Mercados Tsipras anuncia almofada de 30 mil milhões. Bolsa grega com maior subida em quase 3 anos

Tsipras anuncia almofada de 30 mil milhões. Bolsa grega com maior subida em quase 3 anos

O primeiro-ministro grego afirmou que o país tem uma almofada de capital de cerca de 30 mil milhões de euros que garantirá liquidez suficiente para estabilizar o mercado de dívida. Esta garantia acalmou os investidores, que levaram as acções a registar a maior subida desde Dezembro de 2016.
Tsipras anuncia almofada de 30 mil milhões. Bolsa grega com maior subida em quase 3 anos
Reuters
Rita Atalaia 10 de setembro de 2018 às 16:25

O primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras, afirma que a Grécia tem uma almofada de capital de cerca de 30 mil milhões de euros que vai assegurar que há liquidez suficiente para estabilizar o mercado de dívida nos próximos dois anos e meio. Esta garantia acalmou os investidores e levou o principal índice bolsista do país a registar a maior subida em quase três anos. Os juros também estão a aliviar.

 

A Grécia tem agora a confiança dos mercados internacionais e os investidores estão convencidos de que o país vai cumprir as reformas adoptadas para sair do resgate financeiro, afirmou Alexis Tsipras numa conferência de imprensa, no domingo, citado pela Bloomberg.

 

Esta garantia animou o principal índice bolsista da Grécia: está a subir 2,71% para 1.847,68 pontos, mas chegou a disparar 3,44% para 1.860,81 pontos durante a sessão. Ou seja, alcançou a maior valorização desde Dezembro de 2016. 

 

Também o mercado de dívida reagiu às declarações do primeiro-ministro grego. Depois de terem registado uma subida na semana passada, reflectindo a crise nos mercados emergentes, os juros a dez anos da Grécia estão a aliviar. A taxa está a recuar 9,2 pontos base para 4,202%, acompanhando o sentimento no mercado português e italiano. Na Alemanha, a taxa no mesmo prazo está a subir 1,5 pontos base para 0,402%. 

A Grécia está praticamente há oito anos sem ir aos mercados, com uma tentativa falhada em 2014. Em Julho do ano passado, o país voltou a emitir dívida, mas ainda sob a alçada dos credores. Só a 20 de Agosto, e depois de um resgate de 260 mil milhões de euros, a Grécia fez uma "saída limpa" e voltou a estar por si só. Ainda que com uma almofada financeira que cobre as necessidades de dois anos e com a monitorização trimestral apertada da Comissão Europeia.

Aumentar a popularidade antes das eleições

No sábado, no mesmo evento, Tsipras anunciou um corte dos impostos e outras medidas para aumentar a sua popularidade antes das eleições que se realizam daqui a menos de um ano, e que poderão ser um desafio para o primeiro-ministro

O risco em torno das eleições foi mesmo referido pelo Fundo Monetário Internacional. Num relatório de 31 de Julho, a entidade liderada por Christine Lagarde escrevia que "assegurar um consenso político na Grécia pode ser difícil entre sinais de fadiga nas reformas, uma diminuição da coligação que tem maioria no Parlamento [dois deputados dos Gregos Independentes retiraram o apoio à coligação de Governo] e a chegada das eleições parlamentares de 2019", que se realizam em Outubro do próximo ano.

Contudo, e apesar dos possíveis obstáculos, o primeiro-ministro excluiu a possibilidade de realizar eleições antecipadas antes de terminar o mandato do actual governo. 




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