fechar o seu consultado em Houston devido a alegações de espionagem, hoje foi a vez de a China ter ordenado aos EUA que encerrem o seu consulado na cidade de Chengdu.

 

O Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros tinha salientado ontem que a decisão dos EUA "prejudicou gravemente" as relações entre ambos os países e que a China seria obrigada a retaliar.

 

Entretanto foi avançado esta tarde que um investigador chinês está sob custódia no consulado de São Francisco.

 

A desanimar os investidores esteve ainda o anúncio, feito ontem pelo Departamento norte-americano do Trabalho, de que os pedidos de subsídio de desemprego nos EUA aumentaram na semana passada, face à semana precedente, tendência que não se verificava há 16 semanas.

 

Houve 1,42 milhões de solicitações deste apoio na semana terminada a 17 de julho, quando as estimativas apontavam para 1,3 milhões (número que seria igual ao da semana precedente.  

 

Além disso, o tráfego aéreo está de novo a diminuir, bem como as reservas nos restaurantes, numa altura em que os cinemas se mantêm encerrados, tudo devido ao forte ressurgimento de novos casos de covid-19.

 

Estas pressões surgem numa altura em que os investidores estão a digerir o que se espera ser uma das piores épocas de apresentação de resultados da história das cotadas norte-americanas. 

 

Adiamentos na Apple, Intel e Disney

 

Por outro lado, o ressurgimento de novos casos de covid-19 tem atrasado projetos de cotadas de peso.

 

É o caso da Apple, que vai adiar o seu evento anual de inícios de setembro para a segunda quinzena de Outubro, avançou ontem à noite o blog japonês de tecnologias Mac Otakara.

 

Segundo o mesmo blog, citado pela MarketWatch, a empresa liderada por Tim Cook viu-se obrigada a adiar o evento de apresentação da linha 12 do iPhone, compatível com a tecnologia 5G, devido a atrasos na produção do aparelho – decorrentes da pandemia de covid-19.

 

No início de setembro é habitual a Apple apresentar novos produtos, com destaque para os novos iPhones, mas desta vez não será assim. Segundo a mesma fonte, espera-se que a Apple anuncie quatro novos iPhones, com os modelos 5G a ficarem disponíveis em novembro.

 

Esta notícia penalizou as ações da empresa sediada em Cupertino (Califórnia), que encerraram a recuar 0,27% para 370,46, depois de terem chegado a perder mais de 3% durante a sessão e de ontem terem cedido 4,55% no fecho.

 

Também a Intel "está no mesmo barco". A nova tecnologia da Intel, de chips de 7 nanómetros, está com seis meses de atraso, anunciou a empresa na quinta-feira, dia em que reportou também os seus números do segundo trimestre.

 

Esta notícia, a par com uma estimativa para os lucros do terceiro trimestre que desiludiu o mercado, pressionou fortemente a cotada na sessão de hoje, com a Intel a perder 16,24% para 50,59 dólares – a maior queda em quatro meses.

 

Destaque ainda para a Disney, que adiou o lançamento de todos os filmes das sagas Star Wars e Avatar previstos para estrearem no grande ecrã entre 2021 e 2027 e que agora só deverão chegar aos cinemas um ano depois do programado.

 

A empresa de entretenimento, que devido à pandemia se viu obrigada a alterar muitos dos lançamentos da próxima década, anunciou também que o filme Mullan, previsto para chegar às salas de cinema a 21 de agosto, foi retirado do calendário deste ano – não havendo ainda nova data.

 

Sublinhe-se que este filme tem vindo a ser repetidamente adiado desde março por conta da covid-19, que levou a medidas de quarentena e ao encerramento de espaços públicos, como os cinemas.

 

A Disney encerrou a sessão a recuar 0,43% para 117,61 dólares.

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