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Reino Unido. Como "triturar" um orçamento e a credibilidade de um país em 40 dias

Alta das “yields”, mergulho da libra e intervenção do Banco de Inglaterra pressionam o novo governo britânico. A solução foi a saída do ministro das Finanças e a reversão do “miniorçamento”.
Diogo Mendo Fernandes, Joana Almeida e Paulo Ribeiro Pinto 18 de Outubro de 2022 às 08:58

"Order, order" é o grito de ordem pelo qual é conhecido o "speaker" do Parlamento britânico e é também a mensagem que o novo ministro das Finanças do Reino Unido, Jeremy Hunt, está a tentar passar aos investidores. E, pelo menos para já, conseguiu acalmar os mercados após a turbulência das últimas semanas.

 

A primeira-ministra, Liz Truss, já tinha prometido a subida do imposto para empresas de 19% para 25%. Esta segunda-feira foi a vez de o novo ministro das Finanças fazer a sua estreia no Parlamento e logo no primeiro dia oficial anunciar uma reversão quase integral do polémico miniorçamento.

 

Em reação a este passo atrás, os juros da dívida britânica a dez anos aliviaram mais de 35 pontos-base, descendo assim abaixo da fasquia dos 4%, depois de terem registado máximos de 2008. Já na maturidade a 30 anos – uma das mais pressionadas nas últimas semanas e que foi alvo de intervenção por parte do Banco de Inglaterra (BoE) – a descida da "yield" foi de quase 40 pontos-base para 4,369%. É um alívio após ter escalado até ao valor mais elevado desde agosto de 2011, chegando a superar o custo da dívida  de Itália com a mesma maturidade – um dos países que mais sofreram com a subida das "yields" na crise da dívida de 2008.

 

A libra esterlina, que também tem estado sob forte pressão nos últimos dias, reagiu em alta e chegou a valorizar mais de 2% para 1,1291 dólares. Na negociação face à moeda única europeia também foram registados ganhos, perto de 1%.

 

Entre as mudanças que justificaram o acalmar das tensões está o período de apoio às contas da energia, que vão passar da proposta inicial de dois anos apenas até abril, data em que será avaliada a sua manutenção. No caso do corte do imposto sobre os rendimentos vai ser também adiado "indefinidamente", até que as circunstâncias económicas o permitam e vai por isso manter-se nos 20%.

 

Incongruências do governo aumentam surpresa

 

A montanha-russa britânica iniciou-se a 23 de setembro com a apresentação de um "miniorçamento" por Kwasi Kwarteng, detentor da pasta durante apenas 38 dias – o segundo mandato mais curto de sempre nas Finanças – tendo sido exatamente a agitação a levar à saída. O então ministro apontava para um corte de impostos em cerca de 45 mil milhões de libras levando ao aumento da dívida pública. A apresentação foi feita sem qualquer tipo de explicação de como seriam financiadas as medidas.

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