Mercados Melhores contratações para criptomoedas não são da geração Y

Melhores contratações para criptomoedas não são da geração Y

Os antigos chefes de Wall Street estão a assumir novas funções num território selvagem: o das moedas virtuais.
Melhores contratações para criptomoedas não são da geração Y
Reuters
Bloomberg 03 de março de 2018 às 18:00

Um número cada vez maior de startups de criptomoedas está a adicionar às folhas de pagamentos ex-integrantes de órgãos reguladores e outras autoridades governamentais, prática que pode ajudá-las a evitar ou a se preparar para um aperto das regras. As empresas contrataram ex-promotores, que integraram departamentos de segurança nacional e pelo menos um importante ex-diplomata - que podem ser úteis num momento em que os países estão a decidir se devem adoptar ou proibir o dinheiro digital.

 

O ritmo das contratações aumentou em Novembro, quando a Ripple, uma empresa que pretende ligar bancos internacionais com a sua própria criptomoeda, levou Ben Lawsky para o conselho. Como chefe de análise financeira de Nova Iorque, ganhou fama de ser duro por pressionar os bancos a examinar minuciosamente as transacções dos clientes em busca de negócios ilícitos. Em Janeiro, a corretora de criptomoedas Omega One admitiu um novo assessor, Bart Chilton, ex-membro da Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC, na sigla em inglês). O órgão supervisiona as moedas digitais.

 

"O facto de estar disposto a assumir um papel de consultor na nossa empresa é um sinal de que superamos um certo nível de due diligence", disse o CEO da Omega One, Alex Gordon-Brander, sobre Chilton.

 

"Cobertura aérea"

A onda de contratações acaba com o domínio da geração Y no mundo das criptomoedas - muitos deles sem experiência em bancos tradicionais. Avança, no entanto, por um caminho bastante trilhado pelos inovadores do sector de finanças, como os bancos online, que iniciaram uma reformulação do sector e depois acabaram a recrutar especialistas para os guiar pelas suas muitas armadilhas regulatórias.

 

É provável que as empresas de criptomoedas continuem a contratar especialistas em regulação para ganhar legitimidade, disse Dave Weisberger, CEO da CoinRoutes, uma empresa de dados e monitorização de ordens de criptomoedas. Mesmo assim, os possíveis investidores não deveriam presumir que essa estratégia transforma as empresas numa aposta segura, disse.

 

"Se a contratação de alguém para o conselho consultivo convence os investidores de que um produto representa menos riscos regulatórios, eles estão redondamente enganados", disse Weisberger. "Muitos podem ser enganados e pensar que contam com mais cobertura aérea."

 

O recrutamento de ex-dirigentes de órgãos reguladores governamentais é um avanço natural, considera Arthur Levitt, ex-presidente da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC, na sigla em inglês). "Todas as novas empresas tentam isto", disse Levitt, que assessora firmas de criptomoedas como BitPay e Mirror e é director da Bloomberg LP, a empresa que controla a Bloomberg News. "Não há nada de exclusivo nas criptomoedas."

 

Alguns contratados até ajudaram a argumentar em prol das criptomoedas, tranquilizando a população quanto a moedas populares ou afirmando que a sua tecnologia básica, conhecida como blockchain, será uma força do bem.

 

Dias antes de a Omega One anunciar a sua contratação, Chilton disse que desejava ter investido em bitcoins e nas suas principais rivais anos antes - na altura em que alertava as pessoas, na qualidade de comissário da CFTC, a terem cuidado em relação às moedas virtuais e defendia uma regulação maior. De forma geral, as oscilações selvagens de preços estão a "suavizar-se", disse o responsável à CNBC, a 11 de Janeiro.

 




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