Europa celebra possível retoma das negociações EUA-Irão. Dona da Louis Vuitton resiste a quebra nas vendas
Dólar regista maior série de perdas desde 2024. Euro alcança níveis pré-guerra
Ouro volta a negociar acima dos 4.800 dólares com queda dos preços do petróleo
Petróleo perde terreno com perspetiva de novas negociações EUA-Irão
Wall Street pinta-se de verde com preços no produtor a crescerem abaixo do esperado. Wells Fargo afunda 5%
Europa negoceia em alta com otimismo sobre retoma de negociações. BMW e Kering centram atenções
Juros aliviam em toda a linha com queda do crude a atenuar preocupações com inflação
Dólar desvaloriza e aproxima-se de mínimos desde início da guerra
Ouro e prata avançam com dólar a perder força
Ásia fecha em alta com Taiwan a atingir novo recorde. Singapura sobe juros
Europa celebra possível retoma das negociações EUA-Irão. Dona da Louis Vuitton resiste a quebra nas vendas
Europa celebra possível retoma das negociações EUA-Irão. Dona da Louis Vuitton resiste a quebra nas vendas
As principais praças europeias encerraram a sessão desta terça-feira pintadas de verde, com o "benchmark" da região a avançar quase 1%, impulsionado por um maior otimismo entre os investidores em relação à retoma das negociações entre os EUA e Irão. Na segunda-feira, Donald Trump revelou que foi contacto pelo regime iraniano para continuar as conversações de paz - uma posição reforçada pelo Presidente do país, Masoud Pezeshkian, que quer discutir um acordo dentro nos trâmites da lei internacional.
O Stoxx 600 - principal índice europeu - avançou 0,99% para 619,95 pontos face à sessão anterior, aproximando-se dos máximos históricos atingidos no período pré-guerra, quando o "benchmark" tocou nos 636,16 pontos. As ações energéticas foram as que mais penalizaram o índice, pressionadas pela queda dos preços do petróleo abaixo do nível dos 96 dólares por barril. Neste momento, o Brent negoceia próximo dos 95,20 dólares.
Esta terça-feira, foi noticiado que o Irão está a considerar uma suspensão de curto prazo da travessia de embarcações pelo estreito de Ormuz, de forma a não desafiar o bloqueio imposto pelos EUA e a não comprometer uma nova ronda de negociações de paz. No fim de semana, as duas partes acabaram por não conseguir chegar a acordo em relação ao futuro desta via marítima, nem em relação à questão do enriquecimento de urânio por parte do regime iraniano.
"Os mercados estão de volta aos níveis pré-guerra no Irão e os indicadores técnicos já não se encontram em território de 'sobrevenda'", explica Carl Dooley, diretor de negociação de ações para a região da Europa, Médio Oriente e África na TD Securities, citado pela Bloomberg. O Stoxx 600 já conseguir recuperar 5% das perdas registadas desde o estalar do conflito no Médio Oriente, enquanto o norte-americano S&P 500 já se encontra a negociar em níveis de finais de fevereiro.
Entre as principais movimentações de mercado, a LVMH, dona da Louis Vuitton, recuou 0,06% para 481,45 euros, depois de ter revelado que as suas vendas sofreram uma quebra de 9% no primeiro trimestre deste ano, com o efeito cambial a ser responsável por sete pontos percentuais desta queda. O impacto da guerra no Médio Oriente acabou por castigar o desempenho da marca de luxo de forma muito mais acentuada do que era esperado pelos analistas, que antecipavam um recuo de apenas 0,05%.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX acelerou 1,27%, o espanhol IBEX 35 ganhou 1,46%, o italiano FTSEMIB valorizou 1,36%, o francês CAC-40 saltou 1,12%, ao passo que o neerlandês AEX acelerou 0,75% e o britânico FTSE 100 registou um acréscimo de 0,25%.
Juros afundam na Zona Euro com paz à vista
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro afundaram esta terça-feira, pressionados por uma queda nos preços da energia que levou os investidores a reduzirem as probabilidades do Banco Central Europeu (BCE) avançar com três subidas de 25 pontos base nas taxas de juro este ano. A possibilidade de um terceiro agravamento está cada vez mais distante, principalmente devido à redução das tensões geopolíticas no Médio Oriente - agora que os EUA e Irão se preparam para retomar as negociações.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos - de referência para a Zona Euro - afundaram 6,9 pontos base para 3,020%, enquanto a "yield" das obrigações francesas na mesma maturidade mergulharam 9,3 pontos para 3,654%. Por Itália, a queda foi de ainda maior magnitude, caindo 10,8 pontos para 3,776%.
Pela Península Ibérica, os juros da dívida soberana de Portugal a dez anos deslizaram 8,9 pontos base para 3,407%, enquanto a "yield" das obrigações espanholas aliviaram em 8,5 pontos para 3,464%.
Fora da Zona Euro, os juros da "Gilts" britânicas na maturidade de referência mantiveram a mesma tendência de alívio, afundando 8,8 pontos base para 4,778%. Os investidores já só veem o Banco de Inglaterra a avançar com apenas uma subida de 25 pontos base nas taxas de juro.
Dólar regista maior série de perdas desde 2024. Euro alcança níveis pré-guerra
O dólar está a registar a maior série de perdas desde março de 2024, caindo pelo sétimo dia consecutivo, numa altura em que os mercados se mostram mais otimistas em relação a um fim da guerra no Médio Oriente a curto prazo. Na segunda-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, revelou que Teerão tinha contactado a Administração norte-americana para retomar as negociações para alcançar a paz, após estas terem caído por terra no fim de semana.
O índice do dólar da Bloomberg - que mede a força da moeda dos EUA face aos seus principais rivais - chegou a cair 0,4% esta terça-feira, registando agora perdas de 0,29%. Nas últimas sete sessões, a "nota verde" já perdeu cerca de 2% do seu valor, após ter conquistado a posição de ativo predileto dos investidores com o estalar do conflito no Golfo Pérsico - depois de um arranque do ano particularmente penoso para a divisa.
"Consideramos que o colapso das negociações não é tanto um autêntico beco sem saída, mas sim uma jogada calculada num jogo de negociação de alto risco", refere Matthew Ryan, analista da Ebury, num comentário enviado ao Negócios. "Ambos os lados mantêm um forte incentivo para chegar a um acordo e a retórica, por mais dramática que seja, não deve ser confundida com uma ruptura definitiva nas relações diplomáticas - uma lição que os investidores aprenderam da maneira mais difícil", acrescenta.
Por sua vez, o euro avança 0,26% para 1,1790 dólares, tendo chegado a atingir os 1,18 dólares esta terça-feira, atingindo assim o valor mais elevado desde o início da guerra. Já a libra ganha 0,41% para 1,3562 dólares, registando também a sétima sessão consecutiva de avanços, enquanto a "nota verde" cede 0,33% para 158,92 ienes - afastando-se do nível que os mercados consideram como de intervenção por parte das autoridades japonesas.
Ouro volta a negociar acima dos 4.800 dólares com queda dos preços do petróleo
O ouro está a conseguir recuperar algum do terreno perdido nas duas últimas sessões, ao avançar mais de 1% esta terça-feira, num dia em que os preços do petróleo estão a afundar e a aliviar alguns receios em torno de uma possível escalada da inflação. Neste contexto, os bancos centrais mundiais, incluindo a Reserva Federal (Fed) norte-americana, ficam com mais margem para manter ou até avançar com reduções das taxas de juro, o que tende a ser positivo para o metal precioso.
A esta hora, o ouro está a avançar 1,35% para 4.809,54 dólares por onça, voltando a negociar acima da marca dos 4.800 dólares pela primeira vez desde a quarta-feira passada. Apesar de os EUA terem arrancado com o seu próprio bloqueio do estreito de Ormuz, o Presidente norte-americano, Donald Trump, referiu na segunda-feira aos jornalistas que foi contactado por membros do executivo do Irão para "chegarem a um acordo".
Também o Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerão prepara-se para continuar com as negociações. Esta confirmação levou o preço do barril de crude a negociar abaixo da marca dos 100 dólares, bem como acabou por dar força às ações globais e por pressionar o dólar face aos seus principais rivais - o que torna a compra do ouro mais atrativa para investidores internacionais.
"O ouro continua a ser negociado em função das expectativas relativas às taxas de juro, em vez de servir como cobertura geopolítica, pelo que está a beneficiar, a par das ações, das esperanças de uma redução das tensões geopolíticas", afirmou Justin Lin, estratega de investimentos da Global X ETFs Australia, à Bloomberg. Embora as preocupações inflacionistas pesem sobre o ouro a curto prazo, o preço do petróleo mais elevado no longo prazo poderá conduzir também a um crescimento económico mais lento - o que é "historicamente positivo" para o ouro, acrescenta o estratega.
Petróleo perde terreno com perspetiva de novas negociações EUA-Irão
Os preços do petróleo estão a perder terreno esta tarde com o anúncio de que os EUA e o Irão vão encontrar-se mais uma vez para retomar as negociações. O anúncio surge na sequência de os norte-americanos terem bloqueado, esta segunda-feira, o estreito de Ormuz. Os investidores vão acompanhando de perto os desenvolvimentos no canal marítimo vital, para perceber se há de facto navios que consigam atravessar o estreito.
Neste contexto, o West Texas Intermediate (WTI), de referência para os EUA, cede 5,4% para 93,73 dólares por barril e o Brent, referência para a Europa, cai 2,97% para 96,41 dólares por barril. Já o gás natural tomba 7,72% para 42,83 euros megawatt-hora.
Segundo a Bloomberg, os iranianos vão evitar o estreito agora controlado pelo "inimigo", de forma a evitar interferir com as negociações deste final de semana para colocar fim à guerra de quase dois meses. O objetivo é organizar essas negociações antes do fim da pausa de duas semanas nas hostilidades anunciada a 7 de abril.
"O petróleo bruto está a cair devido ao otimismo suscitado pelos rumores em torno de possíveis negociações e da normalização da situação no estreito de Ormuz, mas a evolução dos preços está a ser impulsionada mais pelo posicionamento e pelos indicadores técnicos do que pelos fundamentais", afirmou Rebecca Babin, do CIBC Private Wealth Group, à Bloomberg, dizendo ainda que este mercado teme a "próxima notícia".
Também a Agência Internacional de Energia alertou que o conflito deverá praticamente anular o crescimento da procura de crude antecipado para este ano. A confirmar-se, seria a primeira queda anual desde a pandemia. O diretor da agência disse também esta segunda-feira, que os preços ainda não refletem a dimensão da crise energética sem precedentes.
"Continua a ser difícil avaliar o que é verdade e o que não é", afirmou Arne Lohmann Rasmussen, analista-chefe da A/S Global Risk Management. "A realidade é que o mercado está a ouvir Trump e a acreditar na narrativa de que a guerra terminará em breve", acrescentou.
Wall Street pinta-se de verde com preços no produtor a crescerem abaixo do esperado. Wells Fargo afunda 5%
Os principais índices norte-americanos arrancaram a sessão desta terça-feira pintados de verde, estendendo os ganhos registados no dia anterior, depois de ter sido revelado que, em março, o índice dos preços no produtor acabou por crescer a um ritmo bastante inferior ao esperado pelos analistas - mesmo com a subida vertiginosa dos preços da energia, devido ao estalar do conflito no Médio Oriente. O índice acabou por crescer apenas 0,5% em cadeia, contra a expectativa dos mercados de 1,3%.
O S&P 500 inicou a negociação com ganhos de 0,45% para 6.917,28 pontos, enquanto o industrial Dow Jones sobe 0,36% para 48.390,95 pontos e o tecnológico Nasdaq Composite acelera 0,86% para 23.383,24 pontos. Os três principais índices norte-americanos já tinham encerrado a sessão de segunda-feira com ganhos avultados, impulsionados pela garantia de Donald Trump, Presidente dos EUA, de que o Irão terá contactado Washington para retomar as negociações de paz. O "benchmark" atingiu mesmo níveis pré-guerra.
A nova ronda de negociações presenciais com vista a assegurar um cessar-fogo de longo prazo, que tanto os EUA como o Irão já tinham sinalizado que poderiam acontecer em breve, poderá decorrer já no final desta semana. A notícia é avançada pela Reuters, com base em cinco fontes, e citada por vários meios de comunicação internacionais esta manhã. A agência diz que as equipas de negociação podem regressar a Islamabad no final desta semana.
"As ações e as obrigações soberanas registam valorizações em quase todos os principais mercados esta manhã, num contexto em que os preços do petróleo registam uma ligeira descida e o dólar encontra-se, de um modo geral, mais fraco", explica Derek Holt, vice-presidente e diretor de mercado de capitais do Scotiabank, à Bloomberg.
Os investidores encontram-se ainda a reagir a uma série de novos resultados da banca norte-americana, depois de o Goldman Sachs ter desiludido os investidores na segunda-feira. Entre as grandes instituições financeiras que apresentaram contas, o Citi é o único a registar ganhos e a acelerar 2,32% para 129,21 dólares, depois de ter conseguido registar as maiores receitas trimestrais em mais de uma década. Ao todo, os lucros atingiriam os 5,8 mil milhões de dólares, mais 42% do que no período homólogo.
Já o JPMorgan Chase cede 0,38% para 312,50 dólares, após o gigante da banca dos EUA ter revisto em baixa a sua previsão para a margem financeira em 2026, apesar de até ter visto os lucros aumentarem 13% para 16,5 mil milhões de dólares no primeiro trimestre do ano - a segunda melhor série de três meses de sempre. O JP Morgan espera agora uma margem de cerca de 103 mil milhões de dólares este ano, abaixo dos 104,5 mil milhões previstos em fevereiro.
Por sua vez, o Wells Fargo perde 5,52% para 81,81 dólares, depois de o banco não ter conseguido bater as expectativas dos analistas em relação à margem financeira no primeiro trimestre do ano - embora por uma pequena margem, fixando-se nos 12,1 mil milhões de dólares contra as previsões de 12,3 mil milhões. No total, a instituição financeira registou lucros de 5,25 mil milhões nos primeiros três meses do ano, o que compara com os 4,89 mil milhões do ano passado.
Europa negoceia em alta com otimismo sobre retoma de negociações. BMW e Kering centram atenções
Os principais índices europeus negoceiam com ganhos em toda a linha, à medida que cresce entre os mercados a esperança de que os Estados Unidos (EUA) e o Irão estarão perto de arrancar com novas negociações, fator que está a levar a uma queda dos preços do crude. A centrar a atenção dos investidores está, também, o início da época de resultados pelo Velho Continente, que arrancou ontem com a divulgação de contas da LVMH.
O índice Stoxx 600 – de referência para a Europa – soma 0,79%, para os 618,71 pontos.
Quanto aos principais índices da Europa Ocidental, o alemão DAX pula 1,04%, o espanhol IBEX 35 avança 0,76%, o italiano FTSEMIB valoriza 0,77%, o francês CAC-40 soma 0,83%, ao passo que o neerlandês AEX sobe 1,07% e o britânico FTSE 100 regista ganhos de 0,23%.
As ações do setor energético estão entre as que registam as maiores quedas, com o petróleo Brent a cair e a negociar abaixo dos 100 dólares por barril. Os EUA e o Irão estarão a ponderar avançar com uma nova ronda de negociações para garantir um cessar-fogo de longo prazo. O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou ontem que o Irão tinha contactado a sua administração para “chegar a um acordo”, ao mesmo tempo que a Marinha dos EUA iniciava um bloqueio naval do estreito de Ormuz.
“Os mercados passaram a um clima mais positivo à medida que os preços do petróleo caíram abaixo dos 100 dólares”, disse à Bloomberg Florian Ielpo, da Lombard Odier Asset Management.
Noutros pontos, a época de divulgação de resultados do primeiro trimestre na região começou com as contas da LVMH na segunda-feira. As ações da empresa de artigos de luxo estão a ceder mais de 1%, uma vez que a guerra no Médio Oriente reduziu a procura pelos produtos da Louis Vuitton e da Dior, impactando as receitas da cotada francesa.
Nesta linha, os resultados do primeiro trimestre na Europa estão a revelar-se um teste para a recuperação das ações, sendo que analistas alertam que, provavelmente, os lucros apresentados poderão ficar aquém das elevadas expectativas, enquanto as avaliações das ações oferecerem menos margem para erro. As revisões em alta das estimativas têm continuado a surgir, apesar dos riscos representados pela guerra e por um euro mais forte.
Entre os setores, o automóvel (+1,87%) e o tecnológico (+1,72%) registam os maiores ganhos, enquanto os bens domésticos (-0,41%), as “utilities” (-0,10%) e o do petróleo e gás (-0,06%) são os únicos a desvalorizar.
Já quanto aos movimentos do mercado, os investidores estarão hoje atentos aos números da dona da Gucci, a Kering (+2,26%), e também da fabricante alemã de automóveis BMW (+1,36%), que apresentam resultados trimestrais nesta terça-feira.
Juros aliviam em toda a linha com queda do crude a atenuar preocupações com inflação
Os juros das dívidas soberanas da Zona Euro estão a negociar com alívios em toda a linha nesta terça-feira, com uma queda dos preços do crude a aliviar as preocupações dos mercados em relação a uma escalada da inflação, ainda que este fator, por si só, não limite as apostas de subidas de juros por parte do banco Central Europeu (BCE).
Olli Rehn, membro do conselho de governadores do BCE, afirmou, citado pela Bloomberg, que o aumento da inflação devido à guerra no Irão não torna um aumento das taxas de juro “evidente”, reiterando que os decisores de política monetária não estão a comprometer-se antecipadamente com uma trajetória para os juros diretores. “As decisões sobre as taxas não estão definidas de antemão”, afirmou o responsável finlandês na terça-feira, em Helsínquia. “Embora seja inevitável um aumento da inflação global este ano, ainda não é claro que efeito a guerra terá sobre a inflação a médio prazo”, resumiu.
Neste contexto, os juros das "Bunds" alemãs a dez anos, que servem de referência para a Zona Euro, aliviam 4 pontos base para 3,049%, enquanto a "yield" das obrigações francesas com a mesma maturidade cai 5,1 pontos para 3,695%. Já em Itália, os juros recuam 6,4 pontos para os 3,819%.
Pela península Ibérica, regista-se a mesma tendência, com a "yield" das obrigações portuguesas a dez anos a aliviar 5,4 pontos base para 3,442%. A “yield” das obrigações espanholas, por sua vez, cede 4,9 pontos, para 3,500%.
Fora da Zona Euro, os juros das "Gilts" britânicas, também a dez anos, aliviam 4,8 pontos base, para 4,818%.
Dólar desvaloriza e aproxima-se de mínimos desde início da guerra
O dólar segue a desvalorizar na sessão desta terça-feira, com uma queda dos preços do crude e esperança de que os Estados Unidos (EUA) e o Irão se voltem a sentar à mesa das negociações a pressionar a “nota verde”, que tem sido o ativo-refúgio predileto dos “traders” desde o início do conflito, a 28 de fevereiro.
O índice do dólar - que mede a força da “nota verde” face às principais concorrentes – recua 0,16%, para os 98,209 pontos, estando a oscilar perto do seu nível mais baixo desde 2 de março, o primeiro dia de negociação após o início da guerra entre os EUA e Israel contra o Irão.
Este índice está perto de registar o seu sétimo dia de perdas consecutivas, o que, a confirmar-se, seria a mais longa série de desvalorizações desde dezembro, altura em que os investidores se posicionavam para um ano de cortes nas taxas de juro dos EUA.
Face ao iene, o dólar cai 0,24%, para os 159,060 ienes, no entanto, continua vulnerável à pressão de vendas devido a preocupações de que a balança comercial do país se deteriore, num contexto de riscos crescentes de que os preços do petróleo bruto se mantenham elevados por mais tempo.
As hipóteses de um aumento das taxas diretoras este mês pelo Banco do Japão (BoJ), outrora vistas como uma forte possibilidade, diminuíram à medida que a guerra mantém os mercados voláteis e pressiona as perspetivas económicas.
Os “swaps” indicavam na terça-feira apenas 32% de probabilidades de o BoJ aumentar as taxas este mês, uma descida face aos 57% registados na sexta-feira, de acordo com dados da Tokyo Tanshi.
Por cá, o euro soma 0,20%, para 1,178 dólares. Da mesma forma, a libra esterlina avança 0,23%, para 1,354 dólares.
Ouro e prata avançam com dólar a perder força
O ouro está a ganhar terreno nesta terça-feira, impulsionado pela desvalorização do dólar e pela queda dos preços do petróleo, devido às esperanças de novas negociações de paz entre os Estados Unidos (EUA) e o Irão, o que atenuou os receios de uma escalada da inflação.
A esta hora, o ouro avança 0,77%, para os 4.776,650 dólares por onça, depois de ter atingido mínimos de cerca de uma semana nos 4.643 dólares por onça na sessão de ontem. No que toca à prata, o metal precioso soma 2,80%, para os 77,73 dólares por onça.
Os preços do petróleo estão a negociar novamente abaixo dos 100 dólares por barril, à medida que sinais de um potencial diálogo entre os EUA e o Irão para pôr fim à guerra entre ambos os países aliviaram as preocupações sobre os riscos de abastecimento decorrentes do bloqueio norte-americano do estreito de Ormuz.
Os preços mais elevados do crude alimentam a inflação, aumentando os custos de transporte e produção. Embora a inflação normalmente leve a um aumento da procura por ouro como proteção contra a subida de preços, taxas de juro mais elevadas pesam sobre o metal amarelo, que não rende juros.
Entretanto, as forças armadas dos EUA iniciaram um bloqueio aos portos do Irão na segunda-feira e Teerão ameaçou retaliar contra os portos dos seus vizinhos do golfo, após o fracasso das negociações deste fim de semana em Islamabad.
A apoiar o ouro está ainda um dólar americano a negociar em baixa e perto do seu nível mínimos de mais de um mês. Os "traders" estimam agora uma probabilidade de 28% de um corte de 25 pontos base na taxa de juro dos EUA este ano, contra cerca de 12% na semana passada. Antes da guerra, havia expectativas de dois cortes para este ano por parte da Reserva Federal (Fed).
Ásia fecha em alta com Taiwan a atingir novo recorde. Singapura sobe juros
Os principais índices asiáticos fecharam a sessão desta terça-feira em alta, impulsionados pelas cotadas ligadas à área da inteligência artificial, à medida que aumenta o otimismo em relação ao conflito no Médio Oriente com sinais de que os Estados Unidos (EUA) e o Irão poderão retomar as negociações de paz. Por cá, os futuros do Euro Stoxx 50 seguem a avançar 0,50%, enquanto os do norte-americano S&P 500 negoceiam sem grandes alterações.
Pelo Japão, o Topix subiu 0,80%. O Nikkei seguiu a mesma tendência e pulou 2,27%. Já por Taiwan, o TWSE avançou 2,37%, enquanto pela Coreia do Sul o Kospi valorizou 2,76%. No que toca à China, o Hang seng de Hong Kong avançou 0,63% e o Shanghai Composite somou 0,68%.
O índice regional MSCI Ásia-Pacífico registou uma subida de mais de 1%, com a SK Hynix (+5,87%) e a Samsung Electronics (+2,74%) entre as empresas que mais contribuíram para o bom desempenho do índice.
O Kospi da Coreia do sul liderou as subidas na região, enquanto o índice de referência de Taiwan atingiu um novo recorde durante a sessão nos 36.341,44 pontos. O "benchmark" do país já recuperou, assim, todas as perdas registadas desde o início da guerra, no final de fevereiro, à medida que a Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. (+3,27%), atingiu, também, um máximo histórico. Os recentes incentivos políticos da China para a ilha também ajudaram a melhorar o ânimo dos investidores, dias depois de a líder da oposição de Taiwan ter visitado Xi Jinping, Presidente da China.
Os investidores estão mais uma vez a voltar-se para os setores de crescimento, à medida que as tensões no Médio Oriente parecem abrandar. Uma queda do petróleo Brent abaixo da marca dos 100 dólares por barril também impulsionou o otimismo. “À medida que as esperanças em torno do acordo com o Irão melhoram, os mercados voltarão a concentrar-se no crescimento dos lucros e na IA”, disse à Bloomberg Ritesh Ganeriwal, da Syfe Pte. “Os mercados estão a reagir ao caminho para a paz, não ao conflito em si. Assim que houve uma desaceleração credível, os mercados ignoraram o risco”, acrescentou.
Entretanto, Singapura restringiu a sua política monetária, numa medida que já era esperada, tornando-se no primeiro país da Ásia a responder aos crescentes riscos de inflação decorrentes do aumento dos preços da energia. A decisão foi tomada ao mesmo tempo que dados preliminares do Governo revelaram que a economia cresceu 4,6% no primeiro trimestre de 2026, um resultado inferior às expectativas do mercado, que apontavam para um ritmo de crescimento de 5,9%.
Mais lidas
O Negócios recomenda