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Lira em mínimos e juros em nível recorde deixam Turquia no olho do furacão

A moeda turca atingiu o nível mais baixo de sempre face ao dólar e os juros a dez anos dispararam para máximos, acima de 20%. A incapacidade de o banco central controlar a inflação e a queda da divisa, e as preocupações em torno da guerra diplomática com os Estados Unidos estão a aumentar a pressão.

Erdogan
Reuters
Rita Faria afaria@negocios.pt 07 de Agosto de 2018 às 13:55
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A turbulência que tem abalado os mercados da Turquia intensificou-se nos últimos dias e deixou o país no olho do furacão. De acordo com a Bloomberg, nas salas de mercados e entre os economistas já se fala da inevitabilidade de uma intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) e de medidas extremas, incluindo controlo de capitais.

 

No imediato, uma subida de emergência dos juros é apontada como uma possibilidade real, já que o banco central do país só tem agendada a sua próxima reunião de política monetária para o próximo dia 13 de Setembro, e a lira não dá sinais de travar a sua forte desvalorização face ao dólar.

 

Na segunda-feira, a moeda turca chegou a descer mais de 6% face à divisa dos Estados Unidos – a maior queda da última década - tendo atingido um novo mínimo histórico. Hoje, segue com sinal vermelho pela sétima sessão consecutiva, elevando para mais de 29% a desvalorização acumulada desde o início do ano.

 

Ao mesmo tempo, os juros associados à dívida pública a dez anos estão a disparar 32 pontos base, depois de já terem atingido um novo máximo histórico acima dos 20%.

 

"[A situação] vai continuar assim até que o banco central se comprometa incondicionalmente a subir os juros e a mantê-los elevados até que a inflação comece a inverter", afirma Henrik Gullberg, estratega do Nomura Internacional, citado pela Bloomberg. "O mercado precisa deve compromisso".

 

"É difícil antever uma reviravolta por parte das autoridades", acrescenta Per Hammarlund, estratega do SEB, em Estocolmo "O momento em que a Turquia será forçada a pedir ajuda ao FMI está mais próximo".  

 

No passado dia 24 de Julho, o banco central da Turquia surpreendeu o mercado ao anunciar a manutenção dos juros em 17,75%, depois da subida de 125 pontos base fixada em Junho, para tentar travar o aumento dos preços e a queda da lira. As projecções apontavam, contudo, para uma nova subida na ordem dos 100-125 pontos depois de a inflação ter disparado em Junho para o nível mais alto dos últimos 14 anos.

 

O receio do mercado é que esta "inércia" do banco central se mantenha, e que esteja a ser provocada por intervenção do próprio presidente Recep Tayyip Erdogan, que ficou com maior controlo sobre a política monetária depois de ter saído vitorioso das eleições de Junho.

 

A incapacidade das autoridades em controlar a inflação e a desvalorização da moeda, juntamente com as preocupações em torno da guerra diplomática com os Estados Unidos têm intensificado a pressão.

 

Recorde-se que, na semana passada, a Casa Branca anunciou sanções à Turquia, que congelaram os activos dos ministros da Justiça e do Interior, em protesto contra a detenção de um pastor norte-americano, Andrew Brunson.

 

No sábado, o presidente da Turquia prometeu retaliar, ordenando sanções recíprocas contras duas autoridades norte-americanas.

 

"Aqueles que pensam que podem fazer a Turquia recuar com sanções ridículas nunca conheceram este país ou esta nação", disse Erdogan num discurso na capital, Ancara. "Nunca baixámos a cabeça perante este tipo de pressão e nunca o faremos".

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