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Evergrande gera "efeito dominó" com novo buraco de 206 milhões no imobiliário chinês

Depois da Evergrande, agora foi a vez da Fantasia falhar o pagamento de mais de 200 milhões de dólares aos seus credores. "Stress" dentro do mercado imobiliário aumenta.

Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 05 de Outubro de 2021 às 09:30
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O sismo provocado pelos sucessivos incumprimentos da Evergrande, gigante do imobiliário chinês, está a deixar várias réplicas num setor que tem crescido "mais rápido do que a própria sombra" nos últimos anos. Agora, foi a vez de a rival Fantasia Holdings Group não ter sido capaz de cumprir com o pagamento de 206 milhões de dólares, de um cupão que expirava ontem, 4 de outubro, aos seus credores.

A empresa tinha recorrido aos mercados em 2016 para levantar 500 milhões de dólares de investidores em todo o mundo, numa emissão de dívida que tinha um prazo de maturidade de cinco anos. Ou seja, passado esse período, a imobiliária teria de saldar toda esta dívida comprada pelos credores, com os juros adjacentes. Do montante total, faltavam pagar 205,7 milhões que, se tudo corresse como contratualizado pela empresa há cinco anos, seriam pagos nesta segunda-feira. Mas não foram. A empresa comunicou à bolsa de Hong Kong que "não fez o pagamento no dia previsto".

Os preços das obrigações da Fantasia estiveram a cair em força na segunda-feira e mantêm a tendência nesta terça-feira, à medida que cresce a especulação de que terá dificuldades para cumprir as suas obrigações. A empresa está entre os piores desempenhos no mês passado do índice elaborado pela Bloomberg que reúne as maiores empresas da China com títulos em dólares e a situação chegou ao ponto de vários bancos como o Citigroup ou o Credit Suisse deixarem se aceitar a sua dívida como colateral, no mês anterior.

A falha da Fantasia evidencia os sinais de "stress" do setor imobiliário da China, depois de o Evergrande ter falhado dois pagamentos consecutivos aos seus credores, num total 83,5 milhões de dólares e tem uma dívida de 305 mil milhões de dólares. Na semana passada, o grupo comunicou a venda de 19,93% das ações do banco comercial Shengjing Bank a um conglomerado estatal, por 9.993 milhões de yuans (1.322 milhões de euros) e agora estará em vias de vender mais de metade da participação na sua empresa de gestão de propriedades à também chinesa Hopson Development, por mais de 5 mil milhões de dólares.

Ainda assim, uma potencial queda da Fantasia representa menos riscos para os mercados do que a Evergrande, devido ao seu menor tamanho empresarial e de dívida. A dívida total da Evergrande é de 304 mil milhões de dólares, ao passo que a da Fantasia é de 12,9 mil milhões de dólares, segundo o relatório da empresa referente ao primeiro trimestre deste ano. 

Para além destas duas cotadas, também outra empresa do ramo, a Sinic Holdings Group falhou em pagar 6 milhões de dólares aos seus investidores, que agora estão a pedir um pagamento adiantado de outros cupões que expiram mais para a frente, num valor total de 75,4 milhões de dólares. O mercado de obrigações chinês cuja dívida é considerada "lixo" pelas agências de "rating" está em mínimos de 2013.

Mas a dívida das empresas chinesas, não só do setor do imobiliário, tem aumentado a cada ano. No final de 2020, a percentagem de dívida empresarial em termos de PIB (produto interno bruto) era de 224%, que compara com os menos de 100% na grande crise financeira global de 2007-2008.

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