Mercados Trader de 24 anos acusado de roubar 2 milhões em moedas virtuais

Trader de 24 anos acusado de roubar 2 milhões em moedas virtuais

Um trader de Chicago está a ser acusado de ter roubado dois milhões de dólares em moedas virtuais à firma onde trabalhava para cobrir as perdas que teve. Este é o primeiro caso que envolve criptomoedas a chegar à barra dos tribunais.
Trader de 24 anos acusado de roubar 2 milhões em moedas virtuais
reuters
Ana Laranjeiro 16 de fevereiro de 2018 às 12:09

Chama-se Joseph Kim, tem 24 anos, trabalhava em Chicago para a Consolidated Trading LLC e é o primeiro caso de fraude com moedas virtuais a chegar à barra dos tribunais. Kim está acusado de ter roubado criptomoedas no valor de dois milhões de dólares para cobrir perdas que teve com estes activos. Kim vai ser presente esta sexta-feira a tribunal.

A história deste caso começa pouco depois da chegada de Kim à Consolidated - firma de Chicago formada em Setembro do ano passado com o objectivo de negociar moedas. Kim chegou precisamente nessa altura à empresa, tendo estado a trabalhar como trader assistente na área de obrigações, descreve a acusação. A actividade criminosa do trader terá começado pouco depois de ter iniciado as novas funções.

Ao que indicaram os procuradores norte-americanos, Joseph Kim terá dito aos seus superiores que tinha contas pessoais de criptomoedas. Perante este cenário, foi-lhe indicado que teria de encerrar as contas de forma a evitar um conflito de interesses.

Mas Joseph Kim não terá seguido estas orientações à risca. No fim-de-semana depois de se ter juntado à unidade de moedas da Consolidated, Kim transferiu 980 Litecoins – no valor de 48 mil dólares – de uma conta da Consolidated para uma outra conta que não era afiliada com a empresa. Alguns dias depois, relata a Bloomberg, o supervisor do trader encontrou essa transferência e questionou-o. Kim terá alegado que transferiu os fundos para a sua "carteira pessoal digital por motivos de segurança" com o objectivo de servir como intermediação de forma a evitar questões relacionadas com a casa de criptomoedas de Hong Kong Bitfinex.

Questionado pelas autoridades, Kim repetiu a história. Mas uma equipa do FBI investigou os registos e determinou que as Litecoin nunca deram entrada numa carteira da Consolidated.

Um novo episódio teve lugar cerca de um mês depois, em Novembro. O superior de Kim descobriu a transferência de 55 bitcoin, no valor de 433 mil dólares, de uma conta da empresa para uma conta que não foi reconhecida. Kim disse que a transferência tinha sido "bloqueada" e que teve de tomar medidas para desbloquear a operação. No entendimento do chefe do trader, segundo a agência, isso significaria que as bitcoin iriam novamente regressar a uma conta da Consolidated. E de facto 27 bitcoin entraram nas contas da empresa a 20 de Novembro. Mas, no fim-de-semana seguinte, o remanescente destas moedas virtuais continuavam desaparecidas.

Agora, e segundo as autoridades, Kim terá roubado bitcoin - transferiu secretamente 284 destas moedas, no valor de 2,8 milhões de dólares, de uma conta da empresa para a sua carteira pessoal, que ele mesmo controlava. Os registos indicam ainda uma nova transferência, mas desta vez em sentido contrário. Kim transferiu 102 bitcoins (no valor de um milhão de dólares) desse leque de quase 300 para as contas da Consolidated.

Confrontado com estes factos, Kim disse aos seus superiores que utilizou 55 bitcoin da empresa na negociação pessoal para investir em posições futuras curtas. Posteriormente, admitiu que converteu as Litcoin que tirou à empresa em bitcoin.

O procurador adiantou, por sua vez, que Kim transferiu as bitcoin das contas da Consolidated para cobrir as suas margens e para utilizar nos seus investimentos pessoais, bem como perdas.

A Consolidated foi capaz, ainda assim, de recuperar 144 bitcoin, no valor de 1,4 milhões de dólares.




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