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Tencent afunda 11% após restrições nos videojogos. China compara indústria com ópio para crianças

A Tencent quer discutir a possibilidade de proibir menores de 12 anos de terem acesso a videojogos, depois de pressão por parte de agências estatais chinesas que compararam este setor a uma droga para crianças. A empresa registou a maior queda da década na bolsa.

8.º Tencent – 430,6 mil milhões de dólares
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 03 de Agosto de 2021 às 10:39
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As ações da gigante Tencent registaram a sua maior queda intradiária dos últimos dez anos na sessão desta terça-feira, em Hong Kong, depois de a empresa ter anunciado restrições ao acesso aos videojogos a crianças com menos de 12 anos, na sequência dos ataques dos meios de comunicação estatais chineses que apelidaram este setor de "ópio espiritual" e "droga eletrónica".

O anúncio por parte da empresa chinesa surgiu depois de um artigo publicado no jornal Economic Information Daily, da agência  noticiosa estatal Xinhua, que disse que os videojogos se transformaram "em "ópio espiritual avaliado em centenas de biliões", alertando que "nenhuma indústria pode desenvolver uma via de destruir uma geração".

O artigo foi publicado na terça-feira de manhã, hora de Pequim, e apagado ao final do dia. Ainda assim, a história continua disponível na versão em papel (em chinês). Esta publicação está a ser vista apenas como uma tentativa inicial de agitar as águas, antes de a China começar a apertar verdadeiramente o cerco a este tipo de empresas.

O jornal não mencionava diretamente a Tencent, mas atacava o vício generalizado da internet entre os jovens chineses. Em toda a reportagem eram citados jovens anónimos, que diziam que alguns colegas da escola estavam mais de oito horas por dia a jogar. 

Tencent muda as regras

"Na próxima etapa, deve haver controlos mais rígidos sobre a quantidade de tempo que os menores jogam jogos online. Deve ser reduzido em grande quantidade em relação ao nível atual", diz o artigo. Apesar de não atacar diretamente a Tencent, o que é certo é que a empresa não esperou nem mais um dia para anunciar alterações à sua política. 

No final do dia alertou que iria impor limites aos menores de apenas uma hora durante os fins de semana e não mais do que duas horas durante as férias. Para além disso, planeia até proibir crianças com menos de 12 anos de comprarem jogos, tendo até explorado a hipótese de proibir toda esta faixa etária de ter acesso de forma direta ou indireta ao videojogos. 

Já no mês passado, a empresa disse que iria impor reconhecimento facial nos smartphones para perceber se quem estava a jogar era adulto ou criança, assim como exigir que o registo fosse feito através do nome real das pessoas e não de "nicknames" para haver maior controlo.


As ações da empresa chegaram a perder quase 11% a meio da dessão, tendo acabado o dia com uma desvalorização de 6,11%. Mas as preocupações espalharam-se pelas empresas do mesmo setor no Japão e na Coreia do Sul, com as ações da Nexon, com uma grande exposição à China, a perderem 10%.

Em 2018, Pequim lançou o alerta sobre a indústria dos videojogos e no impacto que tinha sobre os jovens. Um ano depois, em 2019, trouxe à baila uma série de regras que bania os menores de 18 anos de jogarem entre as 10 horas da noite e as 8 horas da manhã, bem como restrições ao à quantidade de tempo que poderiam estar a jogar.


O mercado de videojogos na China estava avaliado em 43,1 mil milhões de dólares em 2020, de acordo com a Niko Partners, uma empresa de análise e consultoria.
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