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OPEP+ pode recuar e voltar a cortar produção

Os preços do petróleo dispararam na quinta-feira após o anúncio de um acordo entre Riade e Moscovo com vista a um corte da produção. Não há ainda confirmação, mas os sauditas já convocaram reunião de emergência da OPEP+.

Carla Pedro cpedro@negocios.pt 03 de Abril de 2020 às 01:24
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O presidente norte-americano, Donald Trump, escreveu ontem no Twitter que a Arábia Saudita e a Rússia vão cortar a oferta mundial em pelo menos 10 milhões de barris por dia – volume esse que pode ir aos 15 milhões diários.

 

Apesar de o corte não ter sido confirmado oficialmente, o facto foi dado como consumado e os preços do "ouro negro" dispararam, levando a uma forte valorização das cotadas do setor. Em Londres, o Brent do Mar do Norte, que serve de referência às importações portuguesas, chegou a disparar 46%, e em Nova Iorque o West Texas Intermediate galopou 35%.

No entanto, passada a euforia, e depois de Moscovo negar ter conversado com o príncipe saudita, Mohammed bin Salaam, como tinha sido afiançado pelo chefe da Casa Branca, a prudência imperou e as cotações cederam parte dos ganhos, se bem que tenham fechado em franca recuperação, com o Brent a somar 20,49% para 29,81 dólares por barril, e o WTI a subir 24,67% para 25,32 dólares.

 

Riade já convocou entretanto uma reunião de emergência da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e seus aliados (o chamado grupo OPEP+, que inclui a Rússia) para se voltar a analisar cortes de produção no contexto da forte queda da procura devido à covid-19.

 

A guerra petrolífera foi desencadeada a 8 de Março, quando a Arábia Saudita anunciou que iria aumentar a produção a partir de abril e oferecer descontos aos clientes. Esta foi a estratégia definida por Riade depois de Moscovo ter recusado a proposta da OPEP de um corte adicional de produção – no âmbito do acordo que vigorava entre os países do cartel e os seus parceiros – para sustentar os preços do "ouro negro" perante o impacto económico da pandemia.

 

A Arábia Saudita iniciou um braço de ferro com a Rússia na tentativa de levar Moscovo a cortar a sua produção, tendo anunciado que começaria a produzir a partir de abril um volume recorde de 12,3 milhões de barris por dia. E esta semana disse que a partir de maio reforçaria essa oferta suplementar em mais 600.000 barris por dia.

 

Agora, com nova reunião da OPEP+ em vista, e numa altura em que a Rússia já pondera rever o seu Orçamento para 2020 com base num preço do crude a 20 dólares por barril, as atenções vão continuar centradas nos membros do cartel e nos seus aliados. Na sessão de quinta-feira, as cotadas da energia foram as que deram mais gás aos mercados acionistas europeus e norte-americanos, animadas pela perspetiva de um corte voluntário da oferta.

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