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Brilho do ouro, prata e platina iluminam mercados em 2021

O estatuto de valor-refúgio do ouro e da prata e a nota verde mais débil continuam a dar-lhes força. A platina ganha com as energias mais limpas e, a par do paládio e prata, com o seu uso industrial.

O metal amarelo tem brilhado mais do que nunca, numa altura em que os inves    tidores procuram um refúgio para os seus ativos, num contexto de maior risco no plano económico e geopolítico.
Leonhard Foeger/Reuters
Carla Pedro cpedro@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2021 às 11:30
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Os metais preciosos prosseguem este ano o embalo da escalada de 2020, ano em que os holofotes incidiram sobre a prata – que foi a matéria-prima que mais valorizou no cômputo dos 12 meses, muito à conta do seu estatuto de valor-refúgio e da aposta numa melhoria da procura industrial. O ouro também é sempre procurado em alturas de incerteza, como no caso da pandemia e dos receios de pressões inflacionistas, mas a prata levou a melhor nas subidas de 2020 pelo facto de ser uma alternativa de investimento mais barata. E este ano? O brilho irá manter-se? Os analistas do setor são unânimes: sim, é para continuar. Mas uma das vedetas poderá ser a platina.

“O ouro, prata e platina ainda têm um significativo potencial de subida em 2021”, disse ao Negócios Frederik Fischer, gestor de carteiras do Fundo Allianz Dynamic Commodities. “Num contexto de taxas reais negativas, ativos como o ouro têm uma performance particularmente positiva. O ouro é usado como uma suprema reserva de valor há mais de dois mil anos. Com o atual crescimento da oferta a rondar os 2% ao ano, o metal continua a ser escasso. E mesmo não rendendo juros, confere proteção contra a inflação e tem um bom desempenho em períodos de crise, na qualidade de ativo seguro”, sublinha.

Já Gilles Seurat, gestor de ativos da La Française, considera que o ouro deverá continuar a ser impulsionado pela desvalorização do dólar, moeda na qual o metal é denominado, e pelos receios de inflação decorrentes dos estímulos orçamentais em países como os EUA.

No que diz respeito à platina, usada nos conversores catalíticos dos carros para limitar as emissões de gases de escape, valoriza mais de 20% este ano devido à expectativa de que a potencial retoma no mercado automóvel e a maior consciencialização para as energias mais limpas aumentem a procura pelo metal – num contexto de oferta deficitária que deverá manter-se em 2021, pelo terceiro ano consecutivo, com a maior produtora mundial, a África do Sul, a contribuir para este cenário devido ao encerramento de muitas minas em plena pandemia que ainda não reabriram por conta dos atrasos nos programas de vacinação contra a covid-19 no país.

“Os investidores começaram a perceber que há potencial de subida para os preços da platina”, comentou à Reuters uma analista do ABN Amro, Georgette Boele, que prevê que esta possa continuar a ter um desempenho superior ao do paládio e do ouro.

Num relatório a que o Negócios teve acesso, Giovanni Staunovo, analista de matérias-primas do UBS, salienta por seu lado que a maior utilização industrial da prata, platina e paládio deverá levar estes três metais preciosos a valorizar mais do que o ouro em 2021.

No contexto histórico, aponta Frederik Fischer, “a prata e a platina são ainda relativamente baratas quando comparadas com o ouro, e são catalisadores importantes devido ao seu uso industrial”. O gestor do Allianz Dynamic Commodities lembra que 20% da procura industrial de prata está já associada ao seu uso no fabrico de painéis solares. A transição sincronizada para as energias renováveis na China, EUA e Europa criará uma substancial procura nos próximos anos, diz.

Já a platina “é essencial para as novas tecnologias das células de combustível de hidrogénio”, acrescenta Fischer. Na sua opinião, este metal poderá também beneficiar no curto prazo de um aumento na produção automóvel.

Também a Barron’s crê no encarecimento dos preços da platina, por estar “a gerar um maior interesse devido ao seu papel na economia verde e à sua relativa escassez”. O metal negoceia agora em torno de 1.100 dólares por onça, com um ganho de 15% nos últimos 12 meses, e deverá recuperar o terreno perdido quando deixou de ser tão procurado devido ao escândalo das emissões da Volkswagen em 2015 – tendo vindo a ficar atrás do ouro, prata, paládio e ródio.

Apesar das perspetivas de subida, não será para já que a platina ficará a valer mais do que o ouro, que transaciona no patamar dos 1.800 dólares por onça. No entanto, os otimistas acham que poderá, nos próximos cinco anos, regressar aos recordes de há mais de uma década, quando valia 2.250 dólares/onça, refere a Barron’s. 

 

20%
prata no Solar
20% da procura industrial por prata está já associada ao seu uso no fabrico de painéis solares.

 

 

2%
Nova oferta de ouro
Com o atual crescimento da oferta de ouro a rondar os 2% ao ano, este metal precioso continua a ser escasso.

 

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