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OPEP+ deve fazer um corte extra de 600 mil barris, apesar de finca-pé da Rússia

O comité técnico do cartel petrolífero recomendou um corte de 600 mil barris por dia para combater os efeitos do coronavírus. No entanto, a resistência russa às pretensões sauditas obrigou as negociações a prolongarem-se por um terceiro dia.

Bloomberg
Gonçalo Almeida goncaloalmeida@negocios.pt 06 de Fevereiro de 2020 às 11:08
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O comité técnico da OPEP+, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo e os seus aliados liderados pela Rússia, recomendou um corte extraordinário de produção de 600 mil barris por dia, para amenizar o impacto que o vírus chinês está a ter nos preços da matéria-prima. No entanto, foi preciso prolongar a reunião para um terceiro dia, pela primeira vez desde que o cartel foi formado, devido a divisões entre Moscovo e Riade. 

Os departamentos técnicos dos maiores representantes que compõem a organização estavam reunidos desde a passada terça-feira em Viena, na Áustria, para definir medidas que amenizem o impacto que o coronavírus está a ter na procura global pela matéria-prima. O expectável seria um novo corte extraordinário da produção de petróleo, mas a Rússia, um importante membro do cartel, mostrou resistência até ao fim.

Por outro lado, a Arábia Saudita, o maior exportador de petróleo do mundo, queria ver os preços do petróleo em níveis superiores, uma vez que o setor petrolífero representa cerca de metade do PIB (produto interno bruto) do país e cerca de 70% do valor total das suas exportações. Ainda para mais a sua coqueluche estatal, a Saudi Aramco, só tem a ganhar com uma nova subida de preços. 

Desde que os mercados financeiros se aperceberam da magnitude desta crise de saúde na China, por volta do dia 20 de janeiro, os preços da matéria-prima têm sofrido fortes quedas. O Brent, negociado em Londres e que serve de referência para Portugal, recuou 14,79% para os 55,50 dólares por barril desde então, mesmo com a recente recuperação nas últimas sessões. O mesmo acontece com o norte-americano WTI, que perdeu 12,66% para os 51,27 dólares por barril.  

Ontem, no final do segundo dia de negociações sabia-se que a Rússia podia colocar em cima da mesa a hipótese de prolongar os cortes de produção extraordinários (na ordem dos 500 mil barris diários) acordados em dezembro do ano passado, com vencimento em março deste ano, mas que não avançariam com medidas adicionais. Até porque a economia russa é mais resiliente aos baixos preços da matéria-prima do que a saudita.

No entanto, a mão forte da Arábia Saudita dentro do grupo de 24 países - 14 membros da OPEP e os seus 10 aliados - fez com que Moscovo mudasse de ideias. O desalinhamento entre os dois países nas reuniões da OPEP+ é habitual mas, por norma, acaba em compromisso. 

A expectativa no início da semana era de que o cartel impusesse um novo declínio de meio milhão de barris por dia na produção de petróleo, mas o número excedeu as previsões em 100 mil barris diários.

Mesmo com o comité técnico da OPEP+ a chegar a um consenso sobre o impacto do vírus, no final deste terceiro dia de negociações, a sua função é apenas a de recomendar aos ministros da energia e de petróleo dos países que pertencem ao cartel o que fazer. Para que as suas recomendações sejam postas em prática é preciso que os ministros reúnam e decidam o que fazer. 

Este encontro do comité técnico antecede a reunião da OPEP+ marcada inicialmente para 5 e 6 de março (mas que deverá ser antecipada, falando-se em 14 e 15 de fevereiro, segundo a Reuters) e destinada a fazer um balanço do novo corte de produção anunciado na última reunião, em novembro, altura em que o cartel definiu uma redução adicional da oferta, de 500 mil barris por dia, para os primeiros três meses de 2020 - o que faz com que o corte total da oferta de crude no mercado se tenha fixado nos 1,7 milhões de barris por dia. 
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