Wall Street recupera algum otimismo mas não escapa a perdas. Micron afunda quase 4%
Os preços do petróleo acabaram por ceder terreno depois de Israel ter garantido que ia ajudar os EUA a reabrirem o estreito de Ormuz. O movimento chegou a levar o S&P 500 ao verde, mas, no final da sessão, Wall Street acabou por não conseguir resistir.
A volatilidade voltou a atingir Wall Street. Depois de os principais índices norte-americanos terem chegado a perder mais de 1% esta quinta-feira, ainda conseguiram negociar em território positivo, mas acabaram por terminar a sessão com perdas poucos substanciais. A escalada do conflito no Médio Oriente, com o Irão a lançar várias ofensivas contra países do Golfo Pérsico em retaliação aos ataques de Israel, levou mais uma vez os preços do petróleo e do gás natural a dispararem e aumentou os receios de uma nova crise energética no mundo - antes das duas matérias-primas inverterem o sentido de negociação e devolverem algum otimismo aos investidores.
Neste contexto, o S&P 500 encerrou a sessão com perdas de 0,27% para 6.606,49 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite caiu 0,28% para 22.090,69 pontos e o industrial Dow Jones desvalorizou 0,44% para 46.021,43 pontos. As movimentações foram bastante inferiores às registadas do outro lado do Atlântico, na Europa, onde o principal índice fechou a negociação a perder mais de 2%.
A menos de uma hora da sessão desta quinta-feira encerrar, o primeiro-ministro israelita confirmou que o país estava a ajudar os EUA a retomarem o tráfego no estreito de Ormuz - por onde passa 20% de todo o crude e gás natural consumido pelo mundo - e garantiu que vê a guerra a "acabar muito mais cedo do que as pessoas pensam". Netanyahu afirmou ainda que o Irão, neste momento, não tem "capacidade para avançar com o enriquecimento de urânio [essencial para a construção de armas nucleares] nem capacidade para produzir mísseis balísticos".
A duração do conflito e a reabertura do estreito de Ormuz continuam, assim, a serem os dois grandes fatores a pesar sobre a negociação no mercado acionista. Com a guerra quase a completar três semanas, os sinais de apaziguamento das tensões são mínimos, mas os mais recentes ataques do Irão - que reduziram a capacidade de produção de gás natural do Catar em 17% - levaram Donald Trump, Presidente dos EUA, a apelar a Israel que não volte a colocar na mira a infraestrutura energética iraniana. Mesmo assim, prometeu "explodir a totalidade" do campo de gás South Pars caso o regime de Mojtaba Khamenei volte a atacar pontos estratégicos do Golfo Pérsico.
De forma a conter a escalada dos preços do petróleo, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, revelou que o país está a estudar remover as sanções há muito impostas ao crude iraniano - o único que tem conseguido passar livremente pelo estreito de Ormuz e que tem como principal destino a China. Mesmo assim, "os mais recentes eventos têm tornado o caminho para uma resolução mais estreito e aumentado o risco de uma volatilidade contínua" nos mercados, refere Ulrike Hoffmann-Buchardi, analista do UBS Global Waelth Management, à Bloomberg.
Entre as principais movimentações de mercado, a Eli Lilly manteve-se quase inalterada, mesmo depois de uma injeção experimental da farmacêutica para a perda de peso ter registado melhores resultados do que a dos seus concorrentes. Por sua vez, a Uber Technologies perdeu 1,72%, após ter anunciado um investimento de 1,25 mil milhões de dólares na fabricante de carros elétricos Rivian Automotive com o objetivo de lançar uma frota de robotâxis.
Já a Micron Technology afundou 3,78%, pressionada pelos planos da fabricante de "chips" de memória de investir 25 mil milhões de dólares no ano fiscal de 2026 - mais cinco mil milhões do que o ano passado. Apesar da queda nas ações, a tecnológica conseguiu superar as expectativas dos analistas para o seu segundo trimestre fiscal e espera alcançar 33,5 mil milhões de dólares em receitas no trimestre em curso - bastante acima das expectativas de 24 mil milhões do mercado.